sábado, 18 de setembro de 2010

Desmistificando a velhice

Envelhecer pode não significar um lento declínio. Assim como nos EUA e em vários outros países desenvolvidos, também no Brasil, apesar dos nossos problemas, a chamada terceira idade esta tendo, ao que parece, mais tempo e saúde para realizar seus projetos de vida e sonhos. A longevidade, em seus aspectos explicados pela genética, esta tendo garantia maior também pelo respeito dado pela saúde dos idosos e graças aos novos medicamentos e melhoria no atendimento da rede pública.
É claro que posso estar sendo otimista demasiado, mas de acordo com pesquisas divulgadas no Jornal da Globo de ontem (17/09/2010) a esperança de vida dos brasileiros em vários pontos do país vem aumentando entre homens e mulheres.
A perda de memória, a mortalidade, o inevitável podem não ser mais um fantasma na vida dos idosos. Envelhecer pode significar “estar no auge e ainda com muita vida pós aposentadoria e sabedoria a ser conquistada”, de acordo com matéria publicada no New York Times (edição brasileira de 15/03/2010), assinada por Kathlin Hotynski. Ela cita vários exemplos de varias pessoas em plena atividade alem dos 60, 70, 80 e 90 anos participando de projetos de interesse pessoal ou comunitário.
A geração “baby boomers” (americanos nascidos no pós-guerra em 1945 e hoje na faixa etária de 55 a 65 anos) esta tendo muita motivação para encarar o chamado “futuro” ”trabalhar é o que me mantém ativo e vivo”, revelou o barbeiro Anthoni Mancinelli, de 98 anos. Um dos benefícios da idade avançada é “ter tempo para viajar, ficar mais aventureiro e arriscar”, afirma uma senhora de 78 anos.

Se o cérebro for mantido em boa forma, pode continuar a construir caminhos que ajudem seu dono a reconhecer padrões e, conseqüentemente, os significados e até soluções muito mais rapidamente do que um jovem consegue revela a pesquisa afirmando que “o cérebro ao atravessar a meia-idade melhora no reconhecimento da idéia central, se desenvolvendo até o final da vida adulta”.
Por isso, existem dezenas de milhões de homens e mulheres com vida mais longa e mais vitalidade juvenil do que jamais se imaginou, diz Ken Dychwald, psicólogo e autor de várias obras sobre envelhecimento. Assim, sentir pena de um idoso mesmo num asilo pode ser um equívoco. “Eu esqueci que era tão velha” disse uma paciente quase centenária realizando um trabalho voluntário na comunidade, lendo, vendo TV e navegando na Internet.
Resumindo: os conceitos negativos sobre idade avançada podem e devem estar mudando. Os mais jovens deve aprender muito ainda com os da chamada terceira idade, ou melhor idade, aqui no caso. Idosos em plena atividade “é até mesmo um fenômeno de mercado emergente” friza outro médico.
Então! Que tal abrir a mente para todos os novos conhecimentos, cuidar mais da saúde e escalar o Everest...em todos os sentidos. Vamos também conquistar uma qualidade de vida melhor para o planeta, colaborando contra o desmatamento, o aquecimento global que interfere no clima e no relacionamento cordial entre as pessoas.
Exemplos de longevidade com saúde e boa memória posso citar na minha própria família: Tia Ruth que faleceu recentemente aos 90 anos, Tia Neném faleceu no ano passado aos 96 anos, Tia Mariquinha ainda viva aos 92 anos, que adora conversar sobre tudo, e Tia Dodoca, em Juiz de Fora vivíssima aos 91 anos. Outro exemplo eloqüente: na novela “Passione” na Rede Globo, vejam o talento de veteranas atrizes como Fernanda Montenegro, Cleide Yáconis, Aracy Barabanian e de atores como Elias Gleyser e Leonardo Vilar.

Bronze



Passados muitos anos, Júlia olhava os píncaros nevados dos Andes, sentada na varanda de seu pequeno chalé em Viña Del Mar,no Chile. Refletia e, espiritualista confessa, pedia a Deus que mantivesse nela pelo menos a sensibilidade de conservar em seu coração e em sua memória lembranças de uma vida dedicada à família, às palavras, às sensações. Pensava num mundo senão perfeito, quase. Com pessoas boas, dedicadas a ajudar umas às outras. Uma fraternidade mundial. Por isso se inspirava naquelas alturas divinas.
Viúva agora, os filhos estavam todos encaminhados morando em várias partes do mundo, profissionalmente realizados. O bom para Júlia, agora aos 70 anos é que eles a deixavam em paz. Quizessem se comunicar estavam ali o celular, a Internet. O carinho, o amor maternal e filial entre eles estavam intatos. Assim como os dias, cada um vivia seu destino cotidiano. Seja em Santiago, em Lisboa, Nova Iorque, na Bahia ou até em Xangai.
A primeira vez que transpôs aquelas alturas foi quase aos 20 anos. Decidiu estudar Sociologia na USP, em São Paulo. A capital paulista fervilhava. Muita gente queria viver aqui ou no Rio, onde a efervescência política e cultural acontecia, transformando corações e mentes. Mas, sabe –se lá por que razão ou motivo acabou indo morar na Bahia, em Salvador, no bairro do Rio Vermelho, bem próximo da casa do escritor Jorge Amado, famoso por seus romances e pela fama de receber intelectuais do mundo todo.
Conheceu, entre outros, Pierre Verger,o francês, assim, assim, de passar, passando pelo Terreiro de Jesus a caminho do Pelourinho, com vários livros de sociologia debaixo do braço e na sacola hippie colorida que tinha ganho do artista plástico Carybé, argentino-baiano. Nem é preciso dizer que Júlia fotografou com ele vários locais na Bahia de Todos os Santos. Sentia-se uma baiana verdadeiramente. Uma guardou com muito carinho: com a mãe Menininha de Gantois, que já morreu faz tempo. Ganhou fama de boa fotógrafa com ele. Em vários livros de Sociologia e Antropologia que escreveu, aparecem ele, mãe Menininha e vários músicos conhecidos até hoje: Gal, Caetano, Gil...

Júlia caiu de amores pela Bahia, viajou muito pelo nordeste, litoral e interior. E foi construindo sua identidade planetária. Como estudava muito, até os 30 anos não se fixou em ninguém em especial. Namoricos sem grandes consequências. Amava Sociologia e Antropologia. Foi uma vida de estudos, mestrado e doutorado. Até altas horas lia, pesquisava, trancada no seu quarto, no alto de um casarão antigo. Muitas vezes via o sol nascer no Recôncavo, com os saveiros indo e vindo dos Engenhos. Mesmo em suas viagens pelos EUA, Europa e Oriente, nunca tinha encontrado ninguém muito especial. Foi só por pouco tempo que ficou com Mateus,num quibutz, em Israel, encantada mais pela sua lucidez política e inteligência.
Foi comendo um apimentado acarajé no Mercado Modelo que Júlia esbarrou em Josué, estudante do último ano de Direito, cuja família morava no Vale do Paraíba, em São Paulo. Além dos estudos, ele estava pesquisando suas raízes familiares. Judeus novos expulsos de Portugal na época da colônia. Depois de algum tempo passaram a se encontrar e ficaram cada vez mais atraídos um pelo outro. Assunto não faltava, é claro. Mas foi durante uma visita ao Terreiro de Mamãe Menininha que eles ficaram sabendo que foram feitos mesmo um para o outro. “Num tem engano não, fia e fio, está tudo aqui nos búzios. Sunsês são dois protegidos de Oxum e Ogum, água doce e mata, vão ficá junto prá sempre...”

Naquela noite quente de verão os atabaques soaram fortes, sem parar, por toda Salvador. Pareciam homenagear o amor de Júlia e Josué, que embriagados, despojados ,enlaçados, corpos e corações, fizeram amor pela primeira vez,como dois adolescentes, numa entrega vibrante,com total carinho e tesão. Ao amanhecer caíram no mar e nadaram sobre a proteção de Iemanjá. Estavam nus, saciados, bronzeados, limpos,amando e amados por todos os deuses. No sol, no sal, na areia, na beira daquele imenso mar da Bahia.
Casaram-se dois anos depois na Igreja de Nossa Senhora Conceição da Praia. Tiveram seis filhos: três meninos e três meninas: Jorge, Gabriel e Lucas; Flor, Maria Gabriela e Soledad.
Foram muitas as idas e vindas entre Salvador ,o Vale do Paraíba e Viña Del Mar, durante quase 50 anos. Estava no Brasil quando começou a ditadura Pinochet. Ficou vários anos sem rever seus pais no Chile. Ficou com o coração partido de saudades. Josué deu toda força possível, sempre ao seu lado naqueles terríveis momentos da história do país. O Brasil também passava por transformações e logo veio a redemocratização política.
Agora com a calma que os anos trazem, Júlia estava ali relembrando. E transpondo mais uma vez aquela Cordilheira com a alma, com suas memórias, pensava em tudo o que fora a sua vida e num novo livro, quem sabe...

Vejam ou revejam Sônia Braga e José Wilker na cena inicial do filme “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de Bruno Barreto. É considerado um dos maiores sucessos do cinema brasileiro até hoje. É de uma beleza inesquecível. Prá depois ver Paulo José e Mariana Ximenes, no recente “A Morte e a Morte de Quincas Berro D`água”, também da obra de Jorge Amado. Excelente.

Amoras...Amores

Um único pé de amora rendeu cinco potes de geléia... Com açúcar mascavo e um pouco de cravos. Sem conservantes. Ficou uma delícia. Vou conservar na geladeira para ir saboreando aos poucos. Com cream craker ou torradas. Tive ajuda da professora de Ciências e Matemática, Cristina, no domingo, após o almoço. Colocamos um grande plástico branco no chão e sacudimos os galhos. As amoras se esborrachavam manchando com sua cor característica o plástico e os nossos dedos durante a coleta. Doces amoras. Foram momentos de puro deleite. Voltamos à infância.
Na panela, quando mexíamos, com uma colher de pau, o cheiro doce das amoras foi se espalhando pela cozinha.Não havia como não fazer uma relação com aquelas cozinhas antigas das casas grandes ou fazendas, quando as mucamas faziam doces de tudo quanto é fruta para agradar a sinhá, o sinhô e seus convidados. Dois amigos que estavam tirando um cochilo, acordaram para ver o que estava acontecendo na cozinha. Uma farra. A farra das amoras.
Logo em seguida, o Rogério, também professor, inventou de fazer um bolo cremoso de fubá e farinha de trigo. Ficou enorme na pequena forma redonda. O que se seguiu foi um dos mais deliciosos café com leite da tarde, com todo mundo tagarelando e rindo. Outra professora, a Vera, chegou com pão quentinho. E como a geléia de amoras já estava pronta, mesmo um pouco quente , todos provaram um pouco. Hum! Que delícia!



No cair da tarde ficou difícil não recordar amores vividos. Cada um quieto no seu canto. O que estava acontecendo na TV ninguém parecia estar dando muita bola. Cristina, exilada de Minas, longe de casa, por força da profissão, pensativa, sentia saudades da mãe e dos irmãos. E Vera decidiu falar no celular com seu ex- namorado. Disse que ia levar um potinho de geléia de amoras para ele e a mãe. E o domingo foi chegando ao fim...em paz.

sábado, 11 de setembro de 2010

Coleção de DVD's resgata o passado de 26 bairros da capital paulista, contado pelos seus moradores.

A iniciativa da Secretaria de Educação e Cultura de São Paulo com objetivo de distribuí-los às 3800 escolas municipais. Bairros como Barra Funda, Bom Retiro, Bexiga, Campos Elíseos, Liberdade, Mooca, Luz, Pacaembu e outros constam da coleção. Aplausos, a memória histórica agradece.

Assistam o DVD "As Pontes de Madison", direção de Clint Eastwood com atuação dele e da extraordinária atriz Meryl Streep. O eterno romantismo agradece.

Comunicação: as cartas resistem aos avanços tecnológicos.

"...Ninguém questiona o fato de que a Internet chegou para ficar e está transformando o modo como o mundo se comunica. A ploriferação do uso de emails, sites de relacionamento e mesmo o SMS enterrou para muitos a idéia de enviar uma carta.
Mas os correios em todo mundo descobriram que a carta não desapareceu. Ha 3 anos o envio de correspondências se mantém estável segundo a UPU - União Postal Universal, fundada em 1874 em Berna, na Suíça. Hoje a entidade constata que o futuro do setor esta garantido. Em 2008 eram 433 bilhões de cartas e pacotes enviados. No mundo são 1,2 bilhão de cartas mandadas por dia. Por ano os campeões são os americanos com quase 200 bilhões de cartas, o Japão com 25 bilhões e a Alemanha com 21 bilhões. O Brasil envia 8,6 bilhões e a Índia, 7,3 bilhões de mensagens por ano..."

Fonte: O Estado de São Paulo - Caderno2 - domingo, 06 de Junho de 2010.

Receita

Receita: suco de couve, laranja, maracujá e cenoura, açúcar ou mel e gengibre.

O resutado vocês verão: a saúde agradece - um bem estar quase instantâneo, uma pele limpa, lisa e rosada.

Pesquisa inédita: Egoísmo e altruísmo humano em grandes tragédias.



Pesquisa inovadora esta sendo feita por professores Australianos mostrando o comportamento de grupo de pessoas durante grandes tragédias. Pesquisadores estão analisando o egoísmo e o altruismo humano em "situações de vida ou morte e o sentido de tempo na sobrevivência em desastres que chocaram o mundo no século XX e no inicio desse século XXI". As pesquisas estão sendo publicadas em revistas ciêntíficas especializadas afirmam os autores.
Analisaram inicialmente dois grandes naufrágios ocorridos em 1912, o do TITANIC e em 1915, do transatlântico LUSITANIA.
O primeiro levou quase 3 horas para afundar, enquanto o segundo levou 15 minutos. "As mulheres e crianças tiveram sorte muito melhor no Titanic, enquanto que no Lusitania os homens só pensaram em si mesmos. No Titanic, os homens tiveram mais empenho para salvar mulheres e crianças". Isso ocorreu por um motivo-chave, segundo a pesquisa: O TEMPO.
A principal conclusão da pesquisa é que "quando você precisa agir muito, muito depressa, os instintos humanos são muito mais rápidos do que as normas sociais". Os dois grandes navios se enquadraram na pesquisa porque a estrutura dos passageiros e da tripulação eram semelhantes e os naufrágios ocorreram relativamente próximos no tempo. As diferenças surgiram depois de um exame minucioso dos indices de sobrevivência.

No Titanic a pesquisa descobriu que as crianças tiveram chance de quase 15% de sobreviver aos adultos, enquanto que no Lusitania essa probabilidade foi 5,3% menor. As mulheres, no Titanic, tiveram 53% mais chance de sobreviver aos homens, enquanto que no Lusitania foi de 1,1% menor.
A dedução segundo a pesquisa "é que no Titanic os homens se esforçaram para ajudar as mulheres e as crianças". As pesquisas continuam analisando em desastres recentes, como nas duas torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, o comportamento de grupos e o relacionamento interno desses grupos. As pesquisas avançam ainda mais analisando o papel das mensagens de texto, como as enviadas por pessoas com celulares que ficaram presas nas duas torres no dia 11 de setembro de 2001.
Nos textos, frizam os pesquisadores, "as pessoas procuravam transmitir seu amor aos parentes e tentavam solucionar questões difíceis demonstrando muita fé em Deus".
Acho que deveriam fazer, no Brasil, pesquisa idêntica analisando situações de vida ou morte onde os relacionamentos pessoais sobre grande pressão podem fazer uma diferença crítica, como nos incêndios dos edificios Andrauss nos anos 70, no Joelma, nos anos 80 em São Paulo, ou no afundamento do "Bateau Mouche", no Rio de Janeiro, no Reveillon de 1990, mostrando o comportamento de pessoas (homens e mulheres) para ver como estamos em termos de egoísmo e altruismo.


Ela conheceu Carmem Miranda assim... Um pouco de realidade e ficção - conto burlesco


“La Miranda está louca por um cigarro! Pelo amor de Deus será que não existe ninguém neste Cassino da Urca que tenha um maço de cigarros?! Chame o porteiro, a arrumadeira, uma corista,um músico, um dançarino, seja quem for, por favor arranje cigarros para Carmem, ela não se maquia se não fumar pelo menos uns três, anda, anda, ela já está no camarim e vai passar o resto da tarde se preparando para o grande show desta noite, casa lotada, gente importante, políticos, artistas, até o presidente Vargas vem, vai, vai!...”
A bicha parecia mesmo estar enlouquecida na faina de atender um simples pedido da estrela de volta ao Brasil depois de sua primeira temporada americana. Aliás o Cassino inteiro já começava a fervilhar naquele sábado,de fevereiro três horas da tarde, de sufocante calor carioca. Os cenários passavam de lá prá cá, de cá prá lá, um falatório nos corredores e salas, a orquestra ensaiando trechos de Tico Tico no Fubá...

Tudo tinha de estar pronto até às 21 horas, quando as cortinas de lamê dourado, com desenhos do Rio de Janeiro ( Corcovado, Pão de Açúcar, a calcada de Copacabana e muitas palmeiras) se abririam para a entrada triunfal da cantora e atriz que, do Clube de Paris, em Nova Iorque, já tinha estrelado três filmes de grande sucesso em Hollywood.E um deles, Serenata Tropical, já estava em cartaz no Cine Metro, na Cinelândia, atraindo milhares de pessoas. E nada de encontrar cigarros. “Credo, será que todo mundo parou de fumar, logo agora... Pelo amor de Deus, cigarros Petit Londrinos, tem que ser, para Carmem Miranda...PQP, vamos gente...”
Pô, mas quem fuma esta marca é só homem! gritou uma garçonete. Que é que você queria meu bem. A estrela só vive no meio de empresários de showbusiness. Pensa que é fácil! Tudo homem ou pelo menos... Chama a Nicinha, ela pode arrumar, se não tiver ela corre lá no boteco do português Abílio. Ela é assim com ele, se ele não tiver corre o Rio inteiro prá atender um pedido dela. Essa mineira recém chegada já caiu nas graças dele. Vai, chama ela...vai... Nicinha, Nicinha, cadê você... Tô aqui, meu bem, qui qui é?!Você tem cigarros aí? Ah! Ainda não, estou esperando o entregador trazer para vender de noite entre os convidados. É um pedido de La Carmem, por favor, corre lá então no Abílio. Petit Londrinos, tá qui o dinheiro... Mas se não tiver... Ah!, traga então Macedônia, Fulgor,Everest... Ela está tão louca prá fumar, não deve recusar... Vai, vai e vê se não fica de namorico com o Abílio, ele é triste, minha filha...Não pode ver um rabo de saia que...

E lá se foi Nicinha mais que depressa. Ela vendia cigarros nas noites e madrugadas de shows no Cassino. Além de carregar uma bandeja com as marcas mais conhecidas trajava um pequeno saiote de veludo vermelho que deixava as pernas e coxas de fora, mas sem exageros. Era assim o uniforme das vendedoras e das garçonetes no Cassino da Urca. Um luxo. Um pouco de sensualidade não faz mal a ninguém.
Nicinha, quando foi expulsa de casa pelo pai severo que era, acabou indo para o Rio, dividindo uma quitinete em Botafogo, com outra moça, do Espírito Santo, que trabalhava com um mestre de cerimônias, apresentando os números de um circo. Com ela conseguiu um emprego de bilheteira. E assim as duas fizeram amizade e foram vivendo a vida na Capital Federal. Ambas, naturalmente, cheias de sonhos e namoradeiras. Trabalharam também como figurantes em algumas comédias da Cinédia e na “linha do coro” nos teatros de revistas, na praça Tiradentes. Quando a situação apertava recorria ao jogo do Bicho, vendendo e tentando a sorte.
Deu sorte, no boteco do Abílio tinha um último maço de Petit Londrinos Ovais. Depois de flertar um pouco com ele,no lero,lero, um golinho de cerveja, conseguiu de graça os cigarros. Pôs no bolso o dinheiro. “Ah! Uns trocados para o bonde, não fará falta, fica comigo,” pensou. E lá ficou o português sonhando em ter um dia de folga prá passear em Paquetá, com ela. Pena que o pai não dava trégua, só trabalhar, trabalhar, juntar dinheiro prá poder, um dia, voltar a Portugal visitar a família lá distante.
De volta ao Cassino, pela porta dos fundos, não viu ninguém por perto. Deu de cara com Carmem Miranda depilando as pernas, vestindo um robe com motivos orientais. Ah! Entra, entra, disse, vendo o maço de cigarro, logo pegando um, acendendo e dando uma longa tragada. Nicinha, ficou como que paralisada, vendo assim tão de perto a estrela, notou as enormes unhas pintadas, o rosto emoldurando pelos cílios e sobrancelhas maiores ainda.Tão de perto assim, só Libertad Lamarque, a cantora argentina que fez rápida temporada no Cassino. Isso lá por volta de 1938, por aí...
Obrigada, minha filha, obrigada. Como é seu nome mesmo? Ni-Nicinha, disse. Ah! Então é você a famoooossssa Nicinha. Todo mundo aqui comenta que você, é bem prestativa. É, tento ajudar no que posso, né! Carmem ficou olhando, fumando, olhando. É, parece que me deixaram um pouco só, graças a Deus, é tanta gente que até fico irritada às vezes, mas fazer o que né, nega, são os ossos da profissão e do sucesso.
Ah!, mas comentam também que você, além de graciosa e simpática, tem belas pernas, já trabalhou em circo. Vou dar um jeito, vai lá, fala prô Moacir, o dançarino que eu M-A –N-D-E-I, colocar você lá na figuração. Traje de baiana estilizada é que não falta por aqui, né, disse Carmem, simulando uma pequena intimidade com Nicinha, que ficou um pouco nervosa e assustada. Vai, menina, vai. E avisa ele que, durante o show, vou dar unas olhadelas prá trás prá ver se você está incluída, OK. E brincou, vou levar você para os Estates comigo, quer?!

O resto o país inteiro sabe até hoje. A frieza com que La Miranda foi recebida pela alta sociedade aquela noite, uma trama provavelmente, de um grupo de jornalistas e artistas que achavam que ela tinha voltado americanizada e já não tinha nem mais molho e nem suíngue e que Hollywood a tinha transformado num estereótipo, numa caricatura da brejeirice brasileira e da latinidade. E olha que os produtores do show tinham se esmerado no repertório. De Lamartine Babo, Ari Barroso até Dorival Caymmi, Assis Valente e outros. É claro, no esquema do star system Carmem voltou riquíssima, prá compensar.
No final do show, decepcionada,Carmem Miranda pediu prá ficar um pouco sozinha, “fugindo daquele inferno, entrevistas,fotos,bajulações, etc”. Estava reclinada frente ao espelho circundado por luzes, por cima dos potes de maquiagem e perfumes. Num acesso gostaria de ter jogado tudo aquilo no lixo.Foi quando Nicinha pediu licença na porta entreaberta. “ Posso entrar”. Carmem levantou a um pouco a cabeça, estava chorando. “Tá vendo, querida, que ingratidão, o que fazem com a gente.” Soluçando se abriu com ela, dizendo que nunca mais iria voltar ao Brasil. Nicinha disse”não fique triste não, não compensa...”
Nos EUA Carmem Miranda tornou-se um ícone. Amiga de gente famosíssima. Entre eles Jimmy Durante. Em seu famoso show na TV americana, Carmem passou mal, quase caiu. Ele a segurou. “Que isso, menina, levante, o show não pode parar!”. Era o frágil coração magoado da estrela evidenciando o seu fim.
Carmem Miranda voltou, 14 anos depois, com sucesso internacional redobrado, mas cansada, cansada. Desta vez foi recebida calorosamente. Como tinha contratos intermináveis no show business americano, só voltou em 1955. Morta. E o país parou para ver sua maior estrela ser enterrada. Nicinha,que tinha tornado sua grande e discreta amiga, com ela viveu nos Estados Unidos,todos aqueles anos. Sempre aparecia muito sorridente,embora quase incógnita, lá no fundo, na “linha do coro”, com um pequeno cesto de frutas na cabeça, baiana estilizada,sambando, como as outras da Ucrânia,de Portugal,do México, da Grécia, de Cuba,dos confins dos EUA.Todas querendo vencer na terra do cinema.
O álbum de fotos e recordações de Nicinha,com várias dedicatórias de Carmem Miranda, guardado durante muito tempo, com muito carinho por Fernando, um de seus sobrinhos prediletos, extraviou-se certa vez e deve estar por aí, em algum lugar, na casa de alguém, sabe-se lá onde...
Talvez numa nebulosa cheia de estrelas, onde costumam ficar as almas sensíveis, como a de Nicinha, se deliciando com os trejeitos do Chica Chica Bom,do Bambu Le –Le ou do Tico Tico no Fubá de Carmem La Miranda.

sábado, 28 de agosto de 2010

Passione - uma história de amor.

Jovens imigrantes, recém chegados da Itália, se encontraram, por acaso, nos arrozais de Quiririm, no começo do século. Ou destino. Pois foi amor a primeira vista. As famílias se opuseram, como de início, todas as famílias se opõem. Mas não teve jeito. Casaram-se depois às escondidas. Vieram os filhos. Viviam um eterno namoro. Desses jamais visto na face da Terra. Bela. Belo. Com todos os ingredientes. Mas vá entender as pessoas e os conflitos! O amor que os unia se manteve sereno entre a tormenta de muitos anos de incompreensão e intolerância familiar. A colonia quase virou as costas aos jovens namorados.

Vieram netos. Quatro. E mais quatro. Daí, num belo dia, o pai-avô resolve voltar a falar com a filha e aceitar o genro. O velho chorou como uma criança, recuperando um tempo que sabia, no fundo do coração, quase tinha perdido. Pediu perdão, antes que o efeito da ingratidão injusta mais o devastasse em vida. Riu e beijou, com a alma de todos lavada. A colonia paralisou. Os netos, já um tanto crescidos, foram abraçados e acolhidos. A comemoração foi por muitos dias. E anos.

E o casal foi feliz até que a morte os separou, setenta e cinco anos depois. Mas quem viu as gerações se sucedendo e a mistura se fazendo entre moças e rapazes de outras famílias e raças (portugueses, brasileiros, alemães, mulatos, indios, nordestinos) relembravam ou, quem não sabia, procurava saber, quem tinha sido os ancestrais: Marieta e Giorgio, que um dia se encontraram entre os arrozais de Quiririm marcados pelo cálido sol de outono do Vale...

Tudo aconteceu como se fossem cartas marcadas pelo tempo. O nosso "quatrilho" continua até hoje sendo jogado pelos mais velhos. E também o "truco". Só que este até pelos mais novos. De repente o adolescente entra na sala e apresenta a namorada. "É minha noiva daqui prá diante, vocês aceitam?! Por que se não aceitarem a gente vai ficar junto de qualquer modo e depois a gente se conversa..."

Resumindo: este foi o começo e é o hoje de uma das mais conhecidas famílias descendentes de italianos de São Paulo. Como uma colcha de retalhos ou um bordado pacientemente elaborado por mãos e vidas experientes, cada ponto conta uma história de amor. E de vida. Muita vida vivida. Foi e é assim que tudo aconteceu e acontece.


Texto de 1995, quando o filme brasileiro "O Quatrilho", de Bruno Barreto, recebeu o Oscar como melhor filme estrangeiro, rodado em Caxias do Sul, terra do vinho bom e que conta uma historia de amor entre imigrantes. Neste mesmo ano o Circolo Italiano Leonardo da Vinci, de Jacareí, promoveu no MAV (Museu de Antropologia do Vale) a exposição "Memórias da Itália", com fotos e documentos relembrando muitas histórias de vida e amores vividos por aqueles que escolheram a região como morada.


Deus Imenso

Senhor, no silêncio desta manhã, início de um novo dia, concedido pela sua extrema gratidão, pude contemplar, em paz, o Teu esplendor e a Tua magnitude. Pude ver e perceber que as grandes árvores frondosas espelham o teu imenso poder, na multicultura das formas e funções. Que o Senhor as colocou entre os homens para ornamentar a Terra e purificar o mar com suas folhas e flores.
Para alimentá-los com seus frutos e abrigá –los nos dias quentes, com suas sombras frescas. Que, quando são derrubadas pelo homem, transformam-se em habitações, móveis, cercas de proteção e até papéis. Que servem de moradia para os pássaros, insetos, formigas e as protegem da fúria da natureza na época dos temporais ;além de os alimentar.

Que, apesar de todos esses benefícios, o homem, ao invés de agradecer e conservar essa dádiva divina, por causa da sua ganância, destrói impiedosamente as florestas do mundo. E, aos poucos,vai destruindo tudo o que Deus construiu com amor e por amor. Vai limitando os sonhos de um mundo melhor. E assim vai delineando o destino triste e pavoroso da humanidade que caminha para o fim.

A natureza, criada por Deus, é o elo entre o homem e o Criador. Quando o homem destrói a natureza perde o contato com Deus e decreta a sua morte. Ó Senhor, perdoai os homens destruidores da natureza, porque eles não sabem o que fazem.

Avani Antonio de Carvalho – Santa Branca ( Deserto – 17 de nov. 2002)


CAMINHADA

Colabora para o bom funcionamento dos sistemas cardiovascular e respiratório. Além de queimar calorias, fortalece a musculatura dos membros inferiores e melhora a postura.


CAMOMILA

Ajuda a purificar o sangue, eliminando impurezas e promove a desintoxicação. Tem função calmante sobre o sistema nervoso e alivia problemas digestivos. Compressas com o chá de camomila sobre a pele podem aliviar inflamações e irritações.

CABEÇA FEITA

Depois dos 21 anos,leituras de Leon Tolstoi, Fernando Sabino, Machado de Assis, Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa, Hemingway, Gilberto Freire, Paulo Bonfim, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Jean Paul Sartre, Ernest Fischer, Lima Barreto, Graciliano Ramos, Nélida Pinõn,Cortázar, Leylah Assumpção, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, José Lins do Rego, Dias Gomes,,Vinícius de Moraes, Ferreira Gullar,Cecília Meirelles e uma enorme pá de gente boa como se diz hoje, começaram a me FAZER A CABEÇA.