quinta-feira, 31 de março de 2011

Frases: Jessé Souza



A solidão que afaga minha Alma, reflete o que sinto!


Reflexão
Procure descobrir o seu caminho na Vida.
Ninguém é responsável pelo nosso destino, a não ser nós mesmos.
Nós é que temos que descobrir a Estrada, e segui-la com nossos próprios pés.
Desperte para Vida, para a verdadeira vida.
E, se deseja a felicidade, lembre-se:você é o único responsavél pelo seu destino.
Supere as dificuldades, vença os obstáculos e contrua sua vida.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O DRAMA DO PROFESSOR “CLARO QUE...” (Baseado em fatos reais)

O professor Rodolfo chegou por aqui em l961. Assumiu as aulas de História no único grande colégio estadual do município pois era efetivo na matéria. Queria reiniciar vida nova e esquecer dramas vividos no passado. Na faixa dos 30 anos logo conquistou a simpatia dos novos colegas e alunos que passaram a admirar seu talento revelado na forma descontraída de dar aulas. Já no primeiro dia letivo conquistou a admiração das classes, principalmente das normalistas e nos cursos clássico e científico. Todos ficaram conhecendo a sua cultura e educação no trato com as pessoas na cidade.
Pelo seu hábito de frisar os assuntos com a expressão “...claro que...” acentuando determinadas alternativas em suas explicações, denotando profundo conhecimento histórico, arrancava gargalhadas nas classes, acentuando as manias de muitos personagens históricos que eram desconhecidos dos alunos. Demolia, muitas vezes, verdades consagradas na história. Quem era na verdade Cleópatra, Napoleão, D. Pedro I, a rainha Vitória, etc. fosse quem fosse? Recheava suas aulas com fatos hilários, tornando atraentes os conteúdos previstos no programa. Não havia quem não elogiasse suas aulas inesquecíveis. “Lá vem o professor ‘Claro Que!’ ”, diziam. E os alunos o recebiam com muitos aplausos.

Como era casado e tinha um casal de filhos pequenos, veio na frente, morou alguns dias numa pensão e depois trouxe a família que tinha ficado em São José, do Rio Preto, sua terra natal. Alugou uma pequena casa e foi se estabelecendo aos poucos, fazendo novas amizades e,comprando,habitualmente, nos fins de semana, exemplar do jornal O Estado de São Paulo, que lia na varanda da casa ouvindo MPB e música clássica. Muitas vezes varava as madrugadas corrigindo provas e trabalhos de pesquisa ouvindo sempre o disco: “Pérolas no Veludo”, para acalmar o espírito. Era rigoroso e exigente na cobrança das provas, redações e pesquisas. É claro que isso revertia apenas para benefício dos próprios alunos.
Alguns professores sabiam do drama vivido pelo professor Rodolfo. Afinal, o acidente foi noticiado nos jornais, revistas, rádios e TVs do país. A comoção tomou conta de todos, na época, 1959. Não era segredo, portanto. Só não se falava muito no assunto. Mas, algumas vezes, todos podiam vê-lo, muito cabisbaixo, triste mesmo, num canto da sala dos professores, no recreio dos alunos, na biblioteca,nos corredores, remoendo lembranças que ele carregou para sempre em sua mente e em seu grande coração.
Voltando de uma excursão a Santos e a São Paulo, onde os alunos ficaram hospedados num fim de semana prolongado, conhecendo a Via Anchieta, o porto, as praias,o Museu do Ipiranga,o Instituto Butantã, o Ibirapuera, o centro financeiro da capital e outros locais, por uma falha técnica um dos dois ônibus onde viajavam 40 alunos bateu na cabeceira da ponte e mergulhou nas águas do Rio Preto, quase chegando na cidade, naquele entardecer de abril. Todos estavam alegres e com muitas novidades para contar. Momento inesquecível na vida daquelas crianças e adolescentes interioranos.

O professor Rodolfo e outros colegas estavam no primeiro ônibus. Pararam logo após ao perceberem o grave acidente. Todos saíram desesperados e gritando. Entretanto nada puderam fazer. Todos morreram afogados nas águas do rio Preto. Naquela época equipes de socorro e resgate eram praticamente inexistentes. Tudo foi feito com muita dificuldade. A cidade cobriu – se de luto e parou para assistir ao enterro coletivo daqueles alunos. Pais e mães ficaram inconsoláveis. Uma tragédia que abalou a todos. Os professores se revezavam para consolar as famílias enlutadas. O professor Rodolfo foi incansável na solidariedade a todos. Não sabia de onde tirar tanta força, chorando copiosamente, junto com os outros. Na quadra do clube estavam, inertes, em seus caixões, colhidos pelos braços implacáveis e inesperados da morte, os seus muito queridos 40 alunos. Só o tempo, correndo célere, pode aos poucos, fazer tudo voltar ao cotidiano normal. Porém, esquecer a tragédia, nunca. Devastou a todos pela sua enorme e implacável fatalidade.
Depois de uma semana, numa segunda – feira, de manhã, as aulas deveriam voltar ao seu ritmo habitual. Às sete horas, tocou-se a sineta e os alunos foram entrando, silenciosamente, pelos corredores da escola de dois andares. Tomando acento nas carteiras de suas classes. Entretanto, o professor Rodolfo, sem ter notado, dirigiu-se justamente à classe do 1º. Científico.
A Classe estava praticamente vazia. E em cada carteira, os alunos restantes, tinham colocado uma rosa vermelha em homenagem aos colegas que morreram. Foi grande o desespero do professor Rodolfo, chorando inconsolável, abraçado pelos colegas e alguns alunos, as cadernetas espalhadas, perdido,no meio da classe,sem chão, sem ar,sem nada, com o coração apertado de tanta tristeza, na primeira grande dor de sua vida. Anos mais tarde, refletiria, que tinha morrido também um pouco dele com aqueles alunos. Uma perda que ficou inesquecível em sua memória, mesmo que tocando a vida pra frente, prá frente. Sempre.

quarta-feira, 23 de março de 2011

COMEÇA O OUTONO – VAMOS VIVER COM SAÚDE E PAZ, SEMPRE AGRADECENDO A DEUS TODAS AS BENÇÃOS RECEBIDAS.

NINGUÉM NASCE FEITO. É EXPERIMENTANDO-NOS NO MUNDO QUE NÓS NOS FAZEMOS – Paulo Freire
FELIZ DE QUEM ENTENDE QUE É PRECISO MUDAR MUITO PARA SER SEMPRE O MESMO – Mário Quintana


NÃO FIQUE REMOENDO AS COISAS DO PASSADO.

FICAR PRESO AO PASSADO NÃO DÁ FUTURO

NÃO SE DEIXE PRENDER POR MÁGOAS E RESSENTIMENTOS

NÃO SE ATORMENTE COM O QUE PASSOU, MESMO QUE RECONHEÇA SEU ERRO

LEVANTE – SE E SIGA EM FRENTE O MAIS RAPIDAMENTE QUE PUDER


FAÇA AS PAZES COM SEUS ADVERSÁRIOS,ENVIE PENSAMENTOS DE SIMPATIA E AMOR.



E TODAS AS MÁGOAS E RESSENTIMENTOS SE AFASTARÃO DE VOCÊ PASSANDO A VIVER FELIZ, RISONHO E SAUDÁVEL

segunda-feira, 14 de março de 2011

Parabéns Pacheco, pelos seus 100 anos de Vida!

DANILO E GISELE CONVIDAM PARA O SEU ENLACE MATRIMONIAL

O único trunfo que Verônica tinha, a sua derradeira carta no jogo sujo da vida, era aquele filho lindo de morrer. Sensível, inteligente e simpático, Danilo era, entretanto, fruto de um amor proibido em sua juventude. Cobiçado pelas jovens solteiras da cidade, levava uma vida discreta, quase terminando o curso de Medicina, bancado a muito custo por sua mãe. Verônica tinha feito todos os sacrifícios para criar o filho sozinha, tendo apenas a ajuda de algumas amigas, já que os parentes queriam vê-la sempre à distância. Recebiam Danilo em suas casas, por alguma consideração. Cresceu sem saber quem era o pai. Mas nunca perguntou nada. Mágoas passavam longe dele. E assim foi crescendo.
Verônica foi expulsa de casa pelo pai quando soube do “mal passo” da filha. Não teve outro jeito. Na zona de meretrício do Buiê-ê, também conhecida como “Buraco da Onça”, numa cidadezinha do Sul de Minas, Verônica teve e criou o filho até quando pode. A parteira já tinha achado lindo demais aquele bebê. As meninas do bordel então, noooosssaaa! Queriam ficar com ele no colo o tempo todo, como se o filho de Verônica fosse delas. Depois, um grupo de freiras caridosas cuidou da educação do menino, guardando o segredo para todo o sempre, sem que ele fosse deixado na roda dos enjeitados. Para sobreviver a mãe ficou bastante conhecida como intérprete de músicas românticas que falavam da solidão do amor não retribuído. Era a favorita do cabaré onde se apresentava e tirava o seu ganha pão. Até que um rico empresário, apaixonado pelos seus cabelos ruivos e olhar castanho profundo e misterioso decidiu montar uma casa só para ela. Viveu, por vários anos em Santos. A casa era um palacete que o empresário recebeu como parte da herança de sua família. Pode, desta forma, viver discretamente e tirar o filho do Colégio de freiras para morar com ela colocando uma enorme pedra sobre o seu passado.
Danilo já tinha uns 12 anos. Algum tempo depois, com o falecimento do rico empresário, que sempre preferiu ficar incógnito, Verônica foi surpreendida com uma pequena fortuna deixada num banco . Nada mais foi questionado.



Quase terminando o curso de Medicina Danilo foi fazer residência na Santa Casa de Misericórdia da cidade de Cunha onde sua mãe tinha nascido, no Vale do Paraíba. Foi aí que começou o Deus nos acuda! Danilo, do alto de seus 27 anos passou a ser quase venerado como um Deus pelas mulheres casadoiras da cidade. Todo dia era uma verdadeira romaria de jovens solteiras na Santa Casa só para vê-lo. Algumas mantinham a calma, a discrição, outras não. As mais nervosas acabavam dizendo nas consultas, descaradamente, “ sabe doutor, o senhor é tão lindo, que já me esqueci o que tinha!” Danilo acabava rindo, mas tratava todas com muito carinho.
Ficou famoso na cidade pela gentileza com que tratava as pessoas. Vivia agora, com a mãe, num pequeno, mas confortável sobrado. Contava para sua mãe todas as proezas de suas pacientes ou nem tanto. Todas carentes de amor. Mas a mãe, sorrindo e tomando um bom vinho do Porto, argumentava se já não estava na hora de casar. Aí ele pegava a mãe no colo e carinhosamente dizia “Dona Verônica tá na hora de dormir, vai”, desconversando.
Já andavam dizendo na cidade que Danilo era um anjo viril caído do céu por acaso. Um milagre! diziam algumas beatas. As moças suspiravam quando ele entrava na Padaria Paris, no centro de Cunha onde todos se reuniam numa espécie de “Happy Hour”. Tomava um cafezinho com os amigos e comprava pães. A “turca” Zobaida, dona de um armarinho na rua do Mercado, comentava, “vai ser lindo assim lá em casa!”, devorando um enorme Beirute. A espanhola Sarita ao vê –lo viajava de volta para Sevilha, tocando castanholas e dançando flamengo. “Muy Guapo”. Já a meio caipira, mas louca de esperta, Sibil (Sibir para os íntimos), rezava “Mas que pedaço de mal caminho , crendos padres!” As adolescentes então! Sonhavam, com Clark Gable, como a Judy Garland. Danilo sorria, sempre.
Se destacava dos outros jovens pela sua vasta cultura. Antes dos 20 anos, sonhando em ser escritor já tinha lido um pouco de tudo. De Machado de Assis a Thomas Mann. Gostava dos filósofos gregos. Meditava em seu quarto, em cuja sacada lateral podia ver a Rua do Mercado e, nas noites quentes, ficava ouvindo a soprano lírico Alva cantando acompanhada ao piano por seu sobrinho, o tenor Fabiano. E sonhava mais ainda. Nessas horas mortas a rua do Mercado virava, em sua imaginação, em ruas de Nova Iorque, Paris, Roma, Londres, na Ópera de Paris, no La Scala , de Milão, onde fosse neste mundão de Deus. Lima Barreto, Aluísio Azevedo, Fernando Sabino, Cecília Meirelles, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa,Raquel de Queiróz, João Cabral de Melo Neto entre os brasileiros e Fernando Pessoa, Eça de Queirós,Sartre,Borges, entre antigos e recentes, Danilo se mantinha em dia, atualizado com todos. Adorava Filmes, os bons filmes. Música, era eclético. Chico Buarque, Cartola, Noel Rosa, pops, como os Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, o bolero de Ravel e por aí a fora.

Uma vez, provando o seu grande caráter e compaixão pelo próximo, defendeu abertamente, um colega gay na Faculdade que estava sendo humilhado pelos outros. “Nada a ver, meus amigos, cada um é o que é, não vou deixar de ser colega dele só, por isso!” E abraçou Dedé, também conhecido por “Oscar Wilde”, nas rodas universitárias, por sua preferência pelo escritor inglês na época da rainha Vitória. Em Cunha, pegava sua valise de médico jovem e, de jipe ia atender a população rural sem recursos.Voltava cansado, mas realizado e, não fora poucas as vezes, que caía em prantos nos braços da mãe. “É muita pobreza, mãe, parece que Deus esqueceu dessa gente, nunca vou me conformar!”
Discreto como era, ninguém poderia imaginar que Danilo já tinha feito a sua escolha, aquela que iria conviver para sempre ao seu lado, como dona de seu coração. Era Gisele, de São José dos Campos, formada em clínica geral, como ele. Quando a trouxe para Cunha, as moças quase entraram em pânico. “Vai se casar!”, Ai, eu me mato, ai, entro prum convento! Casamento marcado na Igreja do Carmo, que ficou lotada, muitas mulheres chorando. As que se achavam preteridas fizeram o maior escândalo na porta igreja.


Passaram mal. Se escabelaram, mas não teve jeito. Quase foi preciso chamar uma ambulância, pois fingimento não era!


Por precaução e para ter total certeza do passo que ia dar, Gisele recorreu, meses antes do casamento,à vidente Jupira Bola de Cristal, famosa na rua Salvador Preto, num bairro de Jacareí e bem relacionada na sociedade local e na região, pelos seus acertos em vários casos pessoais envolvendo dinheiro, traição, amor e paixão. A vidente viu tudo dentro da bola de cristal e dentro de uma bacia com água numa dessas noites em que as estrelas parecem estar bem próximas da Terra e refletidas na bacia de Jupira. Lá estava o rosto de Danilo cercado de estrelas de todas as possíveis galáxias do universo. É ele mesmo, minha filha, pode ir em frente e seja feliz, muito feliz, imensamente feliz.
E a felicidade era geral mesmo durante a cerimônia religiosa do casamento de Danilo e Gisele, como no final feliz daqueles filmes antigos de Frank Capra, considerado o mais otimista dos diretores de cinema de uma Hollywood que não existe mais, Filmes como “ A Felicidade Não se Compra” ou no “Os Melhores Anos de Nossas Vidas”, de um diretor iniciante Billy Wilder.


E dentro da igreja, discretamente saboreando seu grande triunfo,depois de tantas injustiças e sacrifícios, lá estava, prá lá de chic, Verônica, a mãe do mais belo,másculo, bom e gentil noivo que já apareceu por aqui. E uma súbita, doce e escancarada alegria invadiu o seu coração de mãe.


E pensou, limpando as lágrimas de emoção nos olhos, “meu filho querido, você é o grande amor da minha vida”.
Danilo e Gisele moram há dez anos no bairro de Williansburg,atualmente o mais badalado reduto boêmio de músicos, intelectuais e artistas de cinema e TV de várias nacionalidades, em Nova Iorque, onde abriram uma bem sucedida clínica médica para atender brasileiros,latinos e estrangeiros de várias partes do mundo, tentando um lugar ao sol na “Big Apple”. De vez em quando a “vó” Verônica viaja prá lá para ver o casal de netos, Adriano e Mariana. Danilo e Gisele até querem voltar para o Brasil, mas está cada vez mais difícil pois trabalham muito, cada vez mais. Todos formam, enfim, uma família feliz.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Memórias de Carnaval



Sugiro este site para esse tema, as melhores marchinhas de Carnaval dos anos 50 em diante:

http://www.anosdourados.net.br/carnaval50midi/carnaval50.htm



CARNAVAL 2011, SAMBA ENREDO DAS ESCOLAS DO RIO DE JANEIRO:
Grupos Especiais

Unidos da Tijuca - "Esta Noite Levarei Sua Alma"
Acadêmicos do Grande Rio - "Y-Jurerê Mirim - A Encantadora Ilha das Bruxas (Um Conto de Cascaes)"
Beija-Flor de Nilópolis - "A Simplicidade de um Rei"
Unidos de Vila Isabel - "Mitos e Histórias Entrelaçadas Pelos Fios de Cabelo"
Acadêmicos do Salgueiro - "Salgueiro Apresenta: o Rio no Cinema"
Estação Primeira de Mangueira - "O Filho Fiel, Sempre Mangueira"
Mocidade Independente de Padre Miguel - "Parábola dos Divinos Semeadores"
Imperatriz Leopoldinense - "A Imperatriz Adverte: Sambar Faz Bem à Saúde"
Portela - "Rio, Azul da Cor do Mar"
Unidos do Porto da Pedra - "O Sonho Sempre Vem pra Quem Sonhar..."
União da Ilha do Governador - "O Mistério da Vida"
São Clemente - "O Seu, o Meu, o Nosso Rio, Abençoado por Deus e Bonito por Natureza"

SAMBA ENREDO DAS ESCOLAS DE SÃO PAULO:
Grupos Especiais

Unidos do Peruche - “Abram-se as cortinas! O espetáculo vai começar. 100 anos do Theatro Municipal de São Paulo a Peruche vai apresentar. Bravo, bravíssimo!”
UNIDOS DE VILA MARIA - "Teatro Amazonas – Manaus em Cena”
MANCHA VERDE - “Uma idéia de gênio”.

GAVIÕES DA FIEL “Do mar das pérolas e das areias do deserto à cidade do futuro – Dubai, o sonho do Rei Maktoum”.
ROSAS DE OURO Abre-te Sésamo, a Senha da Sorte”
IMPÉRIO DA CASA VERDE “Samba, Sabor, Cerveja. Admirada há Milênios, a Mais Nova Sensação Nacional”
X-9 PAULISTANA Nas asas de um sonho de uma criança, Renato Aragão, o embaixador da esperança”.
VAI VAI- "A Música Venceu”
PÉROLA NEGRA -“Abraão, o Patriarca da Fé
NENÊ DE VILA MATILDE- Salis Sapientiae – uma história do mundo”.
TOM MAIOR- “Salve Salve São Bernardo, Pedaço do meu Brasil -- Terra Mãe dos Paulistas”
MOCIDADE ALEGRE -"Carrossel das Ilusões”.
ÁGUIA DE OURO -“Com todo gás a Águia de Ouro é fogo”.
ACADÊMICOS DO TUCURUVI-"Oxente, o que seria da gente sem essa gente. São Paulo, capital do meu nordeste!”.




E NÃO SE ESQUEÇAM:

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

All about Eve - Trailer [1950] [23rd Oscar Best Picture]

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood foi criada no dia 11 de janeiro de 1927. A idéia foi do presidente da Metro-Goldwin Mayer, Louis B. Mayer que uniu-se a um grupo de 36 diretores e atores para criar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Na época, os dirigentes dos grandes estúdios de cinema já vinham pensando em uma forma de incentivar a produção de obras de qualidade técnica e artística e a sugestão de Louis B. Mayer, foi acolhida com entusiasmo por todos.

A primeira entrega de prêmios foi realizada em maio de 1929, no Hotel Roosevelt de Los Angeles, sob a presidência do astro Douglas Fairbanks. Inicialmente, as cerimônias eram realizadas com almoços ou jantares em hotéis ou grandes restaurantes, com os resultados previamente conhecidos, já que a decisão sobre os ganhadores era tomada de comum acordo pelos chefões dos estúdios. Até 1940 os jornais recebiam a lista de premiados antecipadamente e assumiam o compromisso de só divulgá-la no final da noite. Um ano amtes o Los Angeles Times quebrou o acordo. Desde então, a Academia decidiu manter segredo até a abertura dos envelopes lacrados.

O critério de seleção é demorado e envolve cerca de mais ou menos 4.755 pessoas que tem direito a voto. Todos são profissionais do ramo: atores e atrizes, produtores, diretores, roteiristas, cenógrafos, montadores, fotógrafos, músicos, maquiadores. A Price Waterhouse, empresa de consultoria e estatística, organiza a votação na qual cada integrante da Academia vota em candidatos de sua mesma especialidade (fotógrafos votam em fotógrafos, atores em atores, etc.), mas todos elegem o Melhor Filme. Em uma segunda fase, a firma seleciona os cinco mais votados em cada categoria e é feita nova votação, desta vez com todos os membros da Academia. O sigilo é absoluto e jamais se soube de algum caso de quebra de segredo.

As cédulas são enviadas pelo correio e devolvidas à Academia em envelopes sem identifição do remetente. Já a apuração é feita por computador e colocada em envelopes lacrados, que são abertos apenas na noite da entrega do Oscar. Nem a Academia sabe de quantas estatuetas vai precisar.

A simples indicação de um filme pode aumentar sua bilheteria em vários milhões de dólares. Além do aumento da receita, a premiação significa prestígio para o filme, contratos mais vantajosos para os atores e (quase sempre) uma garantia de qualidade para o público.

CURIOSIDADES


Os imprevistos sempre deram o molho necessário a uma festa que, por ter se tornado muito longa, raramente consegue evitar a monotonia.

23° edição
29 de março de 1951 - Eva - A Malvada

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

QUATRO CACHORROS E UMA SÓ HISTÓRIA



De sete restaram quatro que estão comigo até hoje. Rambinho,o pai (o mais velho,) Pepita, a mãe, Maradona ou (Branquelo) e Neguinha, seus filhos. Um morreu ao nascer e os outros dois foram para um sítio, na Estrada do Varadouro e nunca mais vi. Cerca de quatro anos atrás peguei a Pepita na casa de um primo, em Santa Branca. Ele estava com problemas de saúde e veio a falecer depois de uma longa enfermidade. Mãe de primeira viagem, tive que cuidar de sua prole: comida, banho, vacinas,etc.
O fato é que me apeguei a eles e devido a circunstância da idade confesso que tentei me desfazer da Pepita e do Maradona, nome dado por um amigo. Como continuar a cuidar deles praticamente sem ajuda de ninguém. Apenas um vizinho condoído ajudava. Aí começa o curioso da história. Por duas vezes voltaram para minha casa. No ano passado, na época da vacinação contra a raiva, que foi cancelada, como se sabe, soltei os 4 perto do posto de vacinação localizado num bairro próximo ao meu.
Deixei- os um pouco livre, esperando que voltassem logo. Ficaram 21 dias fora e eu bastante preocupado, pensei comigo... seguiram o seu destino. Mas, para surpresa minha, aproveitei a carona de um amigo num domingo e dei uma passada perto do posto de vacinação só para desencargo de consciência. Pois não é que estavam todos juntos na maior farra num gramado perto do rio. Sobreviveram. Foi a maior alegria quando me viram. Fiquei muito contente e agradecido a Deus, embora soubesse que teria de cuidar deles novamente, numa rotina diária de dar ração, água, pedaços de pão e eventualmente ossos para fortalecer os dentes. Ficam horas roendo os ossos até enterrá-los num canto qualquer do quintal. É duro recolher cocô deles todas as manhãs, faça chuva ou faça sol. Enche o saco, me irrita um pouco, mas...



Da primeira vez tanto a Pepita quanto Maradona escaparam do sítio onde estavam e foram localizados sujos e maltratados morando nas casinhas de um condomínio em construção do outro lado da cidade. Mãe e filho largados na vida, perambulando por aí. Um amigo me telefonou afirmando que eram eles com toda a certeza. Lá fui eu buscá-los com um saquinho de ração. Dei água limpinha para beberem e depois atravessei a cidade toda com eles, acorrentados, procurando os locais mais desertos para não sentir muito vexame. Devo lembrar que todos eles são cachorros sem raça definida. Mas são bonitos e inteligentes.



Da segunda vez Neguinha e Pepita ficaram num sítio mais longe ainda e o dono também não teve muito cuidado e acabou deixando mãe e filha abandonados lá pelos lados da represa do Jaguari cerca de 22 km. de casa. Pensei, lá o lugar é bonito e, com certeza, vão se adaptar ou alguma alma caridosa vai cuidar deles. Gente da roça, creio, é mais apegada aos animais e os tratam com carinho, deixando-os em plena liberdade. Puro engano. Voltaram na madrugada de um Ano Novo, quando todos já estavam dormindo, depois das comemorações, arranhando o portão para entrar, numa alegria que, só posso supor, infinita, por terem localizado o endereço.
O mais estranho é que, como passaram pela Via Dutra, sem serem atropeladas?!. Acho que passaram por debaixo de um viaduto que elas guardaram de memória, sei lá! Mas um amigo me contou a história de um cachorro de sua família, que localizou o novo endereço onde morava distante mais 500 quilômetros, para enorme surpresa de todos.Chegou são e salvo, resfolegando de tanta satisfação. Questão de afeto, carinho, estima, algo assim, tão difíceis de se sentir hoje em dia, até mesmo entre as pessoas, acho eu.



Rambinho, Pepita, Maradona e Neguinha já me deram muito trabalho, agora não tanto. Na convivência diária com eles aprendi muito, refleti muito e se é, como dizem algumas pessoas, vamos nos tornando seres humanos melhores. Muitas vezes, de madrugada, me levanto e vou ver se os quatro estão bem, dormindo o sono justo da espécie, num velho sofá dado por uma vizinha. Mesmo no escuro, acariciando – os, vejo os olhinhos de cada um deles, tão doces e sonolentos,que parecem estar me agradecendo. Nem precisa. São meus companheiros na vigília deste mundo.
Volto a dormir em paz. Ou quase. Às vezes perco o sono só de ver, pelo noticiário da TV e Internet, do jeito que o mundo está! Num ranchinho, lá no fundo do quintal, mantenho até hoje, num oratório bem simples, que ganhei do pai de um amigo, o “seu” Paco, a imagem, em madeira, de São Francisco, aquele que amava os animais.
É essa a história que eu queria contar dos quatro cães que moram comigo até hoje. O resto é a incrível beleza e os eternos mistérios deste mundo que Deus criou...

REFLEXÃO
Lembre-se de que não devemos humilhar ninguém. Os erros que os outros cometem hoje, nós podemos cometê-los amanhã. Não se julgue inatingível nem infalível.Todos podem falhar. Trate os outros com tolerância, para que possa reerguê-los, se errarem. A perfeição não é desta terra. Não exija dos outros aquilo que você também ainda não pode dar.


PEQUENOS POPEYES

“Seu Dimas” tem um sítio nas cercanias de Natividade da Serra, perto da represa. Mas também tem uma pequena casa numa rua do meu bairro. No quintal plantou espinafre. Ele sempre deixa a chave do portão com uma moradora para quem quiser colher um pouco . As mães, muitas vezes atarefadas (ou sem dinheiro mesmo), se esquecem de comprar legumes ou verduras para juntar ao arroz e feijão, com a mistura diária. Desta forma o espinafre, conhecido por suas propriedades vitamínicas, é bastante providencial.
Por isso todos comentam a alma generosa que ele tem. É sempre calmo, gosta de um dedo de prosa e vive perguntando se o espinafre estava bom. Vendo as crianças fortinhas brincando na rua, as mães sempre agradecem a ele. São pequenos Popeyes. Todos saudáveis, frequentando a creche ou a escola do bairro. Peço a Deus que “Seu Dimas” sempre deixe a chave do portão e assim nunca falte espinafre para todos. Dizem que é o seu simples modo de tentar melhorar um pouco este mundo tão carente de tudo.

REFLEXÃO
Se as coisas são inatingíveis...Ora! Não é motivo para não querê-las...Que tristes os caminhos, não fora a presença distante das estrelas. (Mário Quintana)

ROMANCE - ( Ou a Megera Domada 2011)



Foram os enormes olhos azuis de Monique, uma loira da pá virada, que fulminaram o bronco Tadeu, jovem guarda de trânsito da cidade. Endoidou de vez. A primeira vez que a viu, lá vinha ela dirigindo seu carro conversível Ford 1990 se não me engano. Inconsequente, como sempre, já tinha ultrapassado a velocidade na avenida quando foi parada pelo forte apito do guarda, naquele sábado de verão quentíssimo. --- ‘Ai! Seu guarda estou atrasada para a academia de dança, minhas alunas me esperam, por favor!’ --- ‘A senhorita já é campeã de multas de trânsito na cidade! Todo mundo comenta! E agora, como não multá-la por excesso de velocidade?’. Choramingou, chororô e assim, como sempre ganhava as paradas das encrencas em que se metia. Charme enorme. ---‘Tá bem, vou procurar não correr tanto! ’---‘ Olha, moça, desta vez passa mas na próxima vez vou multá –la, sem dó, hein!.’ E ela, acelerando, como é seu nome, bonitão? Tadeu... Ah.! Tadeu, tadano . E deu uma gargalhada... Olha o respeito!... Mas Monique já estava longe.
Nem mesmo as freiras do Colégio Interno Bom Conselho, de Taubaté, conseguiram dar um jeito naquela menina de 12 anos, quando seus pais, ricos empresários, decidiram que só assim ela seria educada e aprenderia boas maneiras. Deve ter puxado o gênio de sua avó materna que, desde jovem, era impetuosa em tudo que fazia, dizia a mãe, já resignada. Pelo pai, Monique ficaria internada para sempre naquele colégio . Seria uma benção se ela virasse freira.
A única que conseguiu melhorar um pouco o comportamento daquela já adolescente, ali pelos 16 anos, foi a madre Hulda, alemã, gorda e enérgica, sua professora de Teologia. Quando percebiam um pequeno tremor de terra na cidade, os moradores já nem se assustavam mais, pois já sabiam que devia ser um dos ataques de cólera da madre Hulda ao interpelar suas alunas por causa de alguma grave travessura. Eu querer sabbbberrr quem foi que fez que fez iiissso? E lá vinha o castigo, com severidade



germânica.
Um dia, Monique convenceu Marianinha, sua colega de quarto, para, de madrugada, entrarem furtivamente, na despensa do Colégio, em busca de pedaços deliciosos de marmelada que tinham servido na hora do jantar. Para chegarem até lá precisavam passar por um longo corredor cheio de portas. Ninguém sabe como, Monique tinha pegado as chaves. Mostrou, triunfante, para a quase horrorizada Marianinha, que já estava tremendo pelo castigo que haveriam de ter. Vai ser fácil, convenceu Monique, vamos... Ou eu não me chamo MO NI QUE!, frisou, não medindo as conseqüências que esta audácia haveria de ter. Lambuzaram-se de marmelada e de quebra avançaram nos queijos mineiros recém chegados que estavam na enorme geladeira da despensa.
Só não podiam contar com o mal estar da madre Hulda que se levantou no meio da noite em busca de um remédio que combatesse sua prisão de ventre. Ué, quem deixou estas portas abertas?! Ah! Deve ser madre Imaculada, está ficando velha e esquecida... Tomou o remédio e lá veio ela aliviada arrotando e soltando “pums” corredor a fora, fechando todas as portas, para o desespero das duas alunas que ficaram trancadas até de manhã, na despensa. Não teve outra saída. Foi uma bronca daquelas.
Quase no final do ano letivo, quando viria passar férias com seus pais, Monique aprontou outra travessura. Junto com Sheila, outra colega, de Cruzeiro, que os pais também queriam que ficassem internadas para sempre no Bom Conselho... ou num hospício qualquer, decidiram escalar o alto muro do Colégio e, de maleta em punho, foram para a beira da Via Dutra, decididas em conhecer a Argentina.
Sem muita noção ficaram do outro lado da pista sentido Rio de Janeiro. Por sorte, nenhum caminhoneiro parou para elas. O dia já estava amanhecendo. Quando perceberam o erro, começaram a chorar. E agora?... e agora?...as freiras vão matar a gente, vamos ser expulsas! Para vergonha do colégio, foi um policial que devolveu as duas traquinas às mãos das freiras. Quando ficaram frente a frente com madre Hulda, esta parecia uma chaleira de água fervendo, apitando, de tão vermelha, tamanha era a sua raiva . O Colégio inteiro recuou, temendo pela sorte das duas, ninguém ousou abrir a boca ou dirigir uma palavra sequer para as madres superioras naquele dia.
Mais um terremoto, desta vez sentido até pela colônia italiana de Quiririm. “Dio mio, qui que tá con te cendo?, exclamou apavorada dona Colcheta, proprietária de uma casa de massas.
E foi assim. Passaram-se mais alguns anos e, ufa!, Monique conseguiu diplomar-se pelo tradicional colégio deste Vale do Paraíba. No dia da formatura e despedidas, a madre Hulda estava lá emocionada, abraçando Monique, só disse: Juizo hein, menina! ...Para as freiras também é assim: suas pupilas sempre acabam deixando saudades...



“Tadeu, Tadeu, não é propriamente um nome bonito, mas também não é feio,” ficou pensando Monique naquele dia. Mas o nome não saiu mais de sua cabeça. Até o dia em que lá veio ela de novo em alta velocidade. Parou a tempo de levar mais uma multa, pois o guarda de trânsito lá estava de plantão. Esperando por ela?! Tadeu sentiu o coração se acelerar de novo, como da primeira vez. Monique disse olá como vai? Tudo bem? Seus olhares se cruzaram. Tudo bem!, graças a Deus. Então, tchau! A gente se vê por aí, a cidade é pequena, né Tadeu, tadano, disse brincando. Perdendo um pouco a sua compostura,Tadeu quase mandou ela tomar... naquele lugar.
Uma tarde, Monique resolveu tomar um sorvete, junto com sua amiga e cúmplice Dora, na Sorveteria Leal. Ela não sabe por que, mas o pequeno lugar é bastante agradável. Seus pais já tomavam sorvete ali. E ali começaram a namorar. Agora ricos, só passeavam nos shoppings, adeus a simplicidade daquela sorveteira, encravada no coração da cidade que já estava mudando bastante e rapidamente a sua fisionomia urbana e seus costumes sociais. Pois não é que Tadeu, de folga estava lá tomando o seu sorvete preferido.
Tem um momento na vida que, da convivência surge amizade e ela se transforma em namoro. Agora nem Tadeu, nem Monique conseguiam dormir direito. Um pensando no outro. Ele, tímido, tipo rapaz conservador. Classe média baixa. Ela, tipo dondoquinha, olhava tudo um pouco de cima. Foi sincera com Tadeu. Olha você é pobre, não chega nem aos meus pés, como vai ser? Mesmo que a gente se gostasse muito, a barreira da minha família vai ser enorme. Eles querem que eu namore e me case com gente da minha classe social. A não ser que a gente jogue tudo prá cima. Não sei se estou preparada prá isso. Tadeu engoliu tudo em seco, ficou na dele, embora a decepção tivesse sido grande.
É mesmo, talvez eu não servi prá você, mas você também, fique sabendo, não faz meu tipo. Ah! Vá a merda, Tadeu. Ah! Vá você, sua riquinha de meia tigela! A é seu guardinha, você precisa subir muito na vida prá poder me conquistar, não se enxerga! Desta vez foi ele que saiu queimando os pneus. E ela, remoendo, volta aqui, seu idiota! Ele voltou sim, mas para dar o primeiro, mais impetuoso e doce beijo de sua vida em Monique, que fingiu não gostar, mas correspondeu totalmente. E assim foi. Embora estivessem de lados opostos, se reconciliavam, brigavam e vice – versa.Fingiam que não estavam nem aí um para o outro, mas... Sempre o orgulho machista de Tadeu, amante latino difícil de controlar o gênio e Monique, o narizinho empinado, sempre com aqueles óculos escuros, último tipo, soberba. Ambos chorando por tabela, se ficassem muito tempo longe um do outro. Como na música: É o AMOR...
Durante cinco anos foi assim. Não teve jeito, com todas as diferenças sociais, todas as brigas e retornos, um dia as duas famílias, a rica e pobre, tiveram de se conhecer para marcar noivado e, depois, o casamento. Cinco anos foi o suficiente para Tadeu se formar em Administração de Empresas, curso noturno e ingressar numa grande empresa que viu nele um talento enorme em gestão e logística. Provou do que era capaz. Monique cresceu com sua Academia de Ginástica que ficou famosa na cidade. Ambos cresceram também em maturidade. Fizeram planos para terem 10 filhos, ora vejam, nos dias de hoje!
Uma noite a mãe de Tadeu, dona Rosinha, ouviu choro no quarto e abriu, de mansinho, a porta. O que foi meu filho? Nada não, mãe, fecha a porta para os meus irmãos não ouvirem. E confessou: mãe, não aguento mais, sou louco por esta mulher desta a primeira vez que a vi. Será macumba, mãe, a senhora sabe, a gente não acredita nisso, não é! Será que vai dar certo? Abraçando ternamente o filho, a mãe, limpando as lágrimas, disse, com aquela experiência de vida – é assim mesmo, meu filho, vocês se gostam e muito, vai dar tudo certo!, vai ver.
Do mesmo modo, dona Carmem, mãe de Monique, uma noite, ouviu choro no quarto da filha. O que foi minha filha? Depois de minutos de silêncio, em que parecia que ambas estavam rezando baixinho, Monique desabafou – Mãe, acho que Tadeu é o homem de minha vida. Sou louca por ele! No começo eu achava ele muito bronco, mas cinco anos, mãe, não são cinco dias, a gente briga, tem ciúme um do outro , volta e agora está assim, a gente tem de ver todos os dias.Somos puro carinho, um para o outro.Quando a senhora namorava com papai, era assim? Virgem Maria, era assim mesmo! Os tempos eram outros. Era tudo muito contido, mas na essência, o fogo da paixão estava sempre acesso. Fique calma, vai dar tudo certo, você verá.
Tudo resolvido, chegou o grande dia. O do casamento. Que foi um dos mais comentados na cidade. Todas as arestas foram resolvidas. O que mais Tadeu temia: o pai de Monique, por ser mais rico quis bancar tudo. Nã,nã,ni,nã,nã. O velho pai de Tadeu, dono da mais antiga barbearia da cidade, encarou o pai de Monique, com todo aquele orgulho das antigas – Todas as despesas serão divididas ao meio. É claro que Monique e Tadeu também economizaram para dar uma grande festa e foi o que se viu, um congraçamento de diferenças sociais, mas tanto na igreja, ricamente decorada com flores brancas e vermelhas, como no serviço de bufê, tudo do bom e do melhor. O casamento foi assunto durante um mês e tanto...
Na igreja, loucos e apaixonados, os noivos Tadeu e Monique e as emocionadas famílias deram um show de comentários. Tudo estava muito lindo ao som da clássica marcha nupcial de Haendel, da Ave Maria, de Gounod e músicas populares nacionais e internacionais, em momentos marcantes da cerimônia religiosa celebrada pelo padre Eustáquio, que conhecia os noivos desde crianças. E tratava todos igualmente, fossem ricos, remediados ou pobres.
O inusitado da cerimônia, já que tudo termina bem, em tom de brincadeira, foi o abraço de Tadeu em Monique, sussurrando - Te amei desde o primeiro momento, meu amor. Por sua vez, depois das alianças e do juramento, Monique beijou Tadeu e sussurrou no seu ouvido – Vou te fazer o homem mais feliz do mundo, meu amor, disfarçando uma mordidela na ponta de sua orelha.Tadeu estremeceu por inteiro e quase teve um enfarte ali mesmo. Poucos viram a brincadeira e mesmo o padre sorriu, meio cúmplice. Os tempos estão mudando. Minha vampira, disse baixinho Tadeu. Seu bôbo, gemeu Monique.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dia 2 de Fevereiro...




Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Escrevi um bilhete a ela Pedindo pra ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou

FELIZ ANO NOVO, VIDA NOVA



Hoje, 30 de janeiro de 2011,depois de quase dois meses volto a postar no blog A VARANDA. Para agradecer todas as mensagens recebidas de FELIZ NATAL e FELIZ ANO NOVO dos amigos e retribuir também as mensagens otimistas de FELIZ FINAL DE SEMANA. OBRIGADO POR TUDO. Vamos enfrentar 2011 com muita coragem e verdade em todos os nossos pensamentos, desejos,sonhos e projetos, pedindo sempre a DEUS toda a ajuda dos CÉUS. Apesar da tragédia ambiental no região serrana do Rio de Janeiro, que todos nós lamentamos profundamente,vamos continuar, de acordo com a nossa grande consciência, solidários e fraternos. Não vamos nos abater nunca. Caminhemos lado a lado com o próximo, nossos amigos em quaisquer circunstâncias. Ao longo deste ano e dos próximos comemoraremos com grandiosidade todas as VITÓRIAS do SER HUMANO. Em nome da grande espiritualidade que nos une. Com certeza e fé.



Quero continuar escrevendo minhas crônicas, histórias e comentários, melhorando sempre o meu desempenho. Passando pensamentos de auto ajuda para todos. Como este: Para você subir na vida, dois degraus existem de suma importância e são representados por dois verbos – AMAR e SERVIR. Portanto, jamais desanime na escalada dos valores da alma e procure constantemente ser útil a todos e a tudo, para ajudar ao máximo o progresso do planeta que o recebe tão generosamente, auxiliando-lhe a evolução.
Na virada do ano estava em Itanhaém onde mais uma vez pude me deliciar nas praias. Numa delas, a dos PESCADORES, o mar me encanta. É uma praia pequena cheia de casebres e barcos. Diferente da praia do bairro Cibratel I que é imensa. Do alto de um morro cheio de pedras e plantas acostumadas a maresia e ao vento podemos ver toda a sua extensão. Obras de asfaltamento e calçadão estão beneficiando moradores e turistas. Foi linda a tradicional queima de fogos. Fez calor, sol, mas também choveu. Nada impediu a alegria de estar entre parentes e amigos.
Refleti muito com a leitura do pequeno livro “Sabedoria Poética” – Para dar sentido e cor ao viver – que minha irmã me emprestou. O autor, Canísio Mayer é um ex – padre e professor de Filosofia, no Colégio Nossa Senhora de Lurdes, no bairro paulistano do Tatuapé. Com simplicidade fala sobre vários temas e momentos da vida.É Profundo conhecedor do ser humano e dono de uma vasta cultura. Cita passagens de vários escritores e pensadores e destaca a enorme importância da LIBERDADE. E já fazia muito tempo que eu não refletia sobre esse pensamento de Voltaire, entre muitos que Canísio selecionou - Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê – lo - . O autor afirma “que hoje é dia para ... conhecer mais e viver melhor, olhar mais e servir melhor, escutar mais e compreender melhor”. É fácil ter o livro – WWW.paulus . com. Br. Editoral @paulus.com.br



Li e me deliciei também com uma pequena coletânea de crônicas de Walcyr Carrasco de 1996 imaginem! “O Golpe do Aniversariante e outras crônicas” – Editôra Ática. O próprio autor, hoje super famoso por suas novelas na TV Globo,confessava que “é na loucura cotidiana que ele busca a graça de suas crônicas”. Já naquele ano ele afirmava que não existia fórmula nenhuma para escrever crônicas. “Crônica é um gênero no limite entre a ficção e a realidade. Crônica é uma crônica, ué!” A diferença está no olhar agudo sobre o dia-a-dia.
Deu uma alegria danada ler o livro “Diário de Taubaté – 35 anos de ousadia”, da jornalista Yara de Carvalho, do Diário de Taubaté. No final do ano inaugurou gráfica nova,com a rotativa Zirkon, em parceria com o jornal ADC NEWS, de Paulo Torraca, que supre as necessidades regionais e alavanca o jornalismo valeparaibano. Corajosa, continua o legado do grande jornalista Stipp Jr. De forma coloquial e corajosa fala de um pionerismo e empreendedorismo que nunca faz falta na comunicação de massa. É preciso ousar sempre e relembrar os momentos de uma luta diária que perfaz uma vida. O livro, 600 exemplares, relembra um pouco de tudo, mas as lembranças de Stipp Jr. Em Família nos leva a fortes e saudosas emoções e sentimentos. Somos todos nós jornalistas representados e retratados no livro. Como acentua Pedro Bial “Nunca deixem de usar filtro solar...acreditem”.






O RIO É ILUSÃO




Quase no final de sua vida minha tia Nicinha, depois de ter vivido mais de 30 anos na cidade, dizia que “O Rio é ilusão”. Não se explicar, mas desde criança me sentia atraído pelo Rio de Janeiro. Senti muita raiva na minha adolescência por que a família não me deixou morar na “Cidade Maravilhosa”. Terminada as férias detestava ter que voltar para o interior. Outros familiares afirmavam que “ O Rio é perdição” Nunca entendi direito. Fui e voltei várias vezes, já adulto e o fascínio continuava cada vez maior. De São Paulo só falavam bem. Eu até cheguei a morar um ano lá. Não gostava, nem desgostava. Usufrui o que de melhor a cidade oferecia. EM vivências e cultura.. Trabalhando e estudando prá caramba!
O Rio era diferente, tinha algo mais, com sol ou chuva. Vendo o calorão de 41,7 graus dos últimos dias, senti uma saudade enorme. De Copacabana, do Engenho de Dentro, do Meyer,das Laranjeiras, do Arpoador, da Urca (parecia tão familiar). Fosse anos atrás eu não resistiria ao apelo publicitário com aquele sorrisão enorme da atriz Marília Pêra, convidando “Vem pro Rio, vem!”
Cheguei ainda a andar de bonde. Pegava o da Tijuca até a Lapa e depois, de ônibus, ia para Copacabana. Eu tinha 15 anos quando a capital federal mudou para Brasília. O reboliço ficou bem visível no cotidiano do Rio e em algumas das alegres ( e também inesquecíveis) chanchadas da Atlântida. Muita gente não gostou, mas JK acenava para o futuro desenvolvimentista do país através do slogan governamental “50 anos em 5”, fazer oquê, né! Vi, pela primeira vez, a grande Tônia Carreiro interpretar uma prostituta na peça “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos,em 1974. Noite inesquecível, com um amigo, dormi
mos depois num banco da praia, pois já não tiinha mais trem suburbano naquela hora prá voltarmos para Morro Agudo, lá onde Judas perdeu as botas. Lá pelos meus 25 anos, num carnaval carioca, um primo meu, já falecido, expulsou minha tia do pequeno apartamento “Vai, vai,vai prá Jac...vai! e, com uma turma de 15 amigos paulistanos, branquelos e peludos, causou alvoroço no prédio, atraindo a atenção dos moradores para aquele alegre grupo de odaliscas ( ou eram holandesas? Não me lembro mais), se abanando com leques enormes,causando sensação na Banda do Leme, na Banda de Ipanema, no Bar Sovaco de Cobra, na Penha, acreditem! e...olhem só... no baile do Teatro São José, precursor do Gala Gay.



Essa parte os já coroas sobreviventes, amigos do meu primo, não fazem muita questão de lembrar.
O mais puro babado carioca acontecia quando minha tia voltava do interior e nem bem punha a chave na porta do apartamento lá vinham as fofoqueiras de plantão – “ Dona Nicinha, como seu sobrinho e seus amigos são alegres,mmmmuuuiiito aleeeegreeeeessss, né não?! Acostumada a tudo minha tia só respondia, “fazê o quê, minhas filhas, fazê o quê...tô precisando de um dinheirinho. O apartamento estava impecável, sem nenhum resquício da folia e o dinheirinho num envelope em cima da cristaleira.
O assunto rendia até o próximo carnaval, quando de novo minha tia era expulsa, modo de dizer, e lá vinha o prá lá de alegre grupo de funcionários públicos e pequenos empresários paulistanos, branquelos e peludos, fantasiados de freiras desvairadas, carmens miranda badalativas,baianas enlouquecidas, loiras do batuque, etc. Cantando a plenos pulmões “Quanto riso, ó quanta alegria, mais de mil palhaços no salão... ou então “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é...” O grupo ficou famoso e era convidado para a abertura de vários bailes carnavalescos como os do Hotel Glória, do Copacabana Palace, do Bola Preta e muitos cordões e blocos. O Rio dos anos 60 e 70. Memórias que vão sumindo com o tempo, com o perder das ilusões. Mas que era bom, isso era!!!