quinta-feira, 7 de outubro de 2010

NECESSIDADES ESPECIAIS



No último Profissão Repórter, na TV Vanguarda, (Rede Globo) Caco Barcellos e sua jovem equipe desmistificou um pouco mais a situação dos portadores de necessidades especiais. Sim, todos eles tentam levar uma vida normal. Mas isso depende também da motivação da própria sociedade e das instituições em respeitá-los verdadeiramente. Os exemplos mostrados, de norte a sul do Brasil,evidenciam os esforços que este segmento faz para garantir qualidade de vida. Dar condições para que todos eles possam levar uma vida digna de cidadãos é dever de todos. Foi uma reportagem muita séria pelo seu envolvente humanismo.


MACBETH
“A vida é um conto contado por um idiota, cheio de som e de fúria, significando nada”. O que adianta ganhar o mundo se você perdeu sua alma? Quando você não souber mais onde parar em sua ambição, lembre de Macbeth. Quando você sentir que a vida é um ‘conto idiota’ lembre de Macbeth” Luiz Felipe Pondé, “O casal Macbeth”, na Folha Ilustrada, de 27 de setembro.

SUPREMA FELICIDADE

Um filme “à la Amarcord” – “Suprema Felicidade”, marca a volta de Arnaldo Jabor,69 anos, ao cinema, depois de 20 anos de ausência. Vai deixar de lado o ácido crítico de governos e do país, voltando ao velho e bom romantismo. “Sou um romântico inveterado, fiz o filme pensando apenas no espectador”, revelou em entrevista. No Rio dos anos 1940 o menino Paulo, dos 8 aos 18 anos, vê a cidade e as vidas adultas correrem por seus olhos de maneira cômica, dramática, escrachada. Nada mais Felliniano! O filme chega às telas em 29 de Outubro. Vou correndo ver, assim que puder.


SERRA OU DILMA?



Todos às urnas novamente no segundo turno, dia 31 de outubro. Dia 17 ficaremos sabendo para onde vão os votos dados à Marina. Quem vencer já sabe que vai encontrar muito trabalho pela frente para exterminar para sempre o subdesenvolvimento do país. Os desafios prioritários de sempre: saúde e educação, depois, saneamento básico, transporte, economia e segurança contra a violência urbana. Eleitores, façam valer seus votos! Eleitos, respeitem mais uma vez a confiança depositada em vocês.
REFLEXÃO
Não se deixe abater pela tristeza. Todas as dores terminam. Aguarde que o Tempo, com suas mãos cheias de bálsamo, traga o alívio .A ação do Tempo é infalível e nos guia suavemente pelo caminho certo, aliviando nossas dores, assim como a brisa leve abranda o calor do verão. Mais depressa do que supõe, você terá a resposta, na consolação de que necessita.
“...COM AMOR NÓS APRENDEMOS QUE A VIDA É AGORA! PORTANTO, APROVEITEMOS O SABOR DE CADA HORA...”



ACALANTO


Em São Paulo existe uma Igreja cujo nome é bem sugestivo. Trata-se da Igreja Acalanto. O responsável pela fundação dessa igreja que acolhe a todos sem discriminação é o pastor Victor Orellana, que vem de uma família de tradicionais religiosos metodistas. Aos 25 anos ele se afirmou como homossexual e criou um lugar ideal para continuar praticando sua espiritualidade. Declara ele: “Estar sem religião era como se faltasse um pedaço de mim, eu continuava exercendo minha afetividade, mas precisava do contato com Deus, numa igreja onde fosse respeitado, onde era aceito e me sentisse bem, sem ansiedade emocional e sem nenhum sentimento de culpa".
Para outro pastor, Nehemias Marien, da Igreja Presbiteriana Betesda as igrejas falharam em seu papel de minimizar o sofrimento dos homossexuais." Por isso nessa igreja o meu propósito é dar respostas adequadas a fim de tornar essas pessoas felizes. Aqui não enxergamos diferenças entre pessoas, todas são consideradas seres humanos iguais em busca de uma felicidade que só a espiritualidade pode oferecer", conclui o pastor.
O LIVRO DE RUTH
Enquanto a mãe conversava com dona Albertina que tinha ido à Estação receber dona Chiquinha, a pequena Ruth ia observando tudo. Andou pelo corredor da casa antiga, olhou as salas, os quartos, a cozinha e chegou até o pequeno quintal. Depois, no sentido inverso, olhou a rua, através da grade do portão. A “Rua do Meio”. Um pouco temerosa ainda abriu o trinco e sentou-se na guia da calçada. Rua de terra ainda. Que a rua começava na praça já sabia. Mas, curiosa, onde iria sair do outro lado? Só dias depois ficaria sabendo. Ia se familiarizando aos poucos com tudo e todos. Os meninos, as meninas, dona Bidita, seu Arlindo e outros.
Demorou um pouco para desatar a saudade prensada na alma. A amiguinha dizendo adeus, adeus, na plataforma da cidade mineira de onde provinha, as fagulhas da Maria Fumaça, noite adentro. Oh! Minas Gerais quem não te conhece... Como pode um peixe vivo viver fora... Quantas vezes cantara no coral infantil da Escola "Dr. Pacífico Vieira." Oh! Minas nunca mais, nunca... As lágrimas foram secando aos poucos no rosto. Um soluçar no peito, uma tristeza que só começara a sentir ali na calçada daquela terra estranha. São Paulo! São Paulo! Jacarehy... Como conversavam aquelas duas comadres, credo!

Dona Albertina e as outras vizinhas ficavam horas vendo a mãe falar da sua conversão, que foi um verdadeiro escândalo naquela pequena cidade mineira. Afinal, dona Chiquinha saía na frente da procissão do Santíssimo naquelas semanas santas que cobria tudo de roxo e preto.

Depois das novenas, rezas e cantorias, aquele silêncio "De Profundis", do Nosso Senhor morto. Mea Culpa, Mea culpa, Minha Máxima Culpa. Acompanhada de dona Ana, negra e “meio metida em política”, que tinha um único filho, Jamelão, que gostava de cantar e seria, anos mais tarde, compositor de sambas nas noites cariocas do Brasil, tornando-se muito popular e famoso.

Foram dois missionários evangélicos norte americanos que apareceram na cidade que tanto fizeram, tanto fizeram, leram tantos trechos intermináveis da Bíblia, comparando aqui e ali com o ferrenho catolicismo apostólico romano da mãe, que acabaram derrubando as muralhas de Jericó, convencendo dona Chiquinha a virar “irmã” daquele pequeno grupo de convertidos. Até nisso dona Ana seguiu os passos da amiga, fiel que era na amizade tornando-se também uma nova e fiel evangelizadora.
Dona Chiquinha continuava preocupada com o marido ferroviário que era amante do jogo e da farra com o mulherio. Uma vergonha! Por isso controlava a vida dos filhos tentando encobrir tudo. Hábito que já vinha lá das Minas Gerais. E que endureceu ainda mais porque as filhas já estavam ficando “mocinhas” e os filhos também. Tanto que os namoricos já começavam no portão, até o ríspido “já prá dentro” da mãe.
Ruth, que da antiga escola guardava boas lembranças, estava ansiosa em conhecer a nova. Instalada num sobrado antigo datado de l868, o Grupão. O uniforme não mudara, azul marinho. Bom para a mãe que estava economizando bastante para reformar um pouco a nova casa. Tempos difíceis de adaptação. O Mercado e as compras era o único passeio da mãe, depois da pequena Igreja Evangélica. Mas não faltava nada na mesa comprida onde todos ainda se reuniam para comer. Anos mais tarde dona Chiquinha virou Adventista, por obra de dona Aninha, tão severa quanto a mãe. Mas também muito educada e gentil com todos e, em especial, com as crianças.

Com o coração na boca seguiu para o seu primeiro dia de aula, calçando uma alpercatas bem simples. O cabelo, alourado, com duas tranças e uma fitinha azul acompanhando o uniforme. A mãe, cheia de conselhos e advertências, a levou até metade do caminho que Ruth já conhecera dias atrás. Juntou-se logo a um pequeno grupo de outros alunos, curiosos e animados. “Sou mineira, uai!” Cadernos embaixo do braço, na fila, a sineta blém, blém, blém impôs o silêncio.Cantaram o Hino Nacional Brasileiro, com toda pompa e circunstância cívica. A sua turma, da 4ª. Série primária, foi a primeira a entrar, subindo aquele escadão que rangia, até o primeiro andar. A sala de aula onde Ruth ficaria tinha quatro grandes janelas, de onde se podia avistar um rio muito bonito. Um pouco absorta, apesar do alarido dos colegas, ela olhou o céu tão azul daquela manhã. Celeste, sua amiga pelo resto da vida, sentava ao seu lado. Começava a se sentir mais segura.
Minutos depois entrou a temível professora dona Rosalphina. Ruth olhou a nova professora. Todos muito quietos. A chamada minuciosa de A a Z. “Ruth Ribeiro de Oliveira”. “Presente, professora”. Dona Rosalphina tirou os óculos e a encarou. “Ah! Então você é a nova aluna... que veio de Minas... Seja bem vinda, minha filha...” E sorriu para Ruth. Que retribuiu a cortesia. “Obrigado, professora”, respondeu. O gêlo fora quebrado. Na primeira redação, cujo tema foi “Saudade”, Ruth lavou sua pequena alma. A professora destacou a sensibilidade da nova aluna, lendo em voz alta para a classe toda. Ruth ficou meio encabulada.
Começava ali uma nova vida, uma nova história. O livro aberto de Ruth.
DONA TECLA, OS CORONÉIS E OS NAZISTAS

Nonagenária, mas ainda lúcida, Dona Anita contava esta história tirada do seu baú de recordações. Uma história que bem podia ser de Cordel.

Viúva há mais de trinta anos, vivia só, mantendo a pequena casa na mais perfeita ordem no Cassununga, bairro um pouco afastado, perto da curva da via férrea que cortava a cidade. Independente, agia ríspida e perdia a paciência, com que ainda ousasse querer fazer as coisas por ela. Na parede, é claro, velhos retratos da família, costume de longa data. Um deles, o seu próprio, no auge da beleza, “em Paris...”, ironizava quando lhe perguntavam demais. Era a sua ligação com o passado. Nunca fora rica, mas orgulhava-se de ter vivido bem a vida. Conheceu, sim, Buenos Aires, nos tempos de Gardel, levada por sua rica madrinha carioca. Era uma adolescente, ensaiou alguns passos de tango com Manuel, o coração desabrochando ainda. Foi só.

Pernambuco! Nunca esquecia a terra de seu marido, o grande amor de sua vida. Jovem ainda embarcara, sozinha, num navio do Loyde Brasileiro, no Rio de Janeiro. Militar, perdera contato com ele, logo depois de casada. Ele adoecera dos pulmões após ingerir água de uma cacimba perto da base aérea de Recife. O ano: l940. Na altura de Abrolhos o navio foi torpedeado por um submarino alemão (?). Apesar do desespero de todos, mesmo com o casco e as máquinas avariados, o navio conseguiu atracar em Ilhéus, na Bahia. Todos foram transferidos para outro barco. Desta vez, da Cia. Mala Real Inglesa e assim chegaram ao Recife sãos e salvos.

No porto ninguém da família do marido a esperava. Vendo o nervosismo daquela moça muito clara, com uma única mala na mão, aproximou-se uma mulher que se apresentou como Dona Tecla. “O que está se passando, minha filha.” perguntou. Anita, perdida, explicou que não conhecia a cidade e que a carta enviada comunicando a sua viagem talvez não tivesse chegado e que o marido estava internado no Hospital da Aeronáutica. “Eu te levo até lá, pode deixar, vem”, disse Dona Tecla. Depois de vê–lo, chorar muito, abraçada a ele e certificar-se de que já estava um pouco melhor, Anita mostrou o endereço e a mulher a levou até a casa, por coincidência, perto da sua, em Paulista (PE). Foi aí que ela conheceu a mãe, os irmãos, as irmãs e outros parentes do marido. Nasceu também ali uma nova amizade, a de Dona Tecla.
Terra de costumes estranhos, porém, foi se acostumando. Uma semana depois procurou D. Tecla numa casa próxima, de onde vinha um som muito alto de uma vitrola. E umas moças na janela. “Tão procurando pela senhora, dona Tecla!”, disse uma delas. E lá veio a mulher. “Não, Anita, aqui não, vamos até a pracinha que eu explico tudo.”. Sentaram num banco e foi uma longa história... “Não importo não Dona Tecla. Cada um tem a vida que tem...” De braço dado com ela, Anita, por fim, conheceu os mais belos lugares de Recife, Olinda, Boa Viagem... As irmãs do marido ficaram horrorizadas quando souberam. Até ameaçaram expulsá-la e contar tudo ao irmão doente no Hospital. Uma fofoca atrás da outra.

Na janela da casa da mãe do marido, Anita ficava, várias horas da noite, aquele calor insuportável, vendo a função da casa de Dona Tecla, recebendo os coronéis com toda amabilidade e esperteza do ramo. Uma fila de carros. Bordel e cassino ao mesmo tempo. Por dentro um luxo bem próximo da luxúria. Era respeitada por todos, apesar dos olhares de algumas mulheres na rua, vendo nela uma poderosa rival. Moderna, quando colocava seu tayer branco, o seu óculos escuros e um turbante à la Ingrid Bergmann, no filme Casablanca, arrebatava ainda mais os corações. Até dos jovens filhos daqueles usineiros riquíssimos. Mas bateu forte a sombrinha nas costas de um deles que queria saber quem era aquela novidade branca. “Ora, ponha-se no seu lugar, fedelho, esta aqui não é pro seu bico não, é casada e é minha melhor amiga, respeito, viu!”. E despachou o jovem, que saiu com o rabo entre as pernas. “Moleque, deixa estar que eu converso com o pai dele de noite”!
Romantismo no ar, viu Casablanca várias vezes com Anita no melhor cinema da capital, chorando muito com a história e a música. Amava de paixão Humpfrey Bogart, o galã do filme.

Devorava pipoca também. “Será que um dia ele vem ao Recife?”, sonhava. Foi tomando um refresco de graviola, numa tarde de sábado, que Tecla revelou a ela o seu segredo maior. “Sabe, Anita, não vou ficar muito tempo nesta vida não. O que ganhei dos coronéis já dá prá me manter e a educação da minha filha com um deles, aquele que eu mais amei e me amou, já está garantida.

Ela só não pode saber dessa minha vida! Está lá com as freiras carmelitas, em Igarassú (PE). A mocidade passa logo e esta guerra na Europa vai mudar tudo, você vai ver!”
Um dia, as duas estavam caminhando nas proximidades de Itamaracá, na praia. Tecla viu emergir um submarino. Deu até prá ver a suástica alemã. Ficou muito surpresa, mas disse rindo, às gargalhadas, “Não te falei, minha filha, daqui a pouco estarão todos lá no meu cabaré, enchendo a cara de cerveja e cantando, bêbados.” Dito e feito, sabe-se lá como, vários oficiais,de olhos azuis, na noite mais histórica da casa de D. Tecla, lamberam os beiços com as muquecas, os guisados e caldeiradas de carneiro, carne seca com farinha de mandioca, as tapiocas, sarapatéis, chambaril, mungunzá e outros pratos da culinária nordestina, regados com cachacinha de Garanhuns, com cajus doces, maracujás, umbus cajás, siriguelas e muitos doces jamais vistos por aqueles nórdicos e muitas cerveja é claro. Dançaram Jazz e frevo e dormiram “com as mais bonitas morenas”, de Pernambuco.

Para os coronéis foi um congraçamento. Dona Tecla até permitiu que a bandeira de Hitler ficasse pendurada até de madrugada na fachada.


Não gostou muito mas... estavam pagando muito bem pela noitada tropical .Um grande escândalo, um carnaval, uma farra quase orgia meio que abafado pelas autoridades. “Vistas grossas” foi dado ao ocorrido. “Ora! Uma vez na vida não faz mal!” Corria o ano de 1941. Um ditador estava no poder: Getúlio Vargas. Que, no ano seguinte, imaginem, declarou guerra “às potências do Eixo: Alemanha, Itália e Japão,”, em seu famoso discurso radiofônico.
Terminada a guerra, em 1945, Anita, com o marido curado voltou ao Rio. Nunca mais ouviu falar de dona Tecla. Mas sempre lembrou seu nome e sua amizade num dos momentos, ao mesmo tempo triste e feliz, de sua vida. Amizade sincera mesmo que à beira do enorme precipício da hipocrisia da época. Em 1946, um novo presidente, Eurico Gaspar Dutra, redemocratizou politicamente o Brasil, proibiu o jogo, fechou os Cassinos e muitos cabarés e cafetinas perderam sua tradicional clientela, na nova ordem moralizadora do país. Depois, Anita passou a viver o resto de sua vida naquela cidadezinha, onde educou os filhos, trabalhou como funcionária dos Correios e se tornou uma fervorosa evangélica.

sábado, 25 de setembro de 2010

ACHEI – A BUSCA – Que continua-
“Nem sempre se dá na dimensão da busca. Procurar transcende, às vezes, o próprio passo, ou se esconde num silencioso segundo de ausência. A queda, só é ela mesma, só pode ser real e total. Quando até o fundo vamos à procura do homem finito.Homem finito! É preciso alcançar a eternidade. Para se voltar aos próprios limites e conhecê-los! É preciso chorar de amor, um dia experimentar os beijos cálidos cheios de sol. Ou morrer ante as ondas do mar. A busca que se dá inversa no sentido do olho dentro do espelho.
No sentido da dor que há nos lábios que nos sorriem. No sentido de um longo e preguiçoso bocejo à margem da vida. No sentido das mãos abertas ou nos punhos que desafiadoramente lançamos ao universo. A procura é cumprida e revelada quando um mais um não fazem um. Mas fazem estradas que se dão a passos famintos de caminhar.”




Texto de Lizete Mercadante, de 9 de abril de 1969.
Peço licença a ela para publicar aqui. E dizer que ao longo destes 4l anos percorremos sim famintos, muito famintos em busca de estradas que nos levassem ao significado de todos nós e de todas as coisas deste mundo. Famintos e sedentos. Nunca saciados até hoje, embora completos. Buscamos conhecimentos, identidade, lugares, gentes, ternura desmedida, amor enfim...
Jovens percorremos ruas noturnas de nossa cidade e colhemos flores pelos canteiros da imensa solidão de todos nós. Sonhadores, vimos poesia em tudo e ouvimos músicas que nos alimentavam a alma.Ou agitavam nossos anseios.De Mozart aos Beatles, passando pelos rocks rurais.A Elis, sempre Elis. Chico Buarque...
Sintonizados. Filosofamos, crescemos. Escrevemos textos que foram ficando vigorosos, como a própria vida, com o passar dos tempos.A literatura. O nosso front de combate. E, creio, ficamos mais duros na queda. Verdadeiros, com muita emoção no ar. E lenha prá queimar neste fogaréu, quase fogo fátuo, da sensibilidade a toda prova.
Agora se fala em netspeak, conhecimentos e relacionamentos via Internet.Facebock. A realidade digital de uns tempos para cá. Estamos ficando, como dizia um dos nossos mais sensíveis poetas, “modernos”, cada vez mais irreconhecivelmente modernos.
A busca continua. Vamos nos adaptando como podemos. A missão ainda não foi totalmente cumprida. Quase. A procura vai se revelando cada vez mais e se ampliando na finitude de nós mesmos e no infinito, esse enorme mistério em nossas mentes. Água viva a nos queimar as vísceras e os neurônios.

REFLEXÃO
TENHA cuidado em não magoar ninguém com suas ações, nem com suas palavras. APRENDA a dizer NÃO de tal forma, que não melindre. Não seja ríspido nem demonstre intolerância. COMPREENDA o ponto de vista dos outros, que tem tanto direito quanto você, de ter sua opinião própria. USE, em todos os seus atos e palavras, de benevolência e GENTILEZA. Domine sua irritabilidade!
RELAXE IMAGINANDO
“Da mesma forma que você cria um desgaste enorme com suas fantasias ansiosas sobre seus problemas, você pode criar um estado de equilíbrio ao imaginar situações de harmonia e bem estar. Imaginar é oferecer à mente uma outra realidade, que ela aceita como verdadeira e reage.” Dance e se solte como foi mostrado no programa da Ana Maria Braga. Também é muito bom.




CUIDADO COM SEU VOTO, ELEITOR.
Os políticos que ganharem nestas eleições para presidente, governadores, deputados e senadores vão ter mesmo muito trabalho pela frente. A par da nossa continentalidade e diversidade sócio econômica e cultural há enormes problemas de infraestrutura de saneamento básico, saúde e educação, habitação, transporte e energia para resolver, com muita URGÊNCIA. É o que está mostrando a série JN NO AR. Iniciativa mais do que louvável. Uma aula aberta de Brasil, alegrias e problemas de um grande povo.





Sei que é difícil colocar a casa em ordem em quatro anos. Mas tentem, sejam honestos, com ficha limpa de fato. Arregacem as mangas, por, favor. Sejam merecedores de nossa confiança! Sou otimista sim, pois como se diz “Brasileiro, Profissão Esperança”. Agindo, com rigorosa seriedade, quem chegar ao Poder não é prá brincar, seja lá de qual Partido for. Que respeitem o nosso voto nas urnas. Em nome da Ordem e do Progresso. Precisamos sim, sermos um país democrático e civilizado. Verdadeiramente.







MORANGOS SILVESTRES


Durante um bom tempo plantei morangos num pequeno canteiro junto ao muro da minha casa. Sem muitos conhecimentos, pois se trata de uma cultura delicada. Mas fiz o que pude. A produção própria era pequena, mas me encantava. Com que prazer eu via as flores branquinhas se abrindo diariamente em razoáveis e doces morangos vermelhos. Sem nenhum tipo de agrotóxico, apenas adubo orgânico.
Resgate da memória: me transportava sempre para minha infância e pré-adolescência quando,com rigorosa disciplina, as professoras levavam os alunos para visitar a Escola Agrícola. Víamos de tudo um pouco da vida rural. Era uma alegria geral. Prá segurar nossa impetuosidade, as professoras batalhavam. Agíamos como desbravadores de um mundo novo, na nossa então pequena cidade.
Mas para mim eram aqueles compridos canteiros de morangos ladeados por córregos planejados que me atraíam mais. Eram intocáveis também. Não podíamos colher nenhum. Imagine comê-los! Um sacrilégio! Aquela terra preta, úmida e os pés de morangos ao longo deles me fascinavam.Talvez por serem a própria representação de um mundo puro ainda em estado de graça. Tanto quanto aquela “catedral” verde amarela de bambus rei onde comíamos nossos lanches de pão com queijo e goiabada ou mortadela com manteiga.
Uma sombra refrescante, veneranda, inesquecível. Devem estar lá até hoje se sobreviveram aos anos e tantas Fapijas, não sei!? Talvez volte a plantar morangos. Quem sabe! Como exercício de sobrevivência... Afinal não há mistérios... Hoje podemos comprar morangos de Atibaia a R$1,50 a caixinha em vários pontos da cidade.
Não é a mesma coisa, mas compensa também. Afinal o sabor de um morango com açúcar é inigualável. Por isso, todos nós, com certeza, temos gana de pegar um bem lavadinho e vermelhinho, enfiar num açucareiro mais próximo e metê-lo na boca, saboreando aquele prazer que quase leva a gente ao êxtase. É ou não é!?


sábado, 18 de setembro de 2010

Reflexão

DEUS está em toda a parte ao mesmo tempo, em redor de você, dentro de você!
Jamais você está desamparado.
Nunca está só.
Não permita que a mágoa o pertube: procure manter-se calmo, para ouvir a voz silenciosa de Deus dentro de você.
Assim, poderá superar todas as dificuldades que aparecem em seu caminho, e há de descobrir a Verdade que existe em todas as coisas e pessoas.

Desmistificando a velhice

Envelhecer pode não significar um lento declínio. Assim como nos EUA e em vários outros países desenvolvidos, também no Brasil, apesar dos nossos problemas, a chamada terceira idade esta tendo, ao que parece, mais tempo e saúde para realizar seus projetos de vida e sonhos. A longevidade, em seus aspectos explicados pela genética, esta tendo garantia maior também pelo respeito dado pela saúde dos idosos e graças aos novos medicamentos e melhoria no atendimento da rede pública.
É claro que posso estar sendo otimista demasiado, mas de acordo com pesquisas divulgadas no Jornal da Globo de ontem (17/09/2010) a esperança de vida dos brasileiros em vários pontos do país vem aumentando entre homens e mulheres.
A perda de memória, a mortalidade, o inevitável podem não ser mais um fantasma na vida dos idosos. Envelhecer pode significar “estar no auge e ainda com muita vida pós aposentadoria e sabedoria a ser conquistada”, de acordo com matéria publicada no New York Times (edição brasileira de 15/03/2010), assinada por Kathlin Hotynski. Ela cita vários exemplos de varias pessoas em plena atividade alem dos 60, 70, 80 e 90 anos participando de projetos de interesse pessoal ou comunitário.
A geração “baby boomers” (americanos nascidos no pós-guerra em 1945 e hoje na faixa etária de 55 a 65 anos) esta tendo muita motivação para encarar o chamado “futuro” ”trabalhar é o que me mantém ativo e vivo”, revelou o barbeiro Anthoni Mancinelli, de 98 anos. Um dos benefícios da idade avançada é “ter tempo para viajar, ficar mais aventureiro e arriscar”, afirma uma senhora de 78 anos.

Se o cérebro for mantido em boa forma, pode continuar a construir caminhos que ajudem seu dono a reconhecer padrões e, conseqüentemente, os significados e até soluções muito mais rapidamente do que um jovem consegue revela a pesquisa afirmando que “o cérebro ao atravessar a meia-idade melhora no reconhecimento da idéia central, se desenvolvendo até o final da vida adulta”.
Por isso, existem dezenas de milhões de homens e mulheres com vida mais longa e mais vitalidade juvenil do que jamais se imaginou, diz Ken Dychwald, psicólogo e autor de várias obras sobre envelhecimento. Assim, sentir pena de um idoso mesmo num asilo pode ser um equívoco. “Eu esqueci que era tão velha” disse uma paciente quase centenária realizando um trabalho voluntário na comunidade, lendo, vendo TV e navegando na Internet.
Resumindo: os conceitos negativos sobre idade avançada podem e devem estar mudando. Os mais jovens deve aprender muito ainda com os da chamada terceira idade, ou melhor idade, aqui no caso. Idosos em plena atividade “é até mesmo um fenômeno de mercado emergente” friza outro médico.
Então! Que tal abrir a mente para todos os novos conhecimentos, cuidar mais da saúde e escalar o Everest...em todos os sentidos. Vamos também conquistar uma qualidade de vida melhor para o planeta, colaborando contra o desmatamento, o aquecimento global que interfere no clima e no relacionamento cordial entre as pessoas.
Exemplos de longevidade com saúde e boa memória posso citar na minha própria família: Tia Ruth que faleceu recentemente aos 90 anos, Tia Neném faleceu no ano passado aos 96 anos, Tia Mariquinha ainda viva aos 92 anos, que adora conversar sobre tudo, e Tia Dodoca, em Juiz de Fora vivíssima aos 91 anos. Outro exemplo eloqüente: na novela “Passione” na Rede Globo, vejam o talento de veteranas atrizes como Fernanda Montenegro, Cleide Yáconis, Aracy Barabanian e de atores como Elias Gleyser e Leonardo Vilar.

Bronze



Passados muitos anos, Júlia olhava os píncaros nevados dos Andes, sentada na varanda de seu pequeno chalé em Viña Del Mar,no Chile. Refletia e, espiritualista confessa, pedia a Deus que mantivesse nela pelo menos a sensibilidade de conservar em seu coração e em sua memória lembranças de uma vida dedicada à família, às palavras, às sensações. Pensava num mundo senão perfeito, quase. Com pessoas boas, dedicadas a ajudar umas às outras. Uma fraternidade mundial. Por isso se inspirava naquelas alturas divinas.
Viúva agora, os filhos estavam todos encaminhados morando em várias partes do mundo, profissionalmente realizados. O bom para Júlia, agora aos 70 anos é que eles a deixavam em paz. Quizessem se comunicar estavam ali o celular, a Internet. O carinho, o amor maternal e filial entre eles estavam intatos. Assim como os dias, cada um vivia seu destino cotidiano. Seja em Santiago, em Lisboa, Nova Iorque, na Bahia ou até em Xangai.
A primeira vez que transpôs aquelas alturas foi quase aos 20 anos. Decidiu estudar Sociologia na USP, em São Paulo. A capital paulista fervilhava. Muita gente queria viver aqui ou no Rio, onde a efervescência política e cultural acontecia, transformando corações e mentes. Mas, sabe –se lá por que razão ou motivo acabou indo morar na Bahia, em Salvador, no bairro do Rio Vermelho, bem próximo da casa do escritor Jorge Amado, famoso por seus romances e pela fama de receber intelectuais do mundo todo.
Conheceu, entre outros, Pierre Verger,o francês, assim, assim, de passar, passando pelo Terreiro de Jesus a caminho do Pelourinho, com vários livros de sociologia debaixo do braço e na sacola hippie colorida que tinha ganho do artista plástico Carybé, argentino-baiano. Nem é preciso dizer que Júlia fotografou com ele vários locais na Bahia de Todos os Santos. Sentia-se uma baiana verdadeiramente. Uma guardou com muito carinho: com a mãe Menininha de Gantois, que já morreu faz tempo. Ganhou fama de boa fotógrafa com ele. Em vários livros de Sociologia e Antropologia que escreveu, aparecem ele, mãe Menininha e vários músicos conhecidos até hoje: Gal, Caetano, Gil...

Júlia caiu de amores pela Bahia, viajou muito pelo nordeste, litoral e interior. E foi construindo sua identidade planetária. Como estudava muito, até os 30 anos não se fixou em ninguém em especial. Namoricos sem grandes consequências. Amava Sociologia e Antropologia. Foi uma vida de estudos, mestrado e doutorado. Até altas horas lia, pesquisava, trancada no seu quarto, no alto de um casarão antigo. Muitas vezes via o sol nascer no Recôncavo, com os saveiros indo e vindo dos Engenhos. Mesmo em suas viagens pelos EUA, Europa e Oriente, nunca tinha encontrado ninguém muito especial. Foi só por pouco tempo que ficou com Mateus,num quibutz, em Israel, encantada mais pela sua lucidez política e inteligência.
Foi comendo um apimentado acarajé no Mercado Modelo que Júlia esbarrou em Josué, estudante do último ano de Direito, cuja família morava no Vale do Paraíba, em São Paulo. Além dos estudos, ele estava pesquisando suas raízes familiares. Judeus novos expulsos de Portugal na época da colônia. Depois de algum tempo passaram a se encontrar e ficaram cada vez mais atraídos um pelo outro. Assunto não faltava, é claro. Mas foi durante uma visita ao Terreiro de Mamãe Menininha que eles ficaram sabendo que foram feitos mesmo um para o outro. “Num tem engano não, fia e fio, está tudo aqui nos búzios. Sunsês são dois protegidos de Oxum e Ogum, água doce e mata, vão ficá junto prá sempre...”

Naquela noite quente de verão os atabaques soaram fortes, sem parar, por toda Salvador. Pareciam homenagear o amor de Júlia e Josué, que embriagados, despojados ,enlaçados, corpos e corações, fizeram amor pela primeira vez,como dois adolescentes, numa entrega vibrante,com total carinho e tesão. Ao amanhecer caíram no mar e nadaram sobre a proteção de Iemanjá. Estavam nus, saciados, bronzeados, limpos,amando e amados por todos os deuses. No sol, no sal, na areia, na beira daquele imenso mar da Bahia.
Casaram-se dois anos depois na Igreja de Nossa Senhora Conceição da Praia. Tiveram seis filhos: três meninos e três meninas: Jorge, Gabriel e Lucas; Flor, Maria Gabriela e Soledad.
Foram muitas as idas e vindas entre Salvador ,o Vale do Paraíba e Viña Del Mar, durante quase 50 anos. Estava no Brasil quando começou a ditadura Pinochet. Ficou vários anos sem rever seus pais no Chile. Ficou com o coração partido de saudades. Josué deu toda força possível, sempre ao seu lado naqueles terríveis momentos da história do país. O Brasil também passava por transformações e logo veio a redemocratização política.
Agora com a calma que os anos trazem, Júlia estava ali relembrando. E transpondo mais uma vez aquela Cordilheira com a alma, com suas memórias, pensava em tudo o que fora a sua vida e num novo livro, quem sabe...

Vejam ou revejam Sônia Braga e José Wilker na cena inicial do filme “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de Bruno Barreto. É considerado um dos maiores sucessos do cinema brasileiro até hoje. É de uma beleza inesquecível. Prá depois ver Paulo José e Mariana Ximenes, no recente “A Morte e a Morte de Quincas Berro D`água”, também da obra de Jorge Amado. Excelente.

Amoras...Amores

Um único pé de amora rendeu cinco potes de geléia... Com açúcar mascavo e um pouco de cravos. Sem conservantes. Ficou uma delícia. Vou conservar na geladeira para ir saboreando aos poucos. Com cream craker ou torradas. Tive ajuda da professora de Ciências e Matemática, Cristina, no domingo, após o almoço. Colocamos um grande plástico branco no chão e sacudimos os galhos. As amoras se esborrachavam manchando com sua cor característica o plástico e os nossos dedos durante a coleta. Doces amoras. Foram momentos de puro deleite. Voltamos à infância.
Na panela, quando mexíamos, com uma colher de pau, o cheiro doce das amoras foi se espalhando pela cozinha.Não havia como não fazer uma relação com aquelas cozinhas antigas das casas grandes ou fazendas, quando as mucamas faziam doces de tudo quanto é fruta para agradar a sinhá, o sinhô e seus convidados. Dois amigos que estavam tirando um cochilo, acordaram para ver o que estava acontecendo na cozinha. Uma farra. A farra das amoras.
Logo em seguida, o Rogério, também professor, inventou de fazer um bolo cremoso de fubá e farinha de trigo. Ficou enorme na pequena forma redonda. O que se seguiu foi um dos mais deliciosos café com leite da tarde, com todo mundo tagarelando e rindo. Outra professora, a Vera, chegou com pão quentinho. E como a geléia de amoras já estava pronta, mesmo um pouco quente , todos provaram um pouco. Hum! Que delícia!



No cair da tarde ficou difícil não recordar amores vividos. Cada um quieto no seu canto. O que estava acontecendo na TV ninguém parecia estar dando muita bola. Cristina, exilada de Minas, longe de casa, por força da profissão, pensativa, sentia saudades da mãe e dos irmãos. E Vera decidiu falar no celular com seu ex- namorado. Disse que ia levar um potinho de geléia de amoras para ele e a mãe. E o domingo foi chegando ao fim...em paz.

sábado, 11 de setembro de 2010

Coleção de DVD's resgata o passado de 26 bairros da capital paulista, contado pelos seus moradores.

A iniciativa da Secretaria de Educação e Cultura de São Paulo com objetivo de distribuí-los às 3800 escolas municipais. Bairros como Barra Funda, Bom Retiro, Bexiga, Campos Elíseos, Liberdade, Mooca, Luz, Pacaembu e outros constam da coleção. Aplausos, a memória histórica agradece.

Assistam o DVD "As Pontes de Madison", direção de Clint Eastwood com atuação dele e da extraordinária atriz Meryl Streep. O eterno romantismo agradece.