quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

DAIANE E PEDRO; AMOR ENTRE HINOS EVANGÉLICOS!!!


Na Cadeia todos já estavam acostumados a ver, todos os domingos, ás 2 horas da tarde, aquele grupo de fiéis evangélicos, assíduos que eram na visita dominical aos presos. Calor ou frio, vento ou chuva, nada afastava aquele grupo de religiosos, conhecido na cidade pela força de sua temperança e constância, do amor a Deus e ao próximo e, sobretudo, grande misericórdia e compaixão bíblica, na missão de levar um pouco de conforto espiritual, na tentativa, difícil, (deveras!) de salvar aquelas almas da mais completa perdição, naquele fim de linha que representava para aqueles 98 detentos, o duro confinamento para pagar suas curtas,médias ou longas penas, de acordo com o delito que tinham praticado pelas ciladas do destino cruel, dos percalços da vida ou seja lá o que fosse que tivesse acontecido.

“Pescadores de homens serei, de homens serei, de homens sereis, seeeguindo a Cristo, seeeguindo a Cristo, seeeguindo a Cristo, pescadores de homens serei, de homens serei...” Entre hinos e palavras de estímulo e auto-ajuda, sempre citando histórias bíblicas do Velho e do Novo Testamento, aquele grupo de missionários, tentava resgatar para a vida e para sociedade, um deles que fosse já representava uma grande obra divina.

Como domingo era dia de visita de familiares e amigos, todos eles acabavam também recebendo um pouco dessa mensagem de ternura e paz. Mas sempre havia os indiferentes, que ficavam num canto,conversando, rindo, matando as saudades. Eram pais, mães, irmãos, tios, amigos, enfim. As visitas eram curtas, não mais que uma hora, a mesma duração dos cultos impregnados de orações igualmente. Nesses momentos o duro ambiente do cárcere se enchia de uma nova esperança. “Um dia saio daqui e vou mudar a minha vida...” Frases soltas, abraços e lágrimas.


Os presos, homens e mulheres ficavam separados por alas e grades. Alguém pode sentir o cheiro entranhado que parte do interior das celas, do ajuntamento de seres humanos?! Apesar da limpeza diária, com creolina, que os funcionários e mesmos os presos fazem para melhorar um pouco a área central onde os visitantes se reúnem, o cheiro é algo inominável. Parece partir de dentro de um calabouço úmido e fétido, mistura de suor contido, urina e fezes. É insuportável. Acostuma-se? Cheiro de vida não é! De morte! Quase!

Foi num desses cultos, na semana de mais um Natal, que Daiane, 17 anos, conheceu Pedro, 25, quando suas mãos se tocaram,levemente, num raro e rápido momento, ao virar uma página da Bíblia Sagrada, ao ler um versículo, que falava do nascimento, paixão e morte de Jesus Cristo na distante e histórica Galiléia. Todos sentem um pouco de temor ao ficarem perto demais dos presos, nessas horas. Mesmo com a vigilância atenta dos guardas.

Não foi o caso aqui entre eles. Mesmo que timidamente, o coração de ambos bateu um pouco mais forte entre os vãos das grades de ferro. Foi com serenidade, contudo, que os olhos da jovem evangélica e do sofrido preso se cruzaram. Pedro queria estar do lado de fora das grades para poder ficar mais junto dela. Daiane, com recato, mesmo por estar perto da mãe, retribuiu o olhar, deixando, com certeza, um pouco mais de alegria e esperança de salvação no coração de Pedro, que antes de tudo, era e é um ser humano como outro qualquer. História comovente! Com certeza sim! Mas não pensem que foi fácil! Daiane começou, apesar de contrariar um pouco seus pais, a se corresponder, por carta, com o preso. E todos os domingos, ansiosamente, aguardavam para vê-lo. O pastor consentiu, mas aconselhou a ir devagar com este inusitado namoro, para não ferir, com os conhecidos preconceitos, o jovem casal que se amava entre as grades. É o amor superando tudo. Pedro também se percebia, na medida do possível, e caprichava mais no visual. “Está lindo!” disse ela um dia. “Para mim você está sempre linda!” disse Pedro, mostrando um pequeno retrato que ela lhe tinha dado, no decorrer dos encontros. Ganhou roupas novas num Dia dos Namorados.



