segunda-feira, 14 de março de 2011
DANILO E GISELE CONVIDAM PARA O SEU ENLACE MATRIMONIAL
Verônica foi expulsa de casa pelo pai quando soube do “mal passo” da filha. Não teve outro jeito. Na zona de meretrício do Buiê-ê, também conhecida como “Buraco da Onça”, numa cidadezinha do Sul de Minas, Verônica teve e criou o filho até quando pode. A parteira já tinha achado lindo demais aquele bebê. As meninas do bordel então, noooosssaaa! Queriam ficar com ele no colo o tempo todo, como se o filho de Verônica fosse delas. Depois, um grupo de freiras caridosas cuidou da educação do menino, guardando o segredo para todo o sempre, sem que ele fosse deixado na roda dos enjeitados. Para sobreviver a mãe ficou bastante conhecida como intérprete de músicas românticas que falavam da solidão do amor não retribuído. Era a favorita do cabaré onde se apresentava e tirava o seu ganha pão. Até que um rico empresário, apaixonado pelos seus cabelos ruivos e olhar castanho profundo e misterioso decidiu montar uma casa só para ela. Viveu, por vários anos em Santos. A casa era um palacete que o empresário recebeu como parte da herança de sua família. Pode, desta forma, viver discretamente e tirar o filho do Colégio de freiras para morar com ela colocando uma enorme pedra sobre o seu passado.
Danilo já tinha uns 12 anos. Algum tempo depois, com o falecimento do rico empresário, que sempre preferiu ficar incógnito, Verônica foi surpreendida com uma pequena fortuna deixada num banco . Nada mais foi questionado.

Quase terminando o curso de Medicina Danilo foi fazer residência na Santa Casa de Misericórdia da cidade de Cunha onde sua mãe tinha nascido, no Vale do Paraíba. Foi aí que começou o Deus nos acuda! Danilo, do alto de seus 27 anos passou a ser quase venerado como um Deus pelas mulheres casadoiras da cidade. Todo dia era uma verdadeira romaria de jovens solteiras na Santa Casa só para vê-lo. Algumas mantinham a calma, a discrição, outras não. As mais nervosas acabavam dizendo nas consultas, descaradamente, “ sabe doutor, o senhor é tão lindo, que já me esqueci o que tinha!” Danilo acabava rindo, mas tratava todas com muito carinho.
Ficou famoso na cidade pela gentileza com que tratava as pessoas. Vivia agora, com a mãe, num pequeno, mas confortável sobrado. Contava para sua mãe todas as proezas de suas pacientes ou nem tanto. Todas carentes de amor. Mas a mãe, sorrindo e tomando um bom vinho do Porto, argumentava se já não estava na hora de casar. Aí ele pegava a mãe no colo e carinhosamente dizia “Dona Verônica tá na hora de dormir, vai”, desconversando.
Já andavam dizendo na cidade que Danilo era um anjo viril caído do céu por acaso. Um milagre! diziam algumas beatas. As moças suspiravam quando ele entrava na Padaria Paris, no centro de Cunha onde todos se reuniam numa espécie de “Happy Hour”. Tomava um cafezinho com os amigos e comprava pães. A “turca” Zobaida, dona de um armarinho na rua do Mercado, comentava, “vai ser lindo assim lá em casa!”, devorando um enorme Beirute. A espanhola Sarita ao vê –lo viajava de volta para Sevilha, tocando castanholas e dançando flamengo. “Muy Guapo”. Já a meio caipira, mas louca de esperta, Sibil (Sibir para os íntimos), rezava “Mas que pedaço de mal caminho , crendos padres!” As adolescentes então! Sonhavam, com Clark Gable, como a Judy Garland. Danilo sorria, sempre.
Se destacava dos outros jovens pela sua vasta cultura. Antes dos 20 anos, sonhando em ser escritor já tinha lido um pouco de tudo. De Machado de Assis a Thomas Mann. Gostava dos filósofos gregos. Meditava em seu quarto, em cuja sacada lateral podia ver a Rua do Mercado e, nas noites quentes, ficava ouvindo a soprano lírico Alva cantando acompanhada ao piano por seu sobrinho, o tenor Fabiano. E sonhava mais ainda. Nessas horas mortas a rua do Mercado virava, em sua imaginação, em ruas de Nova Iorque, Paris, Roma, Londres, na Ópera de Paris, no La Scala , de Milão, onde fosse neste mundão de Deus. Lima Barreto, Aluísio Azevedo, Fernando Sabino, Cecília Meirelles, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa,Raquel de Queiróz, João Cabral de Melo Neto entre os brasileiros e Fernando Pessoa, Eça de Queirós,Sartre,Borges, entre antigos e recentes, Danilo se mantinha em dia, atualizado com todos. Adorava Filmes, os bons filmes. Música, era eclético. Chico Buarque, Cartola, Noel Rosa, pops, como os Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, o bolero de Ravel e por aí a fora.

Uma vez, provando o seu grande caráter e compaixão pelo próximo, defendeu abertamente, um colega gay na Faculdade que estava sendo humilhado pelos outros. “Nada a ver, meus amigos, cada um é o que é, não vou deixar de ser colega dele só, por isso!” E abraçou Dedé, também conhecido por “Oscar Wilde”, nas rodas universitárias, por sua preferência pelo escritor inglês na época da rainha Vitória. Em Cunha, pegava sua valise de médico jovem e, de jipe ia atender a população rural sem recursos.Voltava cansado, mas realizado e, não fora poucas as vezes, que caía em prantos nos braços da mãe. “É muita pobreza, mãe, parece que Deus esqueceu dessa gente, nunca vou me conformar!”
Discreto como era, ninguém poderia imaginar que Danilo já tinha feito a sua escolha, aquela que iria conviver para sempre ao seu lado, como dona de seu coração. Era Gisele, de São José dos Campos, formada em clínica geral, como ele. Quando a trouxe para Cunha, as moças quase entraram em pânico. “Vai se casar!”, Ai, eu me mato, ai, entro prum convento! Casamento marcado na Igreja do Carmo, que ficou lotada, muitas mulheres chorando. As que se achavam preteridas fizeram o maior escândalo na porta igreja.
Passaram mal. Se escabelaram, mas não teve jeito. Quase foi preciso chamar uma ambulância, pois fingimento não era!

Por precaução e para ter total certeza do passo que ia dar, Gisele recorreu, meses antes do casamento,à vidente Jupira Bola de Cristal, famosa na rua Salvador Preto, num bairro de Jacareí e bem relacionada na sociedade local e na região, pelos seus acertos em vários casos pessoais envolvendo dinheiro, traição, amor e paixão. A vidente viu tudo dentro da bola de cristal e dentro de uma bacia com água numa dessas noites em que as estrelas parecem estar bem próximas da Terra e refletidas na bacia de Jupira. Lá estava o rosto de Danilo cercado de estrelas de todas as possíveis galáxias do universo. É ele mesmo, minha filha, pode ir em frente e seja feliz, muito feliz, imensamente feliz.
E a felicidade era geral mesmo durante a cerimônia religiosa do casamento de Danilo e Gisele, como no final feliz daqueles filmes antigos de Frank Capra, considerado o mais otimista dos diretores de cinema de uma Hollywood que não existe mais, Filmes como “ A Felicidade Não se Compra” ou no “Os Melhores Anos de Nossas Vidas”, de um diretor iniciante Billy Wilder.

E dentro da igreja, discretamente saboreando seu grande triunfo,depois de tantas injustiças e sacrifícios, lá estava, prá lá de chic, Verônica, a mãe do mais belo,másculo, bom e gentil noivo que já apareceu por aqui. E uma súbita, doce e escancarada alegria invadiu o seu coração de mãe.

E pensou, limpando as lágrimas de emoção nos olhos, “meu filho querido, você é o grande amor da minha vida”.
Danilo e Gisele moram há dez anos no bairro de Williansburg,atualmente o mais badalado reduto boêmio de músicos, intelectuais e artistas de cinema e TV de várias nacionalidades, em Nova Iorque, onde abriram uma bem sucedida clínica médica para atender brasileiros,latinos e estrangeiros de várias partes do mundo, tentando um lugar ao sol na “Big Apple”. De vez em quando a “vó” Verônica viaja prá lá para ver o casal de netos, Adriano e Mariana. Danilo e Gisele até querem voltar para o Brasil, mas está cada vez mais difícil pois trabalham muito, cada vez mais. Todos formam, enfim, uma família feliz.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Memórias de Carnaval
Sugiro este site para esse tema, as melhores marchinhas de Carnaval dos anos 50 em diante:
http://www.anosdourados.net.br/carnaval50midi/carnaval50.htm
CARNAVAL 2011, SAMBA ENREDO DAS ESCOLAS DO RIO DE JANEIRO:
Grupos Especiais
Unidos da Tijuca - "Esta Noite Levarei Sua Alma"
Acadêmicos do Grande Rio - "Y-Jurerê Mirim - A Encantadora Ilha das Bruxas (Um Conto de Cascaes)"
Beija-Flor de Nilópolis - "A Simplicidade de um Rei"
Unidos de Vila Isabel - "Mitos e Histórias Entrelaçadas Pelos Fios de Cabelo"
Acadêmicos do Salgueiro - "Salgueiro Apresenta: o Rio no Cinema"
Estação Primeira de Mangueira - "O Filho Fiel, Sempre Mangueira"
Mocidade Independente de Padre Miguel - "Parábola dos Divinos Semeadores"
Imperatriz Leopoldinense - "A Imperatriz Adverte: Sambar Faz Bem à Saúde"
Portela - "Rio, Azul da Cor do Mar"
Unidos do Porto da Pedra - "O Sonho Sempre Vem pra Quem Sonhar..."
União da Ilha do Governador - "O Mistério da Vida"
São Clemente - "O Seu, o Meu, o Nosso Rio, Abençoado por Deus e Bonito por Natureza"
SAMBA ENREDO DAS ESCOLAS DE SÃO PAULO:
Grupos Especiais
Unidos do Peruche - “Abram-se as cortinas! O espetáculo vai começar. 100 anos do Theatro Municipal de São Paulo a Peruche vai apresentar. Bravo, bravíssimo!”
UNIDOS DE VILA MARIA - "Teatro Amazonas – Manaus em Cena”
MANCHA VERDE - “Uma idéia de gênio”.
GAVIÕES DA FIEL “Do mar das pérolas e das areias do deserto à cidade do futuro – Dubai, o sonho do Rei Maktoum”.
ROSAS DE OURO Abre-te Sésamo, a Senha da Sorte”
IMPÉRIO DA CASA VERDE “Samba, Sabor, Cerveja. Admirada há Milênios, a Mais Nova Sensação Nacional”
X-9 PAULISTANA Nas asas de um sonho de uma criança, Renato Aragão, o embaixador da esperança”.
VAI VAI- "A Música Venceu”
PÉROLA NEGRA -“Abraão, o Patriarca da Fé
NENÊ DE VILA MATILDE- Salis Sapientiae – uma história do mundo”.
TOM MAIOR- “Salve Salve São Bernardo, Pedaço do meu Brasil -- Terra Mãe dos Paulistas”
MOCIDADE ALEGRE -"Carrossel das Ilusões”.
ÁGUIA DE OURO -“Com todo gás a Águia de Ouro é fogo”.
ACADÊMICOS DO TUCURUVI-"Oxente, o que seria da gente sem essa gente. São Paulo, capital do meu nordeste!”.
E NÃO SE ESQUEÇAM:
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
All about Eve - Trailer [1950] [23rd Oscar Best Picture]
A primeira entrega de prêmios foi realizada em maio de 1929, no Hotel Roosevelt de Los Angeles, sob a presidência do astro Douglas Fairbanks. Inicialmente, as cerimônias eram realizadas com almoços ou jantares em hotéis ou grandes restaurantes, com os resultados previamente conhecidos, já que a decisão sobre os ganhadores era tomada de comum acordo pelos chefões dos estúdios. Até 1940 os jornais recebiam a lista de premiados antecipadamente e assumiam o compromisso de só divulgá-la no final da noite. Um ano amtes o Los Angeles Times quebrou o acordo. Desde então, a Academia decidiu manter segredo até a abertura dos envelopes lacrados.
O critério de seleção é demorado e envolve cerca de mais ou menos 4.755 pessoas que tem direito a voto. Todos são profissionais do ramo: atores e atrizes, produtores, diretores, roteiristas, cenógrafos, montadores, fotógrafos, músicos, maquiadores. A Price Waterhouse, empresa de consultoria e estatística, organiza a votação na qual cada integrante da Academia vota em candidatos de sua mesma especialidade (fotógrafos votam em fotógrafos, atores em atores, etc.), mas todos elegem o Melhor Filme. Em uma segunda fase, a firma seleciona os cinco mais votados em cada categoria e é feita nova votação, desta vez com todos os membros da Academia. O sigilo é absoluto e jamais se soube de algum caso de quebra de segredo.
As cédulas são enviadas pelo correio e devolvidas à Academia em envelopes sem identifição do remetente. Já a apuração é feita por computador e colocada em envelopes lacrados, que são abertos apenas na noite da entrega do Oscar. Nem a Academia sabe de quantas estatuetas vai precisar.
A simples indicação de um filme pode aumentar sua bilheteria em vários milhões de dólares. Além do aumento da receita, a premiação significa prestígio para o filme, contratos mais vantajosos para os atores e (quase sempre) uma garantia de qualidade para o público.
CURIOSIDADES
Os imprevistos sempre deram o molho necessário a uma festa que, por ter se tornado muito longa, raramente consegue evitar a monotonia.
23° edição
29 de março de 1951 - Eva - A Malvada
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
QUATRO CACHORROS E UMA SÓ HISTÓRIA
De sete restaram quatro que estão comigo até hoje. Rambinho,o pai (o mais velho,) Pepita, a mãe, Maradona ou (Branquelo) e Neguinha, seus filhos. Um morreu ao nascer e os outros dois foram para um sítio, na Estrada do Varadouro e nunca mais vi. Cerca de quatro anos atrás peguei a Pepita na casa de um primo, em Santa Branca. Ele estava com problemas de saúde e veio a falecer depois de uma longa enfermidade. Mãe de primeira viagem, tive que cuidar de sua prole: comida, banho, vacinas,etc.
O fato é que me apeguei a eles e devido a circunstância da idade confesso que tentei me desfazer da Pepita e do Maradona, nome dado por um amigo. Como continuar a cuidar deles praticamente sem ajuda de ninguém. Apenas um vizinho condoído ajudava. Aí começa o curioso da história. Por duas vezes voltaram para minha casa. No ano passado, na época da vacinação contra a raiva, que foi cancelada, como se sabe, soltei os 4 perto do posto de vacinação localizado num bairro próximo ao meu.
Deixei- os um pouco livre, esperando que voltassem logo. Ficaram 21 dias fora e eu bastante preocupado, pensei comigo... seguiram o seu destino. Mas, para surpresa minha, aproveitei a carona de um amigo num domingo e dei uma passada perto do posto de vacinação só para desencargo de consciência. Pois não é que estavam todos juntos na maior farra num gramado perto do rio. Sobreviveram. Foi a maior alegria quando me viram. Fiquei muito contente e agradecido a Deus, embora soubesse que teria de cuidar deles novamente, numa rotina diária de dar ração, água, pedaços de pão e eventualmente ossos para fortalecer os dentes. Ficam horas roendo os ossos até enterrá-los num canto qualquer do quintal. É duro recolher cocô deles todas as manhãs, faça chuva ou faça sol. Enche o saco, me irrita um pouco, mas...
Da primeira vez tanto a Pepita quanto Maradona escaparam do sítio onde estavam e foram localizados sujos e maltratados morando nas casinhas de um condomínio em construção do outro lado da cidade. Mãe e filho largados na vida, perambulando por aí. Um amigo me telefonou afirmando que eram eles com toda a certeza. Lá fui eu buscá-los com um saquinho de ração. Dei água limpinha para beberem e depois atravessei a cidade toda com eles, acorrentados, procurando os locais mais desertos para não sentir muito vexame. Devo lembrar que todos eles são cachorros sem raça definida. Mas são bonitos e inteligentes.
Da segunda vez Neguinha e Pepita ficaram num sítio mais longe ainda e o dono também não teve muito cuidado e acabou deixando mãe e filha abandonados lá pelos lados da represa do Jaguari cerca de 22 km. de casa. Pensei, lá o lugar é bonito e, com certeza, vão se adaptar ou alguma alma caridosa vai cuidar deles. Gente da roça, creio, é mais apegada aos animais e os tratam com carinho, deixando-os em plena liberdade. Puro engano. Voltaram na madrugada de um Ano Novo, quando todos já estavam dormindo, depois das comemorações, arranhando o portão para entrar, numa alegria que, só posso supor, infinita, por terem localizado o endereço.
O mais estranho é que, como passaram pela Via Dutra, sem serem atropeladas?!. Acho que passaram por debaixo de um viaduto que elas guardaram de memória, sei lá! Mas um amigo me contou a história de um cachorro de sua família, que localizou o novo endereço onde morava distante mais 500 quilômetros, para enorme surpresa de todos.Chegou são e salvo, resfolegando de tanta satisfação. Questão de afeto, carinho, estima, algo assim, tão difíceis de se sentir hoje em dia, até mesmo entre as pessoas, acho eu.

Rambinho, Pepita, Maradona e Neguinha já me deram muito trabalho, agora não tanto. Na convivência diária com eles aprendi muito, refleti muito e se é, como dizem algumas pessoas, vamos nos tornando seres humanos melhores. Muitas vezes, de madrugada, me levanto e vou ver se os quatro estão bem, dormindo o sono justo da espécie, num velho sofá dado por uma vizinha. Mesmo no escuro, acariciando – os, vejo os olhinhos de cada um deles, tão doces e sonolentos,que parecem estar me agradecendo. Nem precisa. São meus companheiros na vigília deste mundo.
Volto a dormir em paz. Ou quase. Às vezes perco o sono só de ver, pelo noticiário da TV e Internet, do jeito que o mundo está! Num ranchinho, lá no fundo do quintal, mantenho até hoje, num oratório bem simples, que ganhei do pai de um amigo, o “seu” Paco, a imagem, em madeira, de São Francisco, aquele que amava os animais.
É essa a história que eu queria contar dos quatro cães que moram comigo até hoje. O resto é a incrível beleza e os eternos mistérios deste mundo que Deus criou...
REFLEXÃO
Lembre-se de que não devemos humilhar ninguém. Os erros que os outros cometem hoje, nós podemos cometê-los amanhã. Não se julgue inatingível nem infalível.Todos podem falhar. Trate os outros com tolerância, para que possa reerguê-los, se errarem. A perfeição não é desta terra. Não exija dos outros aquilo que você também ainda não pode dar.
PEQUENOS POPEYES

“Seu Dimas” tem um sítio nas cercanias de Natividade da Serra, perto da represa. Mas também tem uma pequena casa numa rua do meu bairro. No quintal plantou espinafre. Ele sempre deixa a chave do portão com uma moradora para quem quiser colher um pouco . As mães, muitas vezes atarefadas (ou sem dinheiro mesmo), se esquecem de comprar legumes ou verduras para juntar ao arroz e feijão, com a mistura diária. Desta forma o espinafre, conhecido por suas propriedades vitamínicas, é bastante providencial.
Por isso todos comentam a alma generosa que ele tem. É sempre calmo, gosta de um dedo de prosa e vive perguntando se o espinafre estava bom. Vendo as crianças fortinhas brincando na rua, as mães sempre agradecem a ele. São pequenos Popeyes. Todos saudáveis, frequentando a creche ou a escola do bairro. Peço a Deus que “Seu Dimas” sempre deixe a chave do portão e assim nunca falte espinafre para todos. Dizem que é o seu simples modo de tentar melhorar um pouco este mundo tão carente de tudo.
REFLEXÃO
Se as coisas são inatingíveis...Ora! Não é motivo para não querê-las...Que tristes os caminhos, não fora a presença distante das estrelas. (Mário Quintana)
ROMANCE - ( Ou a Megera Domada 2011)

Foram os enormes olhos azuis de Monique, uma loira da pá virada, que fulminaram o bronco Tadeu, jovem guarda de trânsito da cidade. Endoidou de vez. A primeira vez que a viu, lá vinha ela dirigindo seu carro conversível Ford 1990 se não me engano. Inconsequente, como sempre, já tinha ultrapassado a velocidade na avenida quando foi parada pelo forte apito do guarda, naquele sábado de verão quentíssimo. --- ‘Ai! Seu guarda estou atrasada para a academia de dança, minhas alunas me esperam, por favor!’ --- ‘A senhorita já é campeã de multas de trânsito na cidade! Todo mundo comenta! E agora, como não multá-la por excesso de velocidade?’. Choramingou, chororô e assim, como sempre ganhava as paradas das encrencas em que se metia. Charme enorme. ---‘Tá bem, vou procurar não correr tanto! ’---‘ Olha, moça, desta vez passa mas na próxima vez vou multá –la, sem dó, hein!.’ E ela, acelerando, como é seu nome, bonitão? Tadeu... Ah.! Tadeu, tadano . E deu uma gargalhada... Olha o respeito!... Mas Monique já estava longe.
Nem mesmo as freiras do Colégio Interno Bom Conselho, de Taubaté, conseguiram dar um jeito naquela menina de 12 anos, quando seus pais, ricos empresários, decidiram que só assim ela seria educada e aprenderia boas maneiras. Deve ter puxado o gênio de sua avó materna que, desde jovem, era impetuosa em tudo que fazia, dizia a mãe, já resignada. Pelo pai, Monique ficaria internada para sempre naquele colégio . Seria uma benção se ela virasse freira.
A única que conseguiu melhorar um pouco o comportamento daquela já adolescente, ali pelos 16 anos, foi a madre Hulda, alemã, gorda e enérgica, sua professora de Teologia. Quando percebiam um pequeno tremor de terra na cidade, os moradores já nem se assustavam mais, pois já sabiam que devia ser um dos ataques de cólera da madre Hulda ao interpelar suas alunas por causa de alguma grave travessura. Eu querer sabbbberrr quem foi que fez que fez iiissso? E lá vinha o castigo, com severidade

germânica.
Um dia, Monique convenceu Marianinha, sua colega de quarto, para, de madrugada, entrarem furtivamente, na despensa do Colégio, em busca de pedaços deliciosos de marmelada que tinham servido na hora do jantar. Para chegarem até lá precisavam passar por um longo corredor cheio de portas. Ninguém sabe como, Monique tinha pegado as chaves. Mostrou, triunfante, para a quase horrorizada Marianinha, que já estava tremendo pelo castigo que haveriam de ter. Vai ser fácil, convenceu Monique, vamos... Ou eu não me chamo MO NI QUE!, frisou, não medindo as conseqüências que esta audácia haveria de ter. Lambuzaram-se de marmelada e de quebra avançaram nos queijos mineiros recém chegados que estavam na enorme geladeira da despensa.
Só não podiam contar com o mal estar da madre Hulda que se levantou no meio da noite em busca de um remédio que combatesse sua prisão de ventre. Ué, quem deixou estas portas abertas?! Ah! Deve ser madre Imaculada, está ficando velha e esquecida... Tomou o remédio e lá veio ela aliviada arrotando e soltando “pums” corredor a fora, fechando todas as portas, para o desespero das duas alunas que ficaram trancadas até de manhã, na despensa. Não teve outra saída. Foi uma bronca daquelas.
Quase no final do ano letivo, quando viria passar férias com seus pais, Monique aprontou outra travessura. Junto com Sheila, outra colega, de Cruzeiro, que os pais também queriam que ficassem internadas para sempre no Bom Conselho... ou num hospício qualquer, decidiram escalar o alto muro do Colégio e, de maleta em punho, foram para a beira da Via Dutra, decididas em conhecer a Argentina.
Sem muita noção ficaram do outro lado da pista sentido Rio de Janeiro. Por sorte, nenhum caminhoneiro parou para elas. O dia já estava amanhecendo. Quando perceberam o erro, começaram a chorar. E agora?... e agora?...as freiras vão matar a gente, vamos ser expulsas! Para vergonha do colégio, foi um policial que devolveu as duas traquinas às mãos das freiras. Quando ficaram frente a frente com madre Hulda, esta parecia uma chaleira de água fervendo, apitando, de tão vermelha, tamanha era a sua raiva . O Colégio inteiro recuou, temendo pela sorte das duas, ninguém ousou abrir a boca ou dirigir uma palavra sequer para as madres superioras naquele dia.
Mais um terremoto, desta vez sentido até pela colônia italiana de Quiririm. “Dio mio, qui que tá con te cendo?, exclamou apavorada dona Colcheta, proprietária de uma casa de massas.
E foi assim. Passaram-se mais alguns anos e, ufa!, Monique conseguiu diplomar-se pelo tradicional colégio deste Vale do Paraíba. No dia da formatura e despedidas, a madre Hulda estava lá emocionada, abraçando Monique, só disse: Juizo hein, menina! ...Para as freiras também é assim: suas pupilas sempre acabam deixando saudades...

“Tadeu, Tadeu, não é propriamente um nome bonito, mas também não é feio,” ficou pensando Monique naquele dia. Mas o nome não saiu mais de sua cabeça. Até o dia em que lá veio ela de novo em alta velocidade. Parou a tempo de levar mais uma multa, pois o guarda de trânsito lá estava de plantão. Esperando por ela?! Tadeu sentiu o coração se acelerar de novo, como da primeira vez. Monique disse olá como vai? Tudo bem? Seus olhares se cruzaram. Tudo bem!, graças a Deus. Então, tchau! A gente se vê por aí, a cidade é pequena, né Tadeu, tadano, disse brincando. Perdendo um pouco a sua compostura,Tadeu quase mandou ela tomar... naquele lugar.
Uma tarde, Monique resolveu tomar um sorvete, junto com sua amiga e cúmplice Dora, na Sorveteria Leal. Ela não sabe por que, mas o pequeno lugar é bastante agradável. Seus pais já tomavam sorvete ali. E ali começaram a namorar. Agora ricos, só passeavam nos shoppings, adeus a simplicidade daquela sorveteira, encravada no coração da cidade que já estava mudando bastante e rapidamente a sua fisionomia urbana e seus costumes sociais. Pois não é que Tadeu, de folga estava lá tomando o seu sorvete preferido.
Tem um momento na vida que, da convivência surge amizade e ela se transforma em namoro. Agora nem Tadeu, nem Monique conseguiam dormir direito. Um pensando no outro. Ele, tímido, tipo rapaz conservador. Classe média baixa. Ela, tipo dondoquinha, olhava tudo um pouco de cima. Foi sincera com Tadeu. Olha você é pobre, não chega nem aos meus pés, como vai ser? Mesmo que a gente se gostasse muito, a barreira da minha família vai ser enorme. Eles querem que eu namore e me case com gente da minha classe social. A não ser que a gente jogue tudo prá cima. Não sei se estou preparada prá isso. Tadeu engoliu tudo em seco, ficou na dele, embora a decepção tivesse sido grande.
É mesmo, talvez eu não servi prá você, mas você também, fique sabendo, não faz meu tipo. Ah! Vá a merda, Tadeu. Ah! Vá você, sua riquinha de meia tigela! A é seu guardinha, você precisa subir muito na vida prá poder me conquistar, não se enxerga! Desta vez foi ele que saiu queimando os pneus. E ela, remoendo, volta aqui, seu idiota! Ele voltou sim, mas para dar o primeiro, mais impetuoso e doce beijo de sua vida em Monique, que fingiu não gostar, mas correspondeu totalmente. E assim foi. Embora estivessem de lados opostos, se reconciliavam, brigavam e vice – versa.Fingiam que não estavam nem aí um para o outro, mas... Sempre o orgulho machista de Tadeu, amante latino difícil de controlar o gênio e Monique, o narizinho empinado, sempre com aqueles óculos escuros, último tipo, soberba. Ambos chorando por tabela, se ficassem muito tempo longe um do outro. Como na música: É o AMOR...
Durante cinco anos foi assim. Não teve jeito, com todas as diferenças sociais, todas as brigas e retornos, um dia as duas famílias, a rica e pobre, tiveram de se conhecer para marcar noivado e, depois, o casamento. Cinco anos foi o suficiente para Tadeu se formar em Administração de Empresas, curso noturno e ingressar numa grande empresa que viu nele um talento enorme em gestão e logística. Provou do que era capaz. Monique cresceu com sua Academia de Ginástica que ficou famosa na cidade. Ambos cresceram também em maturidade. Fizeram planos para terem 10 filhos, ora vejam, nos dias de hoje!
Uma noite a mãe de Tadeu, dona Rosinha, ouviu choro no quarto e abriu, de mansinho, a porta. O que foi meu filho? Nada não, mãe, fecha a porta para os meus irmãos não ouvirem. E confessou: mãe, não aguento mais, sou louco por esta mulher desta a primeira vez que a vi. Será macumba, mãe, a senhora sabe, a gente não acredita nisso, não é! Será que vai dar certo? Abraçando ternamente o filho, a mãe, limpando as lágrimas, disse, com aquela experiência de vida – é assim mesmo, meu filho, vocês se gostam e muito, vai dar tudo certo!, vai ver.
Do mesmo modo, dona Carmem, mãe de Monique, uma noite, ouviu choro no quarto da filha. O que foi minha filha? Depois de minutos de silêncio, em que parecia que ambas estavam rezando baixinho, Monique desabafou – Mãe, acho que Tadeu é o homem de minha vida. Sou louca por ele! No começo eu achava ele muito bronco, mas cinco anos, mãe, não são cinco dias, a gente briga, tem ciúme um do outro , volta e agora está assim, a gente tem de ver todos os dias.Somos puro carinho, um para o outro.Quando a senhora namorava com papai, era assim? Virgem Maria, era assim mesmo! Os tempos eram outros. Era tudo muito contido, mas na essência, o fogo da paixão estava sempre acesso. Fique calma, vai dar tudo certo, você verá.
Tudo resolvido, chegou o grande dia. O do casamento. Que foi um dos mais comentados na cidade. Todas as arestas foram resolvidas. O que mais Tadeu temia: o pai de Monique, por ser mais rico quis bancar tudo. Nã,nã,ni,nã,nã. O velho pai de Tadeu, dono da mais antiga barbearia da cidade, encarou o pai de Monique, com todo aquele orgulho das antigas – Todas as despesas serão divididas ao meio. É claro que Monique e Tadeu também economizaram para dar uma grande festa e foi o que se viu, um congraçamento de diferenças sociais, mas tanto na igreja, ricamente decorada com flores brancas e vermelhas, como no serviço de bufê, tudo do bom e do melhor. O casamento foi assunto durante um mês e tanto...
Na igreja, loucos e apaixonados, os noivos Tadeu e Monique e as emocionadas famílias deram um show de comentários. Tudo estava muito lindo ao som da clássica marcha nupcial de Haendel, da Ave Maria, de Gounod e músicas populares nacionais e internacionais, em momentos marcantes da cerimônia religiosa celebrada pelo padre Eustáquio, que conhecia os noivos desde crianças. E tratava todos igualmente, fossem ricos, remediados ou pobres.
O inusitado da cerimônia, já que tudo termina bem, em tom de brincadeira, foi o abraço de Tadeu em Monique, sussurrando - Te amei desde o primeiro momento, meu amor. Por sua vez, depois das alianças e do juramento, Monique beijou Tadeu e sussurrou no seu ouvido – Vou te fazer o homem mais feliz do mundo, meu amor, disfarçando uma mordidela na ponta de sua orelha.Tadeu estremeceu por inteiro e quase teve um enfarte ali mesmo. Poucos viram a brincadeira e mesmo o padre sorriu, meio cúmplice. Os tempos estão mudando. Minha vampira, disse baixinho Tadeu. Seu bôbo, gemeu Monique.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Dia 2 de Fevereiro...

Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Escrevi um bilhete a ela Pedindo pra ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
FELIZ ANO NOVO, VIDA NOVA

Hoje, 30 de janeiro de 2011,depois de quase dois meses volto a postar no blog A VARANDA. Para agradecer todas as mensagens recebidas de FELIZ NATAL e FELIZ ANO NOVO dos amigos e retribuir também as mensagens otimistas de FELIZ FINAL DE SEMANA. OBRIGADO POR TUDO. Vamos enfrentar 2011 com muita coragem e verdade em todos os nossos pensamentos, desejos,sonhos e projetos, pedindo sempre a DEUS toda a ajuda dos CÉUS. Apesar da tragédia ambiental no região serrana do Rio de Janeiro, que todos nós lamentamos profundamente,vamos continuar, de acordo com a nossa grande consciência, solidários e fraternos. Não vamos nos abater nunca. Caminhemos lado a lado com o próximo, nossos amigos em quaisquer circunstâncias. Ao longo deste ano e dos próximos comemoraremos com grandiosidade todas as VITÓRIAS do SER HUMANO. Em nome da grande espiritualidade que nos une. Com certeza e fé.
Quero continuar escrevendo minhas crônicas, histórias e comentários, melhorando sempre o meu desempenho. Passando pensamentos de auto ajuda para todos. Como este: Para você subir na vida, dois degraus existem de suma importância e são representados por dois verbos – AMAR e SERVIR. Portanto, jamais desanime na escalada dos valores da alma e procure constantemente ser útil a todos e a tudo, para ajudar ao máximo o progresso do planeta que o recebe tão generosamente, auxiliando-lhe a evolução.
Na virada do ano estava em Itanhaém onde mais uma vez pude me deliciar nas praias. Numa delas, a dos PESCADORES, o mar me encanta. É uma praia pequena cheia de casebres e barcos. Diferente da praia do bairro Cibratel I que é imensa. Do alto de um morro cheio de pedras e plantas acostumadas a maresia e ao vento podemos ver toda a sua extensão. Obras de asfaltamento e calçadão estão beneficiando moradores e turistas. Foi linda a tradicional queima de fogos. Fez calor, sol, mas também choveu. Nada impediu a alegria de estar entre parentes e amigos.
Refleti muito com a leitura do pequeno livro “Sabedoria Poética” – Para dar sentido e cor ao viver – que minha irmã me emprestou. O autor, Canísio Mayer é um ex – padre e professor de Filosofia, no Colégio Nossa Senhora de Lurdes, no bairro paulistano do Tatuapé. Com simplicidade fala sobre vários temas e momentos da vida.É Profundo conhecedor do ser humano e dono de uma vasta cultura. Cita passagens de vários escritores e pensadores e destaca a enorme importância da LIBERDADE. E já fazia muito tempo que eu não refletia sobre esse pensamento de Voltaire, entre muitos que Canísio selecionou - Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê – lo - . O autor afirma “que hoje é dia para ... conhecer mais e viver melhor, olhar mais e servir melhor, escutar mais e compreender melhor”. É fácil ter o livro – WWW.paulus . com. Br. Editoral @paulus.com.br
Li e me deliciei também com uma pequena coletânea de crônicas de Walcyr Carrasco de 1996 imaginem! “O Golpe do Aniversariante e outras crônicas” – Editôra Ática. O próprio autor, hoje super famoso por suas novelas na TV Globo,confessava que “é na loucura cotidiana que ele busca a graça de suas crônicas”. Já naquele ano ele afirmava que não existia fórmula nenhuma para escrever crônicas. “Crônica é um gênero no limite entre a ficção e a realidade. Crônica é uma crônica, ué!” A diferença está no olhar agudo sobre o dia-a-dia.
Deu uma alegria danada ler o livro “Diário de Taubaté – 35 anos de ousadia”, da jornalista Yara de Carvalho, do Diário de Taubaté. No final do ano inaugurou gráfica nova,com a rotativa Zirkon, em parceria com o jornal ADC NEWS, de Paulo Torraca, que supre as necessidades regionais e alavanca o jornalismo valeparaibano. Corajosa, continua o legado do grande jornalista Stipp Jr. De forma coloquial e corajosa fala de um pionerismo e empreendedorismo que nunca faz falta na comunicação de massa. É preciso ousar sempre e relembrar os momentos de uma luta diária que perfaz uma vida. O livro, 600 exemplares, relembra um pouco de tudo, mas as lembranças de Stipp Jr. Em Família nos leva a fortes e saudosas emoções e sentimentos. Somos todos nós jornalistas representados e retratados no livro. Como acentua Pedro Bial “Nunca deixem de usar filtro solar...acreditem”.
O RIO É ILUSÃO
Quase no final de sua vida minha tia Nicinha, depois de ter vivido mais de 30 anos na cidade, dizia que “O Rio é ilusão”. Não se explicar, mas desde criança me sentia atraído pelo Rio de Janeiro. Senti muita raiva na minha adolescência por que a família não me deixou morar na “Cidade Maravilhosa”. Terminada as férias detestava ter que voltar para o interior. Outros familiares afirmavam que “ O Rio é perdição” Nunca entendi direito. Fui e voltei várias vezes, já adulto e o fascínio continuava cada vez maior. De São Paulo só falavam bem. Eu até cheguei a morar um ano lá. Não gostava, nem desgostava. Usufrui o que de melhor a cidade oferecia. EM vivências e cultura.. Trabalhando e estudando prá caramba!
O Rio era diferente, tinha algo mais, com sol ou chuva. Vendo o calorão de 41,7 graus dos últimos dias, senti uma saudade enorme. De Copacabana, do Engenho de Dentro, do Meyer,das Laranjeiras, do Arpoador, da Urca (parecia tão familiar). Fosse anos atrás eu não resistiria ao apelo publicitário com aquele sorrisão enorme da atriz Marília Pêra, convidando “Vem pro Rio, vem!”
Cheguei ainda a andar de bonde. Pegava o da Tijuca até a Lapa e depois, de ônibus, ia para Copacabana. Eu tinha 15 anos quando a capital federal mudou para Brasília. O reboliço ficou bem visível no cotidiano do Rio e em algumas das alegres ( e também inesquecíveis) chanchadas da Atlântida. Muita gente não gostou, mas JK acenava para o futuro desenvolvimentista do país através do slogan governamental “50 anos em 5”, fazer oquê, né! Vi, pela primeira vez, a grande Tônia Carreiro interpretar uma prostituta na peça “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos,em 1974. Noite inesquecível, com um amigo, dormi
mos depois num banco da praia, pois já não tiinha mais trem suburbano naquela hora prá voltarmos para Morro Agudo, lá onde Judas perdeu as botas. Lá pelos meus 25 anos, num carnaval carioca, um primo meu, já falecido, expulsou minha tia do pequeno apartamento “Vai, vai,vai prá Jac...vai! e, com uma turma de 15 amigos paulistanos, branquelos e peludos, causou alvoroço no prédio, atraindo a atenção dos moradores para aquele alegre grupo de odaliscas ( ou eram holandesas? Não me lembro mais), se abanando com leques enormes,causando sensação na Banda do Leme, na Banda de Ipanema, no Bar Sovaco de Cobra, na Penha, acreditem! e...olhem só... no baile do Teatro São José, precursor do Gala Gay.
Essa parte os já coroas sobreviventes, amigos do meu primo, não fazem muita questão de lembrar.
O mais puro babado carioca acontecia quando minha tia voltava do interior e nem bem punha a chave na porta do apartamento lá vinham as fofoqueiras de plantão – “ Dona Nicinha, como seu sobrinho e seus amigos são alegres,mmmmuuuiiito aleeeegreeeeessss, né não?! Acostumada a tudo minha tia só respondia, “fazê o quê, minhas filhas, fazê o quê...tô precisando de um dinheirinho. O apartamento estava impecável, sem nenhum resquício da folia e o dinheirinho num envelope em cima da cristaleira.
O assunto rendia até o próximo carnaval, quando de novo minha tia era expulsa, modo de dizer, e lá vinha o prá lá de alegre grupo de funcionários públicos e pequenos empresários paulistanos, branquelos e peludos, fantasiados de freiras desvairadas, carmens miranda badalativas,baianas enlouquecidas, loiras do batuque, etc. Cantando a plenos pulmões “Quanto riso, ó quanta alegria, mais de mil palhaços no salão... ou então “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é...” O grupo ficou famoso e era convidado para a abertura de vários bailes carnavalescos como os do Hotel Glória, do Copacabana Palace, do Bola Preta e muitos cordões e blocos. O Rio dos anos 60 e 70. Memórias que vão sumindo com o tempo, com o perder das ilusões. Mas que era bom, isso era!!!
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
VIVA O POVO BRASILEIRO VIVA!!!
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
O DESTINO DE POMPÍLIO OU... MA CHÉRIE

Pompílio era muito reprimido pelo pai, alcoólatra inveterado. E assim cresceu. Tímido, mas jogava um bolão com o time varzeano de sua cidade. Por esta qualidade era até respeitado por seus amigos. Por volta dos 14 anos é que as piadinhas começaram. Superada as gozações do vestiário, todos comemoravam a vitória garantida pelos chutes poderosos de Pompílio, como atacante, contra os times adversários. Mas, no final dos jogos, acabava ficando muito só, tendo apenas a compreensão de alguns poucos. E lá ia Pompílio pelas vielas escuras da cidade em busca do amor...O que um garoto sabia da vida lá pelos 17 anos? Imagine as dúvidas, alegrias e dores do amor, para quem provinha de um lar cujos pais viviam em conflito íntimo. Projetava tudo em seu “campeão”, um rapaz do time, com 19 anos e fama de namorador, completamente inacessível, em sua imaginação.
Além do futebol, Pompílio gostava muito de carnaval. Podia liberar um pouco sua timidez.Quando percebeu a enorme carência afetiva que vivia em sua cidade, decidiu mudar de cidade. Aos 20 anos estava vivendo no Rio de Janeiro, com um amigo que conheceu, de passagem, pela sua cidade. Tentou o futebol em vários times. Para sobreviver virou garçon trabalhando em vários bares até chegar, pelos conhecimentos e práticas adquiridos ,a ser barman do Café Nice, na Lapa, que já não guardava mais aquele brilho do passado, quando era reduto frequentado por artistas e boêmios conhecidos como Noel Rosa, Araci de Almeida, as irmãs Linda e Dircinha Batista, Francisco Alves e outros.

Foi aí que conheceu o carnavalesco Joãozinho 30 que estava incrementando a famosa Escola de Samba Beija Flor, de Nilópolis, numa madrugada em que procurava a nostalgia do local há muito tempo perdida, para compor um dos seus famosos temas de carnaval. O convite surgiu, quase por acaso, pois a escola estava precisando de sambistas “e quem sabe você leva jeito...” Joãozinho 30, além de grande amigo,foi seu primeiro professor e grande incentivador . Começou ali sua carreira artística, pois além de sambista revelou seu grande talento como transformista imitando artistas como Carmem Miranda, Elba Ramalho, Marylin Monroe, Sofia Loren,Cher, Gina Lolobrigida, Madonna e outras. Virou uma Drag Queen requisitada para shows em boates, clubes e programas de TV. Ficou famosa. Durante vários carnavais no sambódromo da Marquês de Sapucaí desfilou como uma das estrelas na passarela, na Beija Flor, naqueles primeiros tempos em que a escola era praticamente imbatível, tornando-se campeã entre todas as grandes escolas cariocas.
Um dia, Uma ala da Beija Flor, que se apresentava em shows pelo Brasil, passou por sua cidade. Fazia uns 10 anos que ele não a visitava . Aliás, veio apenas duas vezes quando morreram seus pais. Rapidamente para o enterro de ambos. A apresentação foi num clube da “elite”, numa noite de gala, patrocinada por um empresário conhecido. No elenco estava a Drag Queen Pompílio que agora se chamava Ma Chérie, nome artístico. Além de Joãozinho 30,vários artistas faziam parte da trupe, como o travesti Rogéria,a veterana vedete Virginia Lane, Cauby Peixoto e uns 20 sambistas, homens e mulheres, que levaram os convidados para o show “Noites Cariocas” ao delírio. Todo o elenco ganhou muito dinheiro e todos fizeram seu pé de meia com esses shows.
Quando anunciaram a apresentação de Ma Chérie e suas imitações perfeitas, o apresentador, de uma rádio local, frisou que ele era natural da cidade e que tinha jogado muita bola na infância e adolescência e se chamava Pompílio. O Clube quase veio abaixo. Os aplausos foram contínuos. “ O quê, ele (ou ela) era o filho da dona Genoveva!, meu Deus”, se escandalizavam algumas mulheres. “Olha que pernas, menina! Que voz!”, diziam outras.”Que talento!”, concordavam todos. Os homens ficaram pasmos, no íntimo apaixonados pela grande mudança de uma pessoa. No palco estava uma das grandes estrelas do espetáculo.
Entre eles o “campeão” de Pompílio, na adolescência, que agora , aos 30 anos, era um rico comerciante da cidade. Ficou deslumbrado com a transformação daquele menino tímido do passado. E Ma Chérie deu recado completo como artista. Foi uma grande consagração. Uma espécie de vingancinha contra a cidade. Naturalmente convidou, com o coração batendo forte, durante jantar oferecido pelo clube, aos artistas, para que Ricardo, “O campeão”, fosse visitá-lo, no Rio, ficando em seu belo apartamento, na Barra da Tijuca. “Vou sim, obrigado, ainda sou solteiro, livre e desimpedido”, frisou. “Que bom”, disfarçou Ma Chérie, entre sério e brincalhão.

Diferente do que as más línguas possam mexericar, Pompílio ou Ma Chérie, sempre foi um artista que prezava sua carreira. Nunca foi dado a badalações etílicas. Sempre levou uma vida social simples. Cumpria e ainda cumpre os contratos rigorosamente e continua brilhando nos carnavais cariocas. Aplicou bem o dinheiro que ganhou e ainda ganha com seus shows e pode dar-se ao luxo de parar quando quiser, afirma..Quis o destino que ele e Ricardo se reencontrassem na vida. Vivem juntos até hoje, cada qual cuidando de seus negócios. E ficando muito ricos, cada vez mais ricos.
Atualmente, em férias, devem estar num cruzeiro pelas Ilhas Gregas, ou em qualquer lugar do romântico Mediterrâneo. No Rio, com camisetas da famosa (e cara )grife MA CHÉRIE FOREVER costumam ainda bater uma bola na areia da praia em frente do prédio de apartamentos de alto luxo onde moram, trocando, com todo cuidado, olhares apaixonados.
Moram na cobertura. É claro.
MUITO ALÉM DO ARCO ÍRIS – UMA PEQUENA HISTÓRIA DE SUCESSO PESSOAL

As cores do Arco Íris, logo após uma chuva pesada de verão, sempre motivaram Luciana. Tudo o que era colorido fazia vibrar seus pequenos olhos levando – a um mundo de fantasias. As cores e suas misturas tornaram-se uma verdadeira razão em sua vida. Aos 7 anos ganhou de um tio um caderno para colorir, o famoso “Menino Pintor”. Que ela rapidamente coloriu misturando as cores de forma artística que todos admiraram seu precoce talento. Arte que se transformou, aos poucos, numa forte resistência aos sofrimentos existenciais. Um mundo místico de cores que se revelou, aos poucos, aprimorado pela educação artística, em seus anos iniciais de estudo. Depois tudo correu solto. A sua arte como refúgio contra a grande barreira do preconceito social. Gente pobre não precisava estudar.
Não era bonita, mas também não era feia. Quando criança padecia de rejeição. Assim, se apegou ao pai. A mãe, muito religiosa, preferia ficar enclausurada no quarto,não dando muita atenção aos dois filhos: Lucas e Luciana. A casa vivia sempre em silêncio, janelas e portas fechadas. No recreio escolar Luciana preferia ficar num canto, com poucas outras colegas, comendo seu lanchinho e observando, de longe, o irmão, do outro lado, com os meninos de sua idade, de uma série mais avançada .
Na pré-adolescência e adolescência não dava muita bola aos namoricos das outras meninas e meninos. Só Arthur, magrinho, talvez por uma certa semelhança com Serafim ,seu primo, no distante interior de Goiás, chamava sua atenção. Era o único mais atencioso com ela. O resto preferia ficar na algazarra, na única lanchonete da cidade, também na única pracinha, que era reduto dos jovens. Sempre que podia escapar voltava prá casa e se fechava no quarto, onde tinha seu pequeno ateliê e vários livros e catálogos de pintura de artistas plásticos famosos. A família era pobre e não podia dar-se ao luxo de pagar estudos de arte para que ela pudesse aprimorar seu talento. Tinha o sonho de estudar na capital até mesmo para poder se relacionar mais e ampliar seus horizontes sociais.
E foi o que acabou acontecendo. Ficou morando com uma tia que tinha uma pensão na Bela Vista. Estudava de noite pois trabalhava num Banco da rua Direita, no centro de SP para poder se sustentar.

Voltava poucas vezes à cidade. Quando os pais morreram e o irmão se casou as visitas acabaram ficando cada vez mais raras. Não havia motivos para voltar a uma cidade que, infelizmente, mantinha um grande preconceito contra quem não fosse da “elite”. No banco em que trabalhava reparou que tudo era muito cinzento, muito austero. Seu único colega, tipo sonhador, como ela, “mas com os pés no chão”, era Alfredo, paulistano da Moóca, estudante de Administração, também à noite.
Não que preferissem o isolamento, mas gostavam de coisas que a maioria não dava muito valor. Como por exemplo assistir filmes de diretores consagrados e peças teatrais que contivessem mensagens ou que despertassem polêmica sobre determinados assuntos. Iam, com frequência, a livrarias e exposições de Artes Plásticas. Digamos que se curtiam, mas não era um namoro. Cada um na sua. Alguns sábados visitavam amigos ou parentes de Alfredo e, é claro, comiam deliciosas pizzas feitas pela “nona” Alícia que também tinha uma conversa bastante agradável, animada, principalmente quando relembrava como seus pais chegaram ao Brasil, vindos do norte da Itália.
Ambos gostavam de andar a pé por uma SP que começava ter Metrô. Da avenida Paulista desciam até o centro, passando por galerias, na avenida São Luiz,pelo Viaduto do Chá, onde ficavam horas conversando nas escadas do Teatro Municipal, admirando o prédio da Ópera, de 1911.

Tudo estava bem fizesse calor ou frio, se chovesse ou tivesse aquela garoa fininha conhecida que os boêmios ou notívagos adoram. Luciana e Alfredo falavam de seus sonhos e projetos. São Paulo sempre foi assim. Talvez alguma grande entidade, um Ser supremo, sério e brincalhão ao mesmo tempo, ouvia tudo lá de cima. E jogava alguma magia pois as pessoas sempre acabavam conquistando um lugar nesta metrópole acolhedora e, de alguma forma, vinham, viviam e venciam.
Quando soube que o banco abriria um concurso para estudantes de Artes Plásticas com o objetivo de inovar as agências, dando personalidade mais apropriada à rede, é claro que Luciana, com 22 anos, se inscreveu, sem não ter muita noção, pois navegava entre a modernidade e o tradicional em suas pinturas e desenhos. Não tinha ousado muito ainda. Admirava muito a obra de famosos como Tomie Otake , Lasar Segall, Hélio Oiticica e muitos outros quando ia ao MASP, ao MAM e, em vernisages, mesmo sem ser convidada.

Os bancos já começavam a se interessar pelo que artistas conhecidos ou nem tanto, anônimos ou estudantes com propostas inovadoras, faziam. Luciana percebeu que ali estava sua grande oportunidade na vida, sonhando mais alto em sua realização profissional como artista, algo que ardia lá dentro de seu coração, sempre.
E começou a elaborar a identidade plástica para o banco. Escolhia formas, linhas, traços e tons que evidenciassem a pujança econômica de SP, mas de modo suave, poético para que cada espaço interior ou exterior ficasse modelado na mente das pessoas. Um projeto que, mesmo para um banco, sugerisse aos clientes estar entrando também numa galeria de Arte. Trabalhava no projeto cada noite um pouco e nas madrugadas de sexta e sábado, em seu quarto na pensão da tia. Alfredo ficava junto e até dava algumas idéias. E foi assim que ela se lembrou da “garoa fina, fininha” que caía sempre sobre a cidade, dos poetas que SP acolhia, bem como dos migrantes e imigrantes, da intensa vida artística da metrópole, dos seus trabalhadores, do café, das indúsrias, da informática que estava transformando tudo rapidamente, a história do Estado e da cidade naquela correria de todos os dias, a hora do rush, o verde dos parques, enfim...

Ansiosa aguardou meses e meses, contando os dias, até o resultado final. Seu projeto intitulado “O futuro agora”, que modificava até o logotipo do banco, com algumas sugestões e palpites dos organizadores do evento, foi classificado. Nunca o dinamismo foi tratado com tanta leveza. A alta diretoria do banco já a destacava entre os milhares de funcionários. Nascia uma artista bancária. Foi alvo de entrevista nos pequenos jornais da empresa e, depois em outros jornais, revistas, no rádio e na TV. Parecia coisa de novela, como aquela “Selva de Pedra”, que tinha acompanhado um pouco. As cores também logo chegariam à TV.
As modificações introduzidas no ambiente bancário a tornaram uma celebridade. Outros banqueiros a queriam em sua equipe. Ficou disputada, por exemplo, quando foi convidada a mudar o estilo do Banco da Amazônia que ficou entre o verde da floresta, o calor tropical ,as paredes destacando aspectos do grande folclore da região e suas lendas, de forma totalmente inusitada.Um Bumba Meu Boi no início da Era Digital. Imaginem vocês o que ela recriou para o Banco do Rio Grande do Sul. O Pampa Gaúcho , o gélido minuano em toda sua dimensão. As paredes internas das agências pareciam grandes obras de arte pictórica. Na parte externa, idem e os logotipos deixaram de ser aquela coisa austera, vetusta.
Em sua nova vida, Luciana viajou para os EUA, Europa e Oriente, sempre a convite.Para o hiper tradicional Banco de Boston recriou em tons e grafismos jamais vistos toda a saga dos puritanos ao chegar na América do Norte, o índios, o far west. Até poderoso Banco HSBC (Banco da China) se rendeu à arte daquela brasileira, agora com quase 40 anos, artista de renome e com uma grande empresa para dirigir. Sua equipe conta com vários artistas plásticos de várias tendências.Tudo começou com ela. Hoje, cada agência bancária no Brasil e no mundo tem uma característica própria, uma personalidade que valoriza a arte plástica em meio ao, digamos assim, capitalismo selvagem. É claro, que Alfredo, seu grande amigo e eterno apaixonado, trabalha na sua empresa, cuidando da administração de tudo, junto com Lucas, o irmão de Luciana, que também teve a sua hora e vez em Sampa, formando –se em Publicidade e Propaganda, na FAAP. Luciana nunca quis se casar. “Um dia ainda, talvez, quem sabe...”

Mora em Alphaville, mas tem uma cobertura na Avenida símbolo de SP, de onde se enxerga praticamente a cidade toda. Realizada, às vezes pensa em visitar a pequena cidade de onde saiu, há mais de 30 anos. Visita sempre adiada. O primo, Serafim, afinal, se tornou um grande repórter especial do Le Monde vivendo pelo mundo, mas morando atualmente em Moçambique, na África. Também seu sonho não cabia naquela pequena cidade de Goiás onde viveu a infância e parte da adolescência. Luciana, quando quer refletir, pensar na vida ou apenas descansar do estresse da cidade grande,vai para o seu refúgio, entre a serra e o mar, em Ubatuba, dirigindo seu próprio carro.Gosta de receber, mas também gosta da solidão, do silêncio, de ler seus livros e ver vídeos preferidos, de navegar na Net de caminhar na praia, de tomar banho de cachoeira ou, simplesmente, de madrugada, ficar vendo o mar prateado pela lua cheia, lá longe. Quando está no Brasil, o primo praticamente mora no refúgio de Luciana. Alfredo também é freqüentador assíduo do refúgio. E, Lucas que gosta de velejar. Formam um pequeno grupo de vencedores, cujo empreendedorismo valeu a pena. Apostaram tudo e ganharam.
Mas tiveram de lutar contra muitas adversidades na vida para atingirem seus objetivos e realizarem seus sonhos. Em sua tela, no computador, Luciana implantou a foto de um imenso arco íris, cuja cauda termina em alto mar, lá onde, segundo a lenda, deve haver um grande pote de ouro. Para nunca esquecer o começo de tudo. Resumo da Ópera: A felicidade buscada o tempo todo, com muita garra, over the rainbow.

