sábado, 28 de agosto de 2010

Agosto 1945

Maria Maeda só ouviu e viu de longe o enorme rugido e a bola de fogo subindo aos céus de Hiroshima. O vento seco e a chuva negra atingiram pouco, ela e seus pais, na desesperada corrida que fizeram por uma estrada sem fim. O pressentimento de uma grande tragédia fizeram com que eles tomassem a iniciativa de correr o mais que pudessem.

Com apenas 10 anos chegou ao Brasil em 1947. Do porto de Santos chegaram a São Paulo e, depois de algum tempo na casa de outros japoneses no bairro da Liberdade, seguiram, de trem, parando em Guararema, uma bucólica cidadezinha às margens do rio Paraíba. Criaram a colônia Cerejeira e plantaram caquis na terra preta muito fértil. Saborosos frutos que fizeram fama.

E a vida seguiu seu rumo, no cotidiano de levantar cedo e deitar tarde, após as tarefas no campo. A Cerejeira,pequeno recorte do Japão recriado no Brasil, um lugar de paz, muita paz . Maria Maeda cresceu, abrasileirou, mantendo, porém, as ricas tradições nipônicas que se revelavam, por exemplo, na extrema cortesia com todos os visitantes que chegavam ao local.

A bola de fogo da morte foi sumindo, aos poucos de sua memória, sendo substituída pelo bola vermelha e inspiradora do sol poente que ela parava para admirar, todos os dias, numa das colinas da colônia. E sentia uma renovada energia para recomeçar sempre. Forte e feliz. Não havia lugar para tristezas em seu coração. Definitivamente não.


Tensão Emocional

Não raro,encontramos, aqui e ali, os irmãos doentes por desajustes emocionais.Quase sempre não caminham.Arrastam-se.Não dialogam. Cultuam a queixa e a lamentação.

E, provado está que, na Terra, a tensão emocional da criatura encarnada se dilata com o tempo. Insegurança, conflito íntimo, frustração,tristeza,desânimo, cólera, inconformidade e apreensão, com outros estados negativos da alma, espancam sutilmente o corpo físico, abrindo campo a moléstias de etiologia obscura,à força de se repetirem constantemente, dilapidam o cosmo orgânico.

S consegues aceitar a existência de Deus e a prática salutar dessa ou daquela religião em que mais te reconfortes, preserva-te contra semelhante desequilíbrio. Começa, aceitando a própria vida tal qual é, procurando melhorá-la com paciência.Aprende a estimar os outros como se te apresentem,sem exigir-lhes mudanças imediatas.Dedica-te ao trabalho em que te sustentes, sem desprezar a pausa de repouso ou o entretenimento em que se te restaurem as energias.

Serve ao próximo tanto quanto puderes. Detém-te ao lado melhor das situações e das pessoas esquecendo o que te pareça inconveniente ou desagradável. Não carregues ressentimentos. Cultiva a simplicidade evitando a carga de complicações e de assuntos improdutivos que te furtem a paz. Admite o fracasso por lição proveitosa, quando o fracasso possa surgir.Tempera a conversação com o fermento da esperança e da alegria. Tanto quanto, possível não te faças problema para ninguém, empenhando – te a zelar por ti mesmo. Se amigos te aban donam, busca outros que te consigam compreender com mais segurança.

Quando a lembrança do passado não contenha valores reais, olvida o que já se foi,usando o presente na edificação de um futuro melhor.Se o inevitável acontece aceita corajosamente as provas em vista na certeza de que todas as criaturas atravessam ocasiões de amarguras e lágrimas. Oferece um sorriso de simpatia e bondade seja a quem for.

Quanto à morte do corpo, não penses nisso, guardando a convicção de que ninguém existiu no mundo, sem a necessidade de enfrentá-la.
E, trabalhando e servindo sempre, sem esperar outra recompensa que não seja a benção da paz na consciência própria, nenhuma tensão emocional te criará desencanto ou doença, de vez que se cumpres o teu dever com sinceridade, quando te falte forças, Deus te sustentará e onde não possa fazer todo bem que desejas realizar, Deus fará sempre a parte mais importante. EMMANUEL

sábado, 14 de agosto de 2010

A moça do Zeppelin



O graff Zeppelin, antes de seguir para Rio e São Paulo em Outubro de 1929, fez uma parada forçada em Recife. Pousou num campo onde hoje é o Aeroporto Internacional de Guararapes. Vinha da Alemanha onde o Nazismo dava início a sua mais cruel escalada de violência e em sua primeira viagem a América do Sul cujo destino final seria Buenos Aires, Argentina.

Passagem rápida para descer Gilberto, o filho do mais poderoso dono de um engenho de açúcar de Pernambuco e recém formado em Engenharia Hidráulica em Berlim. Escala não prevista mas conseguida a custo de manobras com oficiais alemães. Aos 23 anos guardava ainda traços de sua adolescência e era muito brincalhão.

Quando criança vivia entre os canaviais do pai a perder distância. Depois a capital onde se formou no ginásio e no colégio. Pele morena, cabelos pretos e lisos e grandes olhos verdes que herdou da mãe, revelando a origem holandesa do passado da família. Falava misturando português e alemão só de gozação. Mas despediu-se em francês da jovem Lisa de 16 anos e filha de um pequeno empresário alemão que ja percebera que o Brasil era a terra do futuro e aqui expandiria seus empreendimentos comerciais. Durante a viagem sobre o Atlântico ousou alguns beijinhos onde ela sentiu pela primeira vez o gosto de açúcar mascavo e rapadura.



Lisa nunca tinha visto um homem moreno como aquele. Gilberto, de terno branco e chapéu impecáveis se assemelhava mais ou menos ao ator Rodolfo Valentino que naquele ano abalava as telas em filmes vindos de Hollywood. O que Lisa ainda não sabia era que o destino o colocaria mais uma vez em seu caminho. Desta vez em São Paulo em 1930 no auditório da Faculdade de Direito São Francisco onde Gilberto aceitara o convite para professores e alunos sobre sua experiência universitária na Europa.

Agora aos 17 anos Lisa sentiu seu coração bater acelerado ao ver aquele grandalhão pernambucano forte e bonito que já estivera até em Nova Iorque e outras cidades americanas em seu aprendizado de mundo. Ali estava diante dele reelembrando a viagem no Zeppelin. Dois anos depois (quem diria!) Lisa já estaria casada com ele, vivendo um amor engajado na Revolução Constitucionalista de 1932. Foi mesmo um amor à primeira vista.

Uma bala getulista, quase matou Gilberto, perto de Cruzeiro, no Vale do Paraíba. Socorrido sobreviveu com seus ideais. Apesar de família tradicional, secretamente se tornou comunista ao conhecer Luis Carlos Prestes, "O Cavaleiro da Esperança" num evento politico no Rio de Janeiro.

O trem das tropas paulistas em direção ao front parou rapidamente numa estação cujo nome chamou atenção do jovem soldado - Jacarehy -, onde várias senhoras voluntárias ofereceram aos soldados xícaras de café bem forte, um biscoito e bolinhos feito de carne misturado com farinha de milho branca, já tradicional na região. "Hummm, que gosto bom!" Todos estavam com muita fome. Para arrematar tomou um copo de garapa que adoçou a sua boca e o fez lembrar com saudades, a sua terra longe, longe. O nome da estação ele jamais esqueceu. Depois da guerra civil paulista viveu aqui por vários anos com Lisa sua eterna "namorada" até ser convocado em 1942 para lutar na FEB - Força Expedicionaria Brasileira, na Itália, combatendo o mesmo nazismo que ele vira em seu início na Alemanha.

Ja tinha um casal de filhos, Ingrid e Bernardo. Foram anos de puro encantamento tendo recebido alguns anos depois o titulo de Cidadão Jacareíense. Morreu em 1998. Sua mulher o seguiu três anos depois. Mas os filhos, netos e bisnetos estão por aí, felizes da vida, bem brasileiros e com uma história de amor linda para contar, como a de seus pais. Um grande amor vivido sem barreiras e sem fronteiras como o próprio Brasil.



Gentileza gera gentileza

Ensinar com amor é melhor lição que se pode dar.

Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Cecília Meireles

Erro de Português
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.
Oswald de Andrade

Canto do povo de um lugar
Todo dia o sol levanta
E a gente canta
Ao sol de todo dia
Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde
Quando a noite a lua mansa
E a gente dança
Venerando a noite

Caetano Veloso

"A função da escola é ensinar às crianças como o mundo é e não instruí-las na arte de viver(...) Não se pode educar sem ao mesmo tempo ensinar; uma educação sem aprendizagem é vazia e portanto degenera, com muita facilidade em retórica moral e emocional."

Hannah Arendt

Alongue, relaxe e viva.

A Horta

Agora plantei chicória e beterraba. A cenoura, a couve e a alface crespa já doei aos vizinhos, a compostagem rendeu 200Kg. Uma parte distribuí para os moradores e a outra parte recomecei 2 novos canteiros. Recomecei também uma nova compostagem (adubo orgânico) com ajuda do Marcos, meu vizinho. Os moradores da rua estão me dando restos de frutas, verduras e legumes; cascas de ovos e pó de café usado. Dessa maneira, daqui uns tempos, poderei doar mais terra vegetal para quem quiser e assim estimular que eles próprios façam adubo em casa. É uma forma de colaborar com a natureza e a comunidade.

sábado, 7 de agosto de 2010

Ó Pai, Ó - Uma carta com muito axé

Edvaldo, você será o primeiro a receber carta minha dessa terra do nosso senhor do Bonfim, faz 24 horas que estou em Salvador e ainda não consegui fechar a boca de tanta felicidade. Quando o avião pousou no aeroporto e pisei em solo baiano, a emoção tomou conta de mim, Naquele momento parecia-me que todos os Orixás me saudavam, era um voltar as origens, senti o sol sobre a pele e uma infinita paz dentro de mim e as lágrimas correram pelo meu rosto. Apartir daquele momento até neste instante que volto da visita as igrejas de São Francisco, São Bartolomeu, museu da cidade e lago do Pelourinho. No lago do Pelourinho você respira gente, nesse lugar havia um coral cantando músicas de saudação a Bahia. Existe no ar musica, parece que todos se parecem com Caetano, Betania e Vinicius de Moraes, ouvi uma apresentação de cantores populares (cordel) e uma apresentação de capoeira, a cada rua, em cada esquina é uma surpresa, um encantamento mas também muito de história. No rosto deste povo percebe-se uma grande simplicidade misturada com folclore, com música, parece que cada um tem dentro de si algo de artístico.
Hoje vou almoçar com um amigo. Ele virá me buscar aqui no hotel, meu quarto é de frente para o mar, lindo de morrer, o hotel é muito confortável e tem acesso de condução para todos os lugares.



Hoje é 1º de Novembro de 1977, não tive tempo de terminar a carta. Fui a igreja de Nosso Senhor do Bonfim, é linda, almocei no Mercado Modelo, comi num restaurante de uma baiana conhecida em toda Bahia, existem frases escritas por Jorge Amado, Vinicius, Dorival Caymi, etc. Até o presidente já comeu aqui, comi vatapá, caruru efó e muqueca de peixe. Como sobremesa comi doce de caju e cocada; batida de gengibre, estou estourando. Comprei sua bolsa e uns badulaques para o pessoal de casa. Lá tem coisas lindas mas caras, e como desta vez eu vim só para conhecer, da próxima as novidades serão melhores. Estou fotografando tudo, ando pela cidade como uma baiana, já conheço até os ónibus. Passei ontem pela famosa zona de meretrício do Pelourinho. É um barato, muito popular mesmo, cheio de turistas. Estive em Itapuâ, comi caranguejo, xinxin e outras comidas. Bebi cada coisa mais estranha que nem sei. Saudades de todos. Abraços e lembranças e faça força para voltar a São Paulo pois não dá vontade. Tchau

Edna - 1977

Você se lembra?

Feliz Natal



Como um clip. Rapidamente passou a sua vida a limpo. Tinha acabado de passar por uma dura lição. A de confiar demais em si e nas pessoas, como se fosse imune a qualquer tipo de desgraça, doença ou contra tempo. Tinha uma larga consciência de que a vida no pais, a vida das pessoas não estava valendo muita coisa, diante da famigerada lei de Gérson. Agora não teria mais nada de valor material. Assim o sentimento de perda se anularia pois não teria sentimento de posse. Perder a ingenuidade, um pouco do idealismo de que algum dia poderia mudar o sistema.

Isto valeria também para sua vida afetiva. O aprendizado do amor sempre foi muito difícil para ele desde da adolescencia, mas caminhara, aos trancos e barrancos, superando traumas e preconceitos. Homem feito, cidadão, amargava a terrivel timidez com as mulheres. Se sentia melhor entre os homens. Solteirão, quase um dândi. Professor, dedicava se aos alunos, era missão sacerdócio, embora a profissão como tantas, estivesse cada vez mais desgatada.

Um Insight: ademais o que representavam uma tv, um video, um radio-gravador, um relógio, e 200 mil cruzeiros. Nem mesmo os investigadores do 6º Distrito Policial tinham movido um dedo, arredado um passo, mexido uma palha para localizar e prender os ladrões. "E assim mesmo, acontece todos os dias, não podemos fazer nada", disseram. Há um mês do natal, tudo aquilo que fora comprado com tanto sacrifício sumira nas mãos de alguns ladrões pés-de-chinelo que entraram na casa enquanto ele dava aulas na escola estadual do próprio bairro.

Tomou decisão de nada mais comprar, a não ser o essencial. Teve de remoer o nojo que sentiu ao ver sua privacidade invadida. E sofrer com a impotência de um sistema que não mais protege, por falta de condições, os cidadãos. Aqueles mesmos cidadãos, com toda certeza trocarão trocarão cartões de boas festas e Feliz Ano Novo, com renovada esperança que uma trégua seja decretada. A sofisticação eletrônica ficaria nas próprias lojas. Quem sabe numa liquidação poderia comprar alguma coisa.

Revoltado, teve ainda que contar e recontar para os parentes, amigos e vizinhos o acontecido. E os indefectíveis tapinhas nas costas. "Não sofra, até o papa, o presidente, os ministros são roubados (e também roubam?!) Melhor seria que todos, ao invés de reclamar fizessem um boicote e decidissem não comprassem mais nada das lojas, apenas o essencial. Nada de supérfluo. Só o arroz, feijão, o leite, o pão! E então! Em dois, uma semana no máximo o sistema pediria arrego e as regras do jogo mudariam! Utopia! É mas imagina se não fosse! Nada comprado, nada haveria para se roubar. Mas tudo depende das pessoas, que como sempre, são submissas a tudo e não se revoltam.

O que mais doía era perceber a transformação em sua cidade. De bucólica passava a violenta, como nas metrópoles. Seres estranhos cada vez mais chegavam em levas. De repente ficavam difícil encontrar os amigos de sempre, de curtir a vidinha interiorana, tomar o café com bolinhos de chuva no meio da tarde. A cidade, mesmo enfeitada pelo natal e aguardando a chegada de um novo prefeito estava suja, entupida de gente desgastada e mal amada.

Gente que não tem culpa de nada, que quer apenas um lugar ao sol e tenta tudo, até não tentar mais nada e passar para o outro lado, o lado das sombras, do escuro, do breu. Mais que um roubo era uma traição, uma covardia, algo difícil de assimilar, de pegar leve assim. Cansara. Apartir de agora, na casa, tudo seria de plástico, como os pratos e talheres da casa de veraneio na praia que também já fora roubada varias vezes. Fazer o que?!

Os sonhos estariam também bem guardados, na caixa forte do fundo do coração, ali, naquele lugar indevassável, num cantinho bem pequeno ainda não visitado pela mágoa deste insensato mundo estaria a sua pureza, sua grande vontade de, sem nenhuma demagogia, construir um mundo melhor, habitável, amigável e respirável. Pelo clip viu que sua vida estava limpa, quase sem pecados. Poderia continuar. Era um pequeno consolo para quem está morando numa terra de ninguém, mais mal amada do que ele. Já que, como simples cidadão nada podia fazer, deixava para as autoridades de plantão, a grave questão social.

Passada a decepção se sentia mais leve, mais coerente com seus pensamentos. Se pudesse, como alguns privilegiados, apagaria a luz do aeroporto e embarcaria para qualquer lugar de um mundo mais civilizado. Como não podia, tinha que se contentar em viver mesmo por aqui, se possível num bairro mais tranquilo. Sossegado, chegou até a desejar, em seu silêncio-reflexão, um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo para todos. Estava em paz. Difícil, mas estava.


Edvaldo Ribeiro de Oliveira - 1982

Mano Menezes: Uma nova era




Infelizmente ainda não foi dessa vez. Agora com o técnico mano menezes vamos ver se ganhamos a copa de 2014 no Brasil. Teremos 4 anos para acreditar no sonho de que podemos ser hexa.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Na contra mão da solidão

Gente eu sugiro á vcs esse blog de um morador de rua de sp: http://diariotiao.zip.net/

terça-feira, 6 de julho de 2010

Exercicío literário "Love story 2010"



Daria ao namorado um retrato seu, que a carregasse junto ao peito, na carteira cheirando a couro que acabara de comprar. Entrou na “fotos em cinco minutos”, ajeitou os cabelos, retocou a maquiagem e fez pose de artista de novela.

Feliz, retrato na bolsa...deu uma passada rápida no Shopping e pela vitrine da livraria leu alguns títulos e decidiu entrar. Folheou algumas revistas e leu algumas manchetes de jornais. Sábado, quase meio dia, o local começava a encher de gente. Alguns jovens emos circulavam a extravagância de seus figurinos. Fixou o olhar num deles. Nossa! Parece inglês! De repente sentiu saudades de Londres. Tinha deixado Ricardo, ex-namorado, lá trabalhando numa pizzaria e voltado ao Brasil cerca de um mês. Caminhou até o cinema e olhou cartazes dos próximos lançamentos. “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água’. “Na semana que vem vou ver este filme, dizem que é muito bom”, pensou. Carol “já tinha” 25 anos completos e andava meio solitária, querendo se casar. Bancária, tinha se formado em Logística e estava procurando um emprego melhor.

Londres aconteceu assim, de repente, fazia um ano que não via Ricardo. Foi, ficou 15 dias, aproveitando férias do serviço. O suficiente para revê-lo morando na casa de amigos brasileiros. Primeira viagem fora do país. É claro que se encantou com a cidade. Uma maravilha! Comentava com as amigas. ”Primeiro mundo! Ricardo já falava um inglês razoável, mas ainda não tinha curso superior completo. Deixou pela metade o de Informática e foi tentar no exterior uma chance melhor. Para ela não havia dúvida, Ricardo era o homem de sua vida!

Aos 26 anos, tinha muita força de vontade e talento para relacionamentos. Era simpático. Empreendedor, tipo fui, vencedor. Difícil não gostar dele, embora Carol visse nele um pouco de insegurança por conta de um precoce envolvimento amoroso que não dera certo. A família não ajudava muito, aquelas coisas. Mas já estavam emplacando cerca de dois anos e meio. Dois jovens sonhadores, de classe média, média, jogando na vida todas as cartas. Tinha que dar certo. O que a cativara foram aqueles olhos castanhos, um quê de árabe de seu pai, repletos de ternura que Ricardo exibia nos silêncios do namoro, quando ficavam várias horas abraçados, pensando em tudo e em nada, sonhando, idealizando projetos de vida, longe de tudo e de todos, assim na terra, no mar, no céu, se curtindo, felizes.

Já Carol, pelo lado da mãe, tinha grandes olhos azuis, evidenciando a origem finlandesa da família. E por isso, muita decisão, uma de suas características mais peculiares. Alguns parentes mais velhos continuavam morando em Penedo e por lá se estabeleceram. Com que encantamento e olhos assustados muitas vezes se lembrava da vó, já falecida, contando como atravessara a fronteira em meio a um bombardeio, atravessando a França ocupada, com muita dificuldade, até chegar a Portugal e pegar um navio para a Argentina, parando em Santos, em segurança.

Uma jovem de 16 anos, agarrada ao pai, com as cicatrizes da guerra na memória. Sempre lembrava o refúgio que era o Brasil. Carol tinha um grande amor pela vó, não só pelas estórias que contava, mas pela sabedoria impetuosa que deixara como herança nos filhos e netos e que o convívio nesta terra brasilis só aperfeiçoara. “Um Paraíso para imigrantes de todas as nacionalidades,” comentava um professor, seu amigo.

Por isso, fosse o que fosse, se sentia unida a Ricardo e não via a hora de enviar o retrato seu, já que o dele estava sempre guardado em sua bolsa, em seu coração, em sua vida.

Quando podem se comunicam via Internet e celular nesses tempos modernos que aproximam as pessoas, E falam, falam, trocam juras de amor eterno mitigando as saudades, estreitando laços afetivos. Com muito amor, esperamos. E que vivam um love story bem focado no século XXI que já avança para sua segunda década, repleto de fantásticas novidades tecnológicas. Mas que o amor seja sempre uma grande promessa, um tratado de vida duradouro, pleno da mais rica ancestralidade.




A barca Nictheroy

Rangia como velha resmungando de dores na juntas. E era velha mesmo. Provavelmente do início do séc.XX. Nem sabia como ela ainda podia fazer a atravessia da Baía de Ganabara entre o Rio e Niterói e vice-versa. Graças aos potentes motores de popa, a proa cortava as águas singrando como uma adolescente cheia de vida. E fazia a alegria dos passageiros, fossem crianças como eu ou adultos, a passeio ou a trabalho, porque dava a impressão de uma grande viagem marítima entre continentes.
É claro que dava, ás vezes, um certo temor, mas a paisagem inagualavél logo tirava o medo do pensamento. A paisagem, antes mesmo da ponte moderníssima, que levou anos em construção, absorvia a vontade aventureira de grandes viagens em gigantescos transatlânticos. Quem sabe um dia... uma grande viagem seria feita?
Por enquanto era só fantasia, por isso se contentava com as visitas ao Pier da praça Mauá, onde navios brancos de grande porte faziam escalas e deles saltavam turistas e marinheiros de várias parte do Mundo.
Outro encantamento na minha pré-adolescência eram os passeios a Ilha de Paquetá, onde me assombrava, até ficar de boca aberta, pasmo, parado, olhando um enorme Jequitibá que praticamente tomava uma rua inteira, num dos pontos mais bucólicos da Ilha. Aos domingos, muita gente, eu andava de bicicleta prá lá e prá cá alegre e satisfeito com a vida, de bem com tudo, no prazer total das descobertas. A praia de Icaraí ficou para sempre na minha memória. Só a volta ao rio era meio melancólica. Vontade de ficar um pouquinho mais.O Cristo Redentor, lá em cima do Corcovado abençoava todos os nossos sonhos...
Num desses passeios, na barca Nictheroy, uma jovem mulher estava na maior "zueira" com um grupo de marinheiros suecos, quando de repente, caiu ou foi jogada no mar.
Todos começaram a gritar por socorro até que a barca parou e de ré voltou para resgatá-la, pois alguém já tinha jogado a bóia que foi sua salvação.

Algumas pessoas se revoltaram, já outras riam do vexame em que a mulher tinha se metido.Era uma dessas prostitutas da Lapa."Também vai se meter com marinheiro, onde já se viu isso?!" Eram os cometários que eu ouvia.
Mas eu só pensava em algum dia poder viajar pelos quatro cantos do mundo com a barca Nictheroy.





Á Minha irmã Rosinha Lobo

Quando o Senhor preparou o
Nascimento de uma outra flor
Para o mundo,de uma flor
Especial para Deus, para o
Céu e para a Terra,
Deus providenciou e escolheu
Como a nova flor a Rosa,
Uma flor muito bela.
Então os anjos se reuniram
E decidiram tirar todos
Os espeinhos dessa Rosa,
A flor de Deus.
Porque já sabiam que ela
seria cem por cento do bem
E,que jamais faria o mal
A algum cristão.
Exatamente foi isso que aconteceu,
A Rosa, a flor especial de Deus,
Veio ao mundo para enfeitar, colorir e embelezar
E ajudar seus irmãos em Cristo,
Os mais necessitados.
Por isso, a Rosa se foi
Há algum tempo e até
Hoje não foi esquecida
Por aqueles que sinceramemte a amavam.
Quando Jesus voltar ao mundo
Para realizar a ressurreição, com certeza,
A Rosa, a flor especial de Deus
Será a primeira da fila.
O seu lugar já está aguardado no céu.
O Senhor conhece o coração dos seus filhos.
Portanto sabia que a Rosa, sua filha especial,
Tinha um grande coração.

Uma homenagem á sua irmã Rosa Maria de Lima (Rosinha Lobo) -03/03/09.
Avani Antonio de Carvalho