Por causa da vida criminosa que levava desde adolescente e de maior, o jovem nunca tinha namorado e nem tido compromisso firme com nenhuma mulher. Daiane, muito jovem, nunca tinha passado dos namoricos. Mesmo assim, só na porta da igreja que freqüentava num bairro distante, sob o olhar dos pais e das “irmãs e irmãos”, como se reverenciavam todos naquela seita. A comunidade era rigorosa na preservação da moral e dos bons costumes. Todos eram felizes naquela vida simples que levavam apesar dos problemas e pesares da vida cotidiana. Que passavam no correr dos dias.
Imperando quase sempre uma discreta alegria de viver, como o bom Deus nos dá.
O amor foi num crescente fértil entre Pedro e Daiane.

O conforto vinha, certamente, com hinos, pregações e orações pedindo cura divina. E era o que acontecia com todos, quando afirmavam que “a mão de Deus agiu, sem dúvida”.Aleluia,aleluia!.. Naturalmente haviam algumas diferenças, ciúmes e pontas de inveja gerando momentos de fofoca nas esquinas perto da igreja. Até todos sumirem, após os cultos, nas ruas sem muita iluminação, rumo a suas casas, cuidando da vida, todos os dias.

“Ó que belos hinos cantam lá no Céu... Aleluia, Aleluia...” E foi assim, durante três longos anos, até que Pedro foi libertado, pagando sua dívida com a sociedade. E lá estava Daiane, aos 20 anos, trabalhando como enfermeira num Hospital, o que sempre sonhou para sua vida profissional, na porta da Cadeia, correndo logo para abraçá-lo como nunca tinha feito por causa das grades. “E lá estavam familiares de ambas as partes, parentes, o pastor e todos os irmãos e irmãs da Igreja, num verdadeiro mar de lágrimas”, de tanta emoção, como numa antecipação do casamento que aconteceu, numa tarde gloriosa, iluminada pelo sol da primavera, lotando a igreja de fiéis e muita gente curiosa também. A vida e, principalmente o AMOR, tinham vencido, de forma inconteste. Sem grades, barreiras ou muralhas. Com muita compreensão, carinho e respeito. Simples, como são as coisas simples. E basta isso.

Esta história como existe muitas outras semelhantes, aconteceu realmente. Não me perguntem onde? Por aí... Pela vida...

Existe algo quase semelhante na novela Fina Estampa, onde Agnaldo Silva, o autor, criou um personagem que se entrega à polícia, para redimir de seus crimes e ganhar o difícil amor da jovem Amália, filha de Griselda, conhecida pelo seu grande caráter. Por ser do bem.

Vamos ver o que, no final, vai acontecer ao jovem Rafael que, no capítulo desta semana, ficou preso!

Quanto aos noivos Daiane e Pedro, vieram sua lua de mel, na pacata cidadezinha de Maria da Fé, no Sul de Minas. Ele conseguiu um emprego. Foi difícil, mas conseguiu vencer o preconceito que a sociedade tem sobre os ex-detentos. No batido carro emprestado por um irmão da Igreja, podia se ver, além do famoso “recém casados”, a frase, repleta de ternura – “Todos me seguem, mas apenas JESUS me Acompanha”.

Com toda certeza, concordam?!

sábado, 10 de dezembro de 2011

MORO NUM PAÍS TROPICAL...


Tropical porque moramos num país de CLIMA QUENTE. Brasil. O calor, mesmo no inverno, se impõe muitas vezes. colorido, diverso culturalmente. A sua luminosidade traduz o jeito do brasileiro. Musicalidade, ginga, folclore, alegria constante, misturas. Beleza e emoção que está nas pessoas, no caminhar, na forma de ver as coisas. Samba e futebol, Frevo,FORRÓ,Carimbó, Calipso, música caipira; comidas típicas regionais, acarajés, cantos e cantigas. Amor. País que busca a modernidade, preservando suas tradições. Podemos escrever, escrever, cantar, ENCANTAR, dançar, amar. Tudo traduz este país raro na Terra. Do Amazonas aos Pampas, do litoral às chapadas do interior. Vales, magias, águas, cachoeiras, MISTÉRIOS, gente de todas as cores. COMO NÃO TE AMAR! “Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá e por aí vai, vamos nós... Macumba e Candomblé...ARRE! TCHE!...UAI, ZÉ POVINHO, POVÃO...

PORTA RETRATOS - De uma família -


Viveram a plenitude do final do século XIX e o XX chegando ao XXI, ano 2011. Assistiram a abertura da Avenida Paulista em 1891 e toda a sua grande transformação como centro financeiro da capital paulista, 120 anos depois. No último dia 8 de dezembro – Dia da Família – o enorme clã dos Castro Medeiros de Oliveira Ribeiro estava reunido num hotel comemorando a data, num almoço festivo. Muitos de seus integrantes, é claro, já tinham morrido e estavam enterrados no Cemitério da Consolação. Os vivos estavam ali, os anciãos e a última geração, bem jovens e cheios de vitalidade, descendentes de Germano e Filomena, depois de se integrarem e formarem suas novas famílias.

A coleção de porta retratos ocupa ainda um lugar especial no apartamento de andar inteiro localizado da Rua Frei Caneca. Um prédio datado dos anos 50, portanto bastante sólido e cheio de histórias. Era o lugar especial da tri neta Mariana, estudante de História na PUC – Pontifícia Universidade Católica. Ela era o resumo de toda uma grande família de classe média paulistana. Várias gerações viveram a 1ª. Grande Guerra Mundial ( 1914 a 1918), a Revolução Constitucionalista de 1932, a 2ª. Grande Guerra Mundial (1939 a 1945), a construção e inauguração de Brasília (1955 a 1960) e vários acontecimentos político - sociais econômicos e culturais do Brasil e do mundo. No mundo das artes viram a chegada do cinema, do cinema falado, colorido, a Era do Rádio e da TV, etc e vários avanços da ciência e da medicina.

Sérios, graves ou muito alegres as fotos dizem por si. Até nos momentos de grande dor pelas perdas e danos que acontecem a todas as famílias, as fotos revelam o caráter sólido e a firmeza moral de seus integrantes. Todos muito unidos e lutando por conquistas, a família compartilha, sem muitas desavenças, todos os bons e maus momentos da vida. Mariana, embora solteira ainda aos 29 anos, tem sonhos de formar família com um colega da faculdade, onde faz mestrado em história das famílias brasileiras. Irrequieta, dona de uma rara inteligência e sensibilidade, briga pelos seus ideais e adora os sobrinhos. Com olhos claros e cabelos castanhos quase loiros, Mariana é o resultado da mistura genética intensa da família: brasileiros descendentes de italianos, sírio libaneses, alemães, japoneses, judeus, ibéricos, poloneses,ingleses e franceses. Que professam religiões católica, protestante, espírita, budista e outras seitas.

São tolerantes e amistosos, discordando pouco em algumas questões. Não são, de maneira alguma, fanáticos ou supersticiosos. De fina educação, respeitam o próximo sobremaneira. Crêem firmemente em DEUS. Compartilham, em misericórdia e compaixão, com todos os seres humanos. Mariana adora cães e gatos. Talvez, por isso, não tenha decidido se casar ainda. Vários pretendentes já fizeram corte amorosa. Mas, delicadamente se esquiva de compromissos mais sérios.

Uma família que viu São Paulo crescer e se tornar uma metrópole. Fotos emolduradas por lembranças inesquecíveis de passeios ao Rio de Janeiro, Caxambu, Poços de Caldas, Santos e Guarujá, Salvador, Aparecida, a Cidade Santuário, a Recife, Porto Alegre; Buenos Aires, Paris, Roma, Londres, Madri, Lisboa, Nova Iorque ou simplesmente fotos caseiras de almoços, churrascos em família, em jogos de futebol, em praias ou piscinas, no campo ou na cidade, como aquela em que aparecem vários de seus tios e tias namorando nos anos 30, no Parque Trianon, onde hoje se situa o MASP na Avenida Paulista.

Mariana tem paixão verdadeira por todos aqueles porta- retratos e álbuns que ficam guardados num armário numa saleta. São fotos que contam uma história, a história de sua família extensa. Para ela, admirar aquelas fotos são momentos de indescritível prazer e beleza, de sonho e de amor revelados ao longo do tempo.
Talvez uma forma diferente de meditar e refletir sobre a importância da família, nos violentos dias que passamos, em meio à indiferença entre as pessoas,cada vez mais crescente.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

UMA DAS MENSAGENS MAIS LINDAS E VERDADEIRAS QUE JÁ VI!


Meu amado dono, Minha vida deve durar entre 10 e 15 anos, já estou com alguns anos.Qualquer separação é muito dolorosa para nós. Não fique zangado por muito tempo e não me prenda em nenhum lugar como punição.
Você tem seu trabalho, seus amigos e suas diversões.
EU SÓ TENHO VOCÊ!
Fale comigo de vez em quando.Compreendo muito bem o seu tom de voz e sinto tudo o que você está dizendo. Ficará gravado em mim para sempre, jamais esquecerei.
Antes de me bater por algum motivo, lembre-se que tenho dentes que poderiam feri-lo seriamente, mas que jamais vou usá-los em você.Jamais!
Antes de me censurar por estar preguiçoso ou teimoso, veja antes se há alguma coisa me incomodando. Talvez eu não esteja me alimentando bem. Posso estar resfriado ou, ainda, meu coração pode estar ficando mais fraco…
Cuide de mim quando eu ficar velho e cansado – Por favor, NÃO ME ABANDONE!
Tudo é mais fácil para mim com você ao meu lado.
Me ame, pois independente de qualquer razão, eu lhe amarei para sempre!

domingo, 27 de novembro de 2011

É NATAL...

HORÁRIO DE VERÃO


De 16 de outubro de 2011 a 26 de fev. de 2012. Primavera e o domingo, aniversário da irmã menor, foram bastante chuvosos. Apesar do novo horário que atrapalhou e confundiu a vida de muita gente, a chuva trouxe uma nova e repentina poesia ao que antes estava ressequido e quase sem vida.
A Bahia também foi incluída, pela primeira vez, no horário que deixa as noites curtas e os dias bem longos.

Tereza acordou bem cedo para a vida neste domingo e decidida a mudar o rumo de sua vida. Afro descendente, embora de família simples, já tinha concluído um curso de Nutrição na Unicamp, com a ajuda de custo do governo e de um padrinho, funcionário da Prefeitura de São Paulo, viúvo e aposentado.
Ela já sabia dos quitutes saborosos que sua avó preparava e vendia na Baixa do Sapateiro, em Salvador e quando criança ficava ali, por perto, vendo as alegres e hospitaleiras baianas, com seus coloridos trajes típicos e sorrisos alvos recebendo os turistas.
Sabia da tradição mantida pelos seus ancestrais de longa data. Desde que pisaram a Roma Negra, vindos de Angola, na África. Dadá, sua tia, já é famosa com seu restaurante típico com filiais em SP, no Rio e em Brasília, onde serve pratos típicos nos banquetes oficias do Itamarati e em várias embaixadas. E recebe sonoros elogios.

Dadá começou vendendo vatapá, acarajé, caruru e outras iguarias em feiras na capital baiana. No Mercado Modelo eram seus fregueses, entre outros, o escritor Jorge Amado e sua mulher, a escritora Zélia Gattai. A fama da família cozinheira já percorre os quatro cantos do Brasil e do mundo.

Tereza sonha em percorrer o mesmo caminho de sua avó, de sua mãe e de outras mulheres da família, preparando pratos típicos “de se comer rezando”, usando uma frase de efeito muito em voga hoje. Tem planos de renovar as receitas culinárias antigas da família, com o que aprendeu no curso na Unicamp. Ela já sabe fazer uma moqueca de siri mole que deixou babando os mestres e colegas da faculdade. Mas quer voar bem mais alto ainda: montar em Londres e Paris, um restaurante típico baiano – AS BAIANAS -.

Por isso, neste domingo, ela arrumou suas malas e mudou-se de vez, para São José dos Campos, no Vale do Paraíba, onde tinha pesquisado o mercado de trabalho e conhecia, de perto, o grande desenvolvimento da região. Tinha nas mãos uma grande relíquia jornalística deixada por outra tia – a revista Realidade – Editora Abril, de meados dos anos 60, onde uma reportagem especial já falava da futura e primeira Megalópoles brasileira unindo pelo Vale do Paraíba, a SanRio – São Paulo e Rio num grande corredor de desenvolvimento global.


Várias fábricas, empresas, hotéis, resorts, escolas técnicas, faculdades e shoppings estão abrindo vagas e dando oportunidade de trabalho para muita gente talentosa, disposta a vencer na vida e nas profissões que abraçaram. Uma amiga sua, de Jacareí, estava entusiasmada com o crescimento da região, que inclui ainda o Litoral Norte, por causa da implantação de obras do Pré Sal, da Petrobrás e do crescimento do porto de São Sebastião. O enorme Serramar Caraguá Shopping abriu suas portas dias atrás. O “boom” imobiliário comprova isto: muita gente vindo morar e trabalhar na região, começando uma vida nova.

Com o diploma de nutricionista debaixo do braço e algumas referências já estava praticamente empregada num grande hotel que se especializara em atender a clientela formada por comerciantes, empresários, engenheiros e técnicos de várias firmas que estão se instalando em Jacareí, São José dos Campos e Taubaté. Cheia de entusiasmo passou em frente ao novo Hipermercado Wal-Mart, de Jacareí, uma rede americana mundial, que, sem dúvida, é o maior exemplo desse grande desenvolvimento ao longo da Via Dutra, entre as duas maiores capitais do país: São Paulo e Rio.

Tereza ficou com sua auto-estima e autoconfiança nas alturas, ao ver nesta semana, a homenagem feita no Dia Nacional da Consciência Negra, em várias firmas, escolas e nos meios de comunicação de massa do país e da região. Sentiu bem perto a presença espiritual de seus ancestrais e de um vibrante batuque no coração. Com um sorriso enorme estampado no belo rosto e lágrimas de alegria de uma pessoa vitoriosa, gritou bem alto prá todo mundo ouvir:

AQUI É MESMO O MEU LUGAR... VOU MOSTRAR PARA ESTA GENTE O QUE É QUE ESTA BAIANA TEM!...O SABOR E A ALMA DA BAHIA NOS PRATOS QUE VOU PREPARAR!.. PARA NUNCA MAIS NINGUÉM ESQUECER!...

CENAS E DIÁLOGOS PARA PROVÁVEIS NOVELAS DE TV –


Cenário: a Estação da Luz, nos anos 20, SP. A personagem, Mariana, de vinte e poucos anos, vai se despedindo do namorado engenheiro Júlio, 32, que parte para uma nova missão: a construção de mais uma etapa da Ferrovia Paulista, rumo ao Oeste, Mato Grosso e, provavelmente, até a Bolívia. O trem dá partida, em direção ao interior do Estado lentamente. A namorada caminha pela plataforma seguindo, com o olhar, o namorado, na escada do vagão de passageiros, que já não sabe mais o que faz, lutando com suas emoções divididas, se fica ou parte.

Lágrimas vêm aos olhos de ambos junto com juras de amor – eu voltarei meu amor, juro e seremos felizes, você vai ver. Agora o trem já está mais rápido. A personagem também acelera os passos, sempre encarando o olhar do também apaixonado namorado, ambos tentando parar o tempo, não aceitando mais as separações que já sofreram, por conta do preconceito social: ela, de família humilde, descendente de italianos e ele, de família tradicional, tipo quatrocentona. Ela da Mooca e ele, da Avenida Paulista, morador em uma mansão.

É quando, de repente o namorado a puxa para dentro do vagão e o trem agora segue velozmente deixando a estação para trás,a metrópole que cresce, deixando tudo que sofreram. Abraçados, segurando arriscadamente o corrimão da escada, segue longo beijo. “Veja o que você fez meu amor!”, diz a namorada, com o coração disparado. O namorado, “eu sei, meu amor, mas nada mais há de nos separar Seja o que Deus Quiser”... O trem some na curva, levando para sempre e para bem longe o casal, dando um longo apito. Vida nova, nova vida!...Um grande amor a ser vivido... Música ao longe...

O CASARÃO


Guarda uma história aquele casarão caindo aos pedaços...

Naquele bairro de classe média baixa, os moradores quase nunca olhavam com mais curiosidade, aquele casarão de tijolinhos marrons, tipo chalé suíço, com seis portas, seis sacadas com janelas brancas, um grande mirante e até um sótão onde pombos e pombas faziam seu ninho de amor.

Algumas pessoas diziam que ele estava ficando mal assombrado, pois juravam ter visto nas noites de lua cheia, o vulto branco de sua antiga dona, que ali vivera sozinha, escondida das maldades do mundo e da inveja de todos. Heléne era holandesa, mas morou muitos anos na França, antes de Paris ser ocupada pelos alemães nazistas. Integrava o elenco do famoso show internacional do Holliday On Ice, entre 1937 e 1942

Depois de uma apresentação em Cannes, no sul da França, conseguiu fugir, de barco, pelo Mediterrâneo, para Portugal, escondida, com parte do elenco e várias outras pessoas, ajudadas, em Lisboa, pelo embaixador brasileiro e depois Senador Dantas, para chegar ao Brasil. Foi uma fuga desesperada e cheia de riscos, com passaportes falsificados, envