terça-feira, 25 de outubro de 2011

PEPITA,UMA CADELA AMARELA DE BEM COM A VIDA OU QUASE...




Foi que foi. Louca por uma rua, levada, à noitinha do dia 12 de outubro,feriado duplo, numa pequena corrente para tomar conta da casa de sua nova dona, a jovem babá Arlete, mulher do mecânico Anderson. Nem tive quase tempo de me despedir dela, tão serelepe que estava, vacinada, alimentada e de banho tomado com shampu anti tudo, limpinha de dar gosto.
Vou sentir saudades por um tempo, depois a gente se acostuma. Afinal a sua nova casa tem um amplo quintal de terra em declive que termina no fundo de uma estrada bonita, cheia de árvores, a do Porto de areia. Um lugar cheio de verde, como o meu.
De cujo portão ela apreciava ao vaivém de pessoas, cães e gatos. Quem sentiu falta foram seus dois filhos, Neguinha e Branquelo( por ser albino). Muito brincalhão. Alguns apelidaram de Maradona ou Fantasma da Ópera. Comilão feito num sei o quê, mastiga tudo que é pano e depois defeca. Deve ser algum problema de intestino, mas não tem vermes, como era de se supor. Mastigou e comeu quase todo o seu ninho feito de retalhos coloridos.
Devem, também se acostumar com a falta dela, como eu. Ah! Carinhosa Pepita, meu coração partido está com você, pode crer. Apesar de me dar trabalho desde que nasceu há quase seis anos, me alegrou muito a vida. Era um quase nada de esforço te dar comida e água e limpar seu cocô todo santo dia. Companheira, dormia como os outros, bem debaixo da janela do meu quarto, numa extensão da varanda. Latia muito quando aparecia alguém ou bicho no portão e no quintal. Foi assim no dia em que vários e inusitados balões promocionais de uma festa apareceram no céu da cidade e do bairro. Aliás todos os meus 4 cães ficaram enlouquecidos,latindo forte e correndo de um lado para outro, supostamente para se proteger de uma ameaça ou de algo que eles nunca tinham visto e que poderiam invadir o meu e o espaço delas.


Quem deu muito trabalho nos últimos dias foi o Rambinho de 12 anos, focinho e patas já brancos pelos anos, feito um preto velho. Chamei Isabel e seu marido Francisco, (táxi-dog) e o levei ao dr.Fábio veterinário, que diagnosticou um tumor na garganta. Acho que benigno. Depois de 2 injeções de Benzetacil aprumou e já está quase bom. Uma bola de pus estourou, molhando seu ninho. Limpei tudo, com creolina, água sanitária e álcool e estou passando metiolato na enorme ferida aberta bem abaixo do pescoço. Mistura de Waimaraner e vira lata (SRD), Rambinho ,meio resmungão,vem resistindo bravamente como um macho emperdenido. Já está comendo a sua ração e bebendo leitinho e água. Estes estão sendo os dias da minha vida em que mais estou pedindo muita misericórdia e compaixão a Deus, para que ele supere a doença e viva mais, meio indiferente que sou com relação ao divino, tentando resolver tudo de forma mais ou menos prática para não dar trabalho a ninguém. Refleti que tanto os humanos como os animais sentem as mesmas dores. Somos, ao mesmo tempo, tudo e nada nesta vida. E que dependemos uns dos outros nesta longa estrada. A ficha está caindo. As lições que temos que aprender vem sempre do Alto.Egoístas que somos, muitas vezes esquecemos. E profundamente temos que agradecer. Diariamente. Com meditações e preces. É assim.

domingo, 23 de outubro de 2011

CINEMA ITALIANO-O NEOREALISMO E SUA IMPORTÂNCIA CULTURAL.



O Neorrealismo italiano foi um movimento cultural surgido na Itália ao final da segunda guerra mundial, cujas maiores expressões ocorreram no cinema. Seus maiores expoentes foram Roberto Rosselini, Vittorio De Sica e Luchino Visconti, todos fortemente influenciados pelos filmes da escola do realismo poético francês.

O cinema neorrealista italiano caracterizou-se pelo uso de elementos da realidade numa peça de ficção, aproximando-se até certo ponto, em algumas cenas, das características do filme documentário. Ao contrário do cinema tradicional de ficção, o neo-realismo buscou representar a realidade social e econômica de uma época.

Índice
1 Origem
2 Características
2.1 Neo-realismo como contraponto à estética fascista
3 Principais autores e obras
4 Ramificação e decadência
5 Ver também
6 Ligações externas
7 Quiz

[editar] OrigemO marco inicial do movimento é o lançamento do filme de Rossellini, Roma, città aperta (1944-1945), rodado logo após a libertação de Roma, nitidamente influenciado pelo realismo poético francês. A "paternidade do termo" é de dúbia possibilidade: a primeira diz que seria de Umberto Barbaro quando chamou de "neorrealístico" o filme Ossessione , do qual havia sido montador; e a outra possibilidade atribui o termo a Mario Serandrei, quando este usou o termo em uma resenha do filme Quai des Brumes.

Apesar de Roma... ter marcado o início do movimento, o primeiro filme daqueles dias é o documentário Giorni di Gloria, de Giuseppe de Santis, Marcello Pagliero, Mario Serandrei e Luchino Visconti), que traz cenas reais alternadas com cenas reconstituídas da ocupação nazi-fascista. Porém o filme foi exibido depois de Roma....

[editar] CaracterísticasO Neorrealismo italiano, por características comuns entre as obras e por uma ideologia difundida entre seus realizadores, tanto estética quanto política, constitui um "estilo de época" do Cinema. Teve lugar e tempo na Itália do final da Segunda Grande Guerra, em processo de "libertação" do regime fascista, como veículo estético-ideológico da resistência. Hasteava a bandeira da representação objetiva da realidade social como forma de comprometimento político. Seu período mais produtivo e significativo ocorreu entre 1945 e 1948.

Seus temas protagonizados por pessoas da classe operária imersas em um ambiente injusto e fatalista, sempre encontrando a frustração na eterna busca por melhores condições de vida, foram trazidos por influência do realismo poético francês.

Apesar de haver um certo consenso quanto às suas características, não existe uma delimitação exata quanto ao período de duração do movimento. Seguindo o paradigma observado na maior parte dos estilos estéticos da História da Arte e do Cinema, o nascimento dessa corrente aconteceu gradualmente, levando algum tempo até que se observasse o aparecimento de um filme genuinamente neo-realista. E, da mesma forma, sofreu uma decadência paulatina, sem um ponto delimitado de começo ou fim.

[editar] Neo-realismo como contraponto à estética fascistaArtigo pricipal: Estética totalitária
Certamente, no entanto, não seria possível falar de Neorrealismo na Itália antes da decadência do regime fascista, que vigorou de 1922 a 1945. Esta, porém, não se limitava apenas a transformações de aspecto político, mas tinha também um projeto estético abrangente e definido. O Fascismo, muito além de puro fenômeno político, trazia consigo uma ideologia estética profundamente fincada em seus valores morais e sociais — e esta era, aliás, uma característica comum às manifestações de ideologias totalitárias.

Entre as várias propriedades dessa ideologia estética, estava a representação da sociedade por meio de uma ótica moralista/positivista, muito mais adequada à legitimação do regime do que à realidade das massas. Conseqüência direta dessa visão de mundo foi a produção em larga escala (estimulada e apreciada pelo governo) de filmes melodramáticos, épicos, romanceados, construindo na tela uma representação um tanto distante da vida cotidiana da sociedade italiana.

Um dos objetivos da geração neo-realista, posteriormente, seria a maior aproximação daquilo que acreditava ser a realidade do povo, para contrapor a essa "falsa imagem" da sociedade; os neo-realistas queriam apresentá-la, e não representá-la.

O que essa vanguarda pretende colocar na tela é um registro da vida das pessoas, no momento atual, contemporâneo à produção. Não interessava mais falar de tempos passados ou das tragédias folhetinescas. O cineasta neo-realista filmará a favela, a vila de pescadores, as ruas cheias de gente nos centros das cidades. A preocupação é com o "hic et nunc", num dos momentos mais críticos da História da Itália, e os jovens diretores acreditam no cinema como forma de expor os problemas — para que sejam resolvidos.

Esse comprometimento com o "retrato da verdade" faz com que a geração que desponta a partir da invasão aliada, em 1944/45 seja identificada como um movimento que os críticos Pietrangeli e Barbaro apelidam de Verismo (do it. vero, verdadeiro). O Neo-Realismo é percebido e nomeado enquanto os filmes estão sendo feitos, ou seja, o estilo é identificado no mesmo momento de sua produção artística, e não posteriormente. No mínimo, isso significa que a Itália notou que algo de diferente estava sendo feito.

[editar] Principais autores e obrasLuchino Visconti, com seu filme "Ossessione", de 1942, lançou a primeira pá na construção desse movimento. Adaptando o romance "The Postman Always Rings Twice" ("O Carteiro sempre toca duas vezes"), do norte-americano James Cain, o diretor conseguiu retratar um país de contrastes, que destoava da representação estilizada então dominante. Isso chocou os censores que, mesmo tendo aprovado anteriormente o roteiro, engavetaram a produção, até que o próprio Duce o tivesse visto — e apreciado!

Roberto Rossellini, ainda durante a guerra — e, mais especificamente, no próprio campo de batalha — filma "Roma, Città Aperta" (1945), inserindo registros de combates verdadeiros junto à dramatização. Rodado clandestinamente, como a própria resistência dos Partisans, o filme situa-se num limiar entre encenação e documento histórico. E, ainda, peça de propaganda contra o regime agonizante. No ano seguinte, realiza "Paisà", cujos 6 episódios acompanham o trajeto dos "libertadores", do sul para o norte, retratando a convivência entre italianos e aliados estrangeiros (com pessoas atuando nos papéis delas mesmas), com seus conflitos e choques inevitáveis.

Em "Germania, Anno Zero" (1947), Rosselini visita a outra nação derrotada (e destroçada), a Alemanha, para mostrar uma realidade muito semelhante à da Itália. Submetidos novamente a uma ocupação, a restrições e a toda sorte de privações, os alemães violam os valores éticos mais primários por causa da fome, e Rossellini espelha neles a própria crise italiana. Além desses, a "base teórica" do movimento deveu muito ainda a Cesare Zavattini, que adaptou e roteirizou vários dos filmes ("I Bambini Ci Guardano", 1944) ("Sciuscià", 1946) (Umberto D., 1952) e ao produtor/diretor Giuseppe Amato, que saiu da produção ativa do período fascista para patrocinar as experiências ousadas da geração Neo-Realista.

Mas é com Vittorio De Sica que o Neo-Realismo produz uma das obras mais expressivas e emblemáticas de sua estética. O filme Ladri di biciclette (1948) contém os principais elementos do filme Neo-Realista: a temática dos problemas sociais, a criança, os atores iniciantes ou desconhecidos, a ambientação in loco, a ausência de apelos técnicos ou dramatúrgicos e ao mesmo tempo um intenso conflito na trama (também escrita por Zavattini). Pela história do homem recém-empregado que tem seu instrumento de trabalho — a bicicleta — roubado, e assim ameaçado de perder o emprego, De Sica emoldura um quadro da classe trabalhadora urbana de então, assombrada pelo desemprego.

[editar] Ramificação e decadênciaO mesmo ano de 1948 vê o aparecimento de vertentes distintas do mesmo movimento, que de certo modo significam estágios paralelos de desenvolvimento.

Em "La Terra Trema" (1948, de Visconti (Francesco Rosi e Franco Zeffirelli são os assistentes de direção), pescadores da Sicília interpretam eles próprios, num filme rodado de maneira semi-documental e crua - mais, talvez, do que "Ladri di Biciclette". Mas o apelativo "Riso Amaro", de Giuseppe DeSantis, constitui-se em outra face do movimento, ainda que se situe dentro da maleável fronteira do "estilo" Neo-Realista. Para muitos críticos, porém, observa-se nesse filme o início do declínio do movimento. A estética engajada comprometida em desnudar as contradições da sociedade acaba por se submeter à "exploração comercial", o que provoca "o começo do fim do movimento que havia trazido ao cinema italiano a vitalidade artística e significação social" (Ephraim Katz).

A chamada geração neo-realista— que ainda teve diretores menos significativos como Pietro Germi, Aldo Vergano, Alberto Lattuada, Luciano Emmer, Renato Castellani e Luigi Zampa — acaba, então, sucumbindo às circunstâncias.

Na década de 1950, o cenário já é outro, o quadro de crise econômica e social parece ter sido amenizado, a televisão ganha cada vez mais espaço como mídia e, para enfrentá-la, os produtores passam a investir no cinema do puro entretenimento escapista. Um pouco mais tarde, Federico Fellini e Michelangelo Antonioni, que tinham participado do Neo-Realismo, afastam-se do Verismo ortodoxo e vão apelar à farsa exuberante ou ao drama existencial para redesenhar a Itália e suas novas questões.

[editar] Ver tambémNeo-realismo
[editar] Ligações externasA influência do neo-realismo no cinema brasileiro
O neo-realismo italiano revisitado
[editar] QuizTeste seus conhecimentos sobre neo-realismo italiano
Obtida de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Neorrealismo_italiano"
Categorias: Movimentos de cinema | História do cinema

"PANAMERICANO 2011"; GUADALAJARA!!!



Este ano, os Jogos Pan-Americanos acontecerão na cidade de Guadalajara, no México, e contará com a participação de delegações de atletas de 42 países afiliados ao COI – Comitê Olímpico Internacional. Os preparativos dos jogos já estão a todo vapor e a equipe organizadora trabalha com dedicação total para garantir o sucesso do torneio desportivo internacional.
A cerimônia de abertura acontecerá no dia 14 de Outubro e a de encerramento no dia 30 de Outubro. Estima-se que cerca de 6 mil atletas participarão dos Jogos Pan Americanos 2011 disputando em 28 modalidades diferentes.

Entre as novidades para esta edição, estão mudanças nas modalidades. Além dos 26 esportes disputados nos Jogos Olímpicos, foram incluídos no programa de 2011 o rugby, o raquetebol e a pelota basca. O futsal que havia estreado nos Jogos de 2007, foi excluído pela ODEPA (Organização Desportiva Pan-Americana) que completa o programa dos Jogos de acordo com os pedidos da cidade-sede, e das Federações Internacionais Esportivas.
Os ingressos já podem ser adquiridos e estão sendo comercializados em dólar diretamente pelo site oficial do Pan 2011, onde já está disponível a tabela de preços.

No site oficial dos Jogos você encontrará (em inglês ou espanhol) todas as novidades, notícias sobre o andamento e preparação dos locais onde acontecerão as competições, países participantes, além de conferir o quadro de medalhas das competições anteriores.

A transmissão das modalidades do evento no Brasil será feita ao vivo através da Record que além disso disponibilizará informações e detalhes de toda a competição



Leia Mais: http://www.megadicas.com/jogos-pan-americanos-2011-guadalajara-ingressos-datas-vencedores-fotos-e-informacoes/#ixzz1beEdRT2U

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Dia das Crianças



Todas as vezes que olhar para uma criança, levante seu pensamento em ação de graças à Deus, que jamais abandona seus filhos.
A criança é a esperança de hoje, na realização de amanhã.
É a certeza de que a Terra está sempre a renovar-se, recebendo cada dia novos habitantes que lhe vêm trazer a contribuição de seu trabalho e de sua capacidade, para o progresso do mundo.

F R E V O



O frevo fervia nas avenidas, ruas e pontes do Recife Velho, entre os rios Capibaribe e Beberibe, naquele carnaval de 1945. Milhares de foliões entoavam alto os refrões alegres do Galo da Madrugada – voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço – quando Anna começou a sentir fortes as dores do parto. O menino veio ao mundo justamente quando um grande e colorido estandarte passou sob a janela do casarão, na rua da Praia, onde, no térreo ficava o famoso restaurante Buraco da Otilia, repleto de turistas. O berreiro do recém nascido juntou –se, um pouco,ao alarido das troças, blocos e cordões que passavam, na grande festa.A criança, que recebeu o nome de Ednaldo José, nasceu de parto normal, embora difícil,fazendo a mãe gemer muito sendo amparada pelas mulheres da casa. Começava ali sua vida, sua história, seu caminho no desamparo deste mundo.

Com quase um ano, foi levado pela mãe para São José da Lagoa Seca, nas proximidades de Juazeiro e Petrolina, entre Pernambuco e a Bahia, nas margens do caudaloso Rio São Francisco, numa das suas inúmeras voltas. A longa viagem atravessou a zona da Mata, o Agreste e de Caruaru, penetrou, aos poucos no ressequido cafundó do Sertão.

Velhíssima, Dona Maria das Graças, bisavó paterna e sobrevivente do Arraial de Canudos, tinha de benzer o menino antes de sua outra, mais longa viagem, até o Rio de Janeiro, na região Sudeste, num navio do Loyde Brasileiro, no colo da mãe. Até hoje, afirmam alguns moradores mais antigos, que, um dia depois da saída do menino, a lagoa seca voltou a transbordar de água lentamente. Só muitos anos depois, Ednaldo José voltaria para conhecer sua terra e os parentes de lá. Suas raízes ancestrais espalhadas pela Bahia, Pernambuco e a Paraíba.


A viagem de volta, só foi possível,quando aos 32 anos, apostando um bilhete na Loteria conseguiu ganhar um bom dinheiro. Viajou pela Cia. Aérea Transbrasil, que hoje não existe mais. O bilhete premiado foi sorteado justamente no dia 31 de dezembro, véspera do Ano Novo de 1977. Foi com enorme alegria que comunicou a mãe que lá estava de férias e os parentes sobre sua chegada ao Aeroporto de Guararapes.

Foi uma surpresa para a mãe. Passado os primeiros dias de muita festa e alegria, afinal ali estava o primo formado em curso superior e, relativamente bem, tendo realizado boa parte de seus sonhos de juventude, começou a investigação pois Ednaldo continuava solteiro. Foi sentado a beira mar da vila de Itapessuma, que percebeu o olhar intrigante, sofrido, da mãe, querendo uma resposta para uma pergunta jamais feita. Começava uma Inquisição lenta e dolorida que iria machucar a todos, aos poucos. Percebeu lágrimas no olhar penetrante da mãe. Porque? O rapaz percebeu que sua vida seria totalmente outra depois desse encontro.


A vida, porém teve de continuar. Mágoas e ressentimentos teriam de ser superados, para continuar sua trajetória mais ou menos normal, pois também Ednaldo teria, como tantos outros na mesma situação,de vencer o preconceito e a intolerância da sociedade. Mesmo em cidades grandes como Rio e SP, onde o anonimato poderia encobrir um sentimento escondido. Contudo Ednaldo conseguiu ser vitorioso e não dever nada a ninguém, crescendo em ética e caráter, mantendo um relacionamento terno com a mãe, parentes e amigos. Apenas o pai, como todo nordestino agia com crueldade, muitas vezes, ignorando o próprio filho. Sofria calado, percebia-se.

Ednaldo sempre carregou em sua mente uma outra pergunta sem resposta: por que aquela família não conseguia se conciliar entre si? Vira e mexe brigas aconteciam. Os parentes não se davam e à medida que crescia, apareciam novos con flitos. Esta situação perdura até hoje. Alguns familiares chegaram até a cogitar que essa malquerença só poderia ser fruto de alguma maldição!Tirando alguns momentos de paz, parece que o rancor persistia de forma infinita e não havia quem, religioso ou não, pudesse apaziguar aquela família extensa. Assim se formou uma culpa enorme, de ambos os lados, que todos carregam até hoje, como um fardo pesado. Culpa que atravessa gerações! De forma inexplicável.

Isso deixava Ednaldo com o coração ferido, embora tentando disfarçar, com todas as forças, esta dor. Em momentos de grande revolta gritava – MAS EU NÃO ESTOU ESCREVENDO ESSA HISTÓRIA SOZINHO – Pois era na mais completa solidão que vivia, no fundo, até nos seus melhores momentos, como aquele em que entregou o diploma de jornalista, nas mãos da mãe, pois o pai já havia falecido.

O irmão mais velho desandou pelo mundo e pouquíssimas vezes voltou. Nem mesmo com a notícia da morte da mãe. A única irmã vivia na capital, com suas duas filhas, pois o pai delas também não se conciliava com ninguém, preferindo viver isoladamente. O irmão mais novo, durante algum tempo viveu em família. Depois...Assim acontecia com várias tios, tias, primos e primas que tinham lá sua vida mais ou menos consolados com essa suposta maldição. Afeto e ternura eram coisas raras naquela família.

Seria Dona Maria das Graças a guardiã do segredo desta suposta maldição familiar?, perguntou um dia, Ednaldo, numa de suas profundas crises emocionais. Se fosse culpado, qual seria sua parte nessa história que até hoje, volta e meia, é lembrada? Perguntas, em meio a lembranças, que continuam sem respostas. Apenas a uma, de caráter pessoal, responderia, hoje, sem medo: Sim, é tudo verdade!

Uma das poucas alegrias de Ednaldo, em sua vida de dúvidas, era ver a prima Betânia, entrar na varanda e despachar, como boa pernambucana, as crianças fazendo travessuras. – SAIAM JÁ DAQUI, NÃO QUERO FREVO NA VARANDA!
Em seguida, trancava-se no quarto – escritório e começava, a escrever um pouco mais um romance, quase autobiográfico de sua solidão. A meditação, uma vez por semana, era uma tábua de salvação para poder suportar a vida de um quase exilado, excluído que se achava do convívio familiar e social. Sempre...
Contudo diante desta dura lição, a moral de sua história é perceber hoje que a felicidade não depende necessariamente do que os outros vão pensar e que ela está dentro de cada um de nós.
E assim ele segue na sua eterna procura, escrevendo sozinho a sua história.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Primavera

Reflexão:
Os Poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira.

Che Guevara







Cecília Meireles


A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.



Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.



Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.



Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.


Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366

domingo, 21 de agosto de 2011

A passagem dos Balões.. a passagem da Vida!

Vendo esses balões parece que todos se tornam criança novamente... e param pra admirar...






“A Vida”, “O Balão” e “O Pássaro”


Já não sei se a este tempo pertenço
Porque não sinto esta vida a passar
Vejo-me aqui neste mundo suspenso
Sem um qualquer lugar onde aterrar

Estou atado por um delgado cordão
Distendido no limite da sua largura
Deixei de ser gente para ser balão
No antojo dessa mão que me segura

De pássaro livre eu vou-me disfarçar
Soltando-me por fim desse barbante
Com asas postiças e anseio de voar

Vejo-me fluir misturado com o vento
Planando livremente naquele instante
Sem corda, sem dono, sem sofrimento


John E. Contreiras



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PABLO NERUDA (1904 - 1973)





Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
Há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
(Últimos Poemas - Pablo Neruda)

Pablo Neruda, cujo nome verdadeiro é Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, nasceu em 12 de julho de 1904, na cidade do Parral, no Chile. Seu pai era um funcionário ferroviário e sua mãe, que morreu pouco tempo após o seu nascimento, foi professora. Alguns anos depois, seu pai, que tinha voltado a casar com dona Trinidad Candida Malverde, mudou-se para a cidade de Malverde.

Pablo Neruda
A infância e juventude do poeta foram passadas em Temuco, onde conheceu Gabriela Mistral, diretora da escola feminina secundária, que se tornou numa grande protetora e sua amiga. Com a idade de treze anos, começou a publicar os seus primeiros artigos para jornais e também o seu primeiro poema. Em 1920, tornou-se colaborador do jornal literário Selva Austral, sob o pseudónimo de Pablo Neruda, que adotou em memória do poeta checoslovaco, Jean Neruda.


Alguns dos poemas de Neruda, escritos naquela época, podem ser encontrados no seu primeiro livro Crepusculário (1923). No ano seguinte publicou Veinte Poemas de Amor e una Cancion Desesperada, que veio a tornar-se numa das obras mais conhecidas e traduzidas. Conjuntamente com a sua atividade literária, Neruda estudou francês e pedagogia na Universidade do Chile, em Santiago.
Neruda e sua esposa Matilde

Entre 1925 e 1937, o Governo nomeou-o para dirigir diversos consulados honorários, facto que o levou para a Birmânia, Ceilão, Java, Singapura, Buenos Aires, Barcelona e Madrid. A sua produção poética durante este período difícil, incluíu, entre outras obras, a coleção de poemas esotéricos Residencia en la tierra , que marcou o início da sua produção literária. A Guerra Civil Espanhola e o assassinato de García Lorca, que Neruda conhecia, afectaram-no fortemente e fizeram com que aderisse ao movimento republicano, primeiro em Espanha, e mais tarde em França, para onde se mudou e continuou a publicação de poemas, agora orientados para assuntos políticos e sociais.

Pablo Neruda e Salvador Allende
España en el corazón, teve um grande impacto devido ao facto deter sido imprimido no meio da frente, durante a guerra civil. Posteriormente, quando nomeado Cônsul Geral do México, reescreveu o seu Cantico General de Chile e transformou-o num poema épico sobre todo o continente sul-americano, o seu povo e a sua história. Este trabalho, intitulado Canto Geral, foi publicado no Chile e no México, e constitui a parte central da sua produção, traduzido em cerca de dez idiomas.

Regressado ao Chile, envolveu-se nos tumultos políticos internos, aderiu ao Partido Comunista do Chile e devido aos seus protestos contra a política repressiva do Presidente Vilela, viu-se obrigado a viver, escondido e no anonimato por um período de dois anos, findos os quais partiu para o estrangeiro. Depois de viver em diferentes países, em 1952 retornou a casa. A sua obra publicada nesta época, reflete toda a instabilidade, lutas e actividade política que Neruda viveu.

Casa museu de Neruda, em Isla Negra, perto da qual
se encontra a sua sepultura.

Entre os trabalhos que marcam os seus últimos anos podem ser citados Cien sonetos de amor(1959), que inclui poemas dedicados a sua esposa Matilde Urrutia, Memorial de Isla Negra, de carácter biográfico, em cinco volumes, Arte de pajaros, La barcarola e vários outros, por ocasião do seu 60.º aniversário.
De acordo com Isabel Allende, Pablo Neruda morreu de tristeza em setembro de 1973, ao ver dissolvido o governo de Salvador Allende.


Logotipo do filme "Il Postino",
ou o "Carteiro de Pablo Neruda".


Na realidade, a sua morte foi originada por um câncro na próstata. Em vida, foi agraciado com o Prémio Lenin da Paz e em 1971 foi-lhe atribuído o Nobel da Paz.

Já em 1965 lhe havia sido autorgado o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha.
Da sua vasta obra, escolhi estes dois poemas, qual o mais belo...:


Posso escrever os versos mais tristes esta noite...

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a por vezes e ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

(Poema XX de "Vinte poemas e uma c anção desesperada")


REFLEXÂO:

"ALGUMAS PESSOAS OLHAM O MUNDO E PERGUNTAM:PORQUÊ?.
EU PENSO EM COISAS QUE NUNCA EXISTIRAM E PERGUNTO: POR QUE NÃO?

George Bernard Shaw.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

FAÇAM SILÊNCIO QUE HOJE EU NÃO ESTOU NEM UM POUCO CATÓLICA!



Como Tércio e Murilo não poderiam lembrar de Dona Rosalphina logo após a genial interpretação da atriz Marília Pera, no papel de uma professora muito louca, na peça “Apareceu a Margarida”, de Roberto Athaíde, naquela memorável noite,meados de 1980, no Teatro Ipanema, lotado. Os dois irmãos gêmeos, com 22 anos, naquela época, estavam de férias no Rio e foram assistir a peça com mais alguns amigos do interior de SP.Todos riram muito. Com eles estava dona Eunice que era a diretora de Cultura da administração municipal do pai deles, então prefeito da cidade. Com a missão de “corromper”, um pouco os dois. No bom e no mal sentido é claro.
O Rio, para todos os jovens intelectuais é sempre uma caixinha de surpresas até hoje inesgotável. O grupo de amigos vasculhando a cidade, tiveram tempo ainda de assistir outra peça de enorme sucesso na época – “Gaiola das Loucas”, no Teatro Rival,em pleno reduto boêmio, na Cinelândia, com o impagável Jorge Dória, no hilariante papel de uma bicha louca, Canarinho e outros atores. Tedo e Piti, como eram chamados na intimidade, tomaram não só banhos de mar, mas também, um banho de cultura. E de “otras cositas mas”. Hoje são pessoas sensíveis, finamente educados e profissionais em SP, maduros, realizados, amantes da arte e do que a vida tem de melhor.
Ah! Dona Rosalphina, no auge de seus 47 anos era a professora de Matemática deles. Conhecia a matéria de trás prá frente, catedrática mesmo, dessas profissionais que quase não existe mais. E ainda falava fluentemente inglês, francês e espanhol.

Quando esbravejava com a classe, uma 8ª. Série infernal, misturava ,de propósito, os idiomas e sacudia suas milhares de pulseiras, fazendo a alegria da meninada. VOCÊS SÃO UNS ESTAFERMOS! dizia, no mínimo. Que quer dizer isso, professora? Ensinava com dedicação e amor. Solteirona, só se lembrava de um namorado italiano. O resto foi resto, dizia para os curiosos. HOJE ESTOU AZEDA,NÃO BRINQUEM COMIGO,HEIN! A classe mista, as meninas tremiam nas canelas e não ousavam enfrentá-la, mas os meninos, na fase de adolescentes, a adoravam. Não só pelo saber, mas pelas sacanagens e trocadilhos que dizia para animar as aulas. Misturava gíria com os conceitos matemáticos. Subia pelas paredes para explicar muito bem alguma coisa da matéria. Desse jeito, matemática era fácil de aprender.E divertido. Rosalphina dominava, com sua extravagante pedagogia.
Tércio e Murilo, é claro, jamais se esqueceriam também dos atributos físicos da professora. Era bonita e também ficou conhecida pelos seus enormes peitos. O decote ficava no limite, até onde a decência permitia para não chamar a atenção e os colegas não botarem reparo. É claro que alguns falavam da ousadia, que nem podia ser tanto assim. Mas quando ela avançava classe a dentro ,através das carteiras, exibindo aquela fartura empinada, fazia a delícia na curiosidade dos meninos. E quando se voltava rapidamente para o quadro negro, explicando as funções, as equações, as raízes cúbicas e quadradas parecia que ia jogar, voluptosamente, aquelas melancias na cabeça dos alunos. Alguns até brincavam”ÊPA,SAI DEBAIXO,LÁ VEM A MONTANHA RUSSA!” mas ela só ria meio disfarçada da pretensa ingênuidade da sacanagem deles. Não precisava dizer que ela tinha preferência pelos meninos, sabe-se lá qual a razão, mas ficava mais a vontade entre eles. Talvez por nunca ter se casado e nem tido filhos.


Quando estava meio enlouquecida da vida, Rosalphina ainda colocava na testa, duas vírgulas,com os cabelos, que parecia um chamariz . Era um realce feminino para alguém que tinha plena noção de que a idade, inexoravelmente, estava chegando. Mas ela parecia não ter medo de nada. Entendia da vida quase tudo. Por isso era discreta em suas opiniões. Defendia é claro, com lucidez, seus pontos de vista, sobre educação, família, sociedade. Enfim. Não era nem um pouco hipócrita. Muito menos CATÓLICA, apostólica, romana.
Tanto assim que quando viu a pequena Beatriz, entrar em prantos na escola e se esconder embaixo da bancada do laboratório, foi logo abrindo caminho no alvoroço, acolhendo a menina,com carinho, numa sala contígua, até acalmá-la e obter dela, envergonhada, uma confissão : queria usar calcinha, mas o pai, viúvo e ignorantão, obrigava as filhas a só usarem cuecas, como os filhos, por questão de economia até. O homem tinha 8 filhos, tudo escadinha e a menina, começando a ficar mocinha, não podia se submeter a autoridade paterna nesta questão. “Tenho vergonha do que minhas amigas vão dizer”, balbuciou. “Pode ficar calma, já vou resolver isso”. Rosalphina liderou uma campanha em surdina e logo Beatriz tinha um monte de calcinhas para usar
MAS É HOJE QUE EU PEGO ESTE CABRA DE JEITO OU NÃO ME CHAMO ROSALPHINA! Foi até a casa do pai de menina e disse poucas e boas para aquele ignorante nordestino que já tinha se esquecido de que meninos e meninas passam pela fase da puberdade. E que existe uma diferença fundamental entre usar cuecas e calcinhas. O pai ouviu tudo calado, de cabeça baixa. AÍ DELE SE RETRUCAR!, pensou a professora. Uma lição para o resto da vida. Assim era Rosalphina. Tinha uma filosofia de vida. Sabia da importância de ensinar e de amar as pessoas. A professora foi até aplaudida pela sua coragem e iniciativa.
GENTE, JÁ PENSOU SE ELE TIVESSE UMA PEIXEIRA NA CINTURA, EU ESTARIA MORTA, COM CERTEZA!
Só uma vez, durante um churrasco de final de ano letivo, Rosalphina ( e a bem da verdade, também algumas outras professoras que viviam reprimidas sexualmente), bebeu um pouco mais e teve um pilequinho. Antes de ser levada para casa, ria, ria, mas que ria e gritava – ESTA FESTA PARECE ROMA ANTIGA! ME DEIXEM FICAR MAIS UM POUCO! POR FAVOR!
Deitada na cama, meio adormecida, no quarto em penumbra, agora, com certeza, via no passado,a figura daquele jovem italiano irriquieto, (que uma vez pôs fogo em sua alma), a invadir e aquecer seu coração e mente de mulher apaixonada,vagando numa agradável bruma etílica.POR ONDE ANDARÁ AQUELE NAPOLITANO SEDUTOR?



REFLEXÃO

O HOMEM É O QUE PENSA. SE VOCÊ INSISTIR EM PENSAR NO MAL, NA DOR,NA DOENÇA,VOCÊ OS ATRAIRÁ PARA SI.PENSE NA SAÚDE,NA ALEGRIA,NA PROSPERIDADE E SUA VIDA TOMARÁ NOVO RUMO. AFIRME SEMPRE QUE É FELIZ,QUE AS DORES PASSAM,QUE A SAÚDE SE CONSOLIDA CADA VEZ MAIS E A FELICIDADE BATERÁ À SUA PORTA. SEJA OTIMISTA E PERMANEÇA O MAIS POSSÍVEL LIGADO AO PAI CELESTIAL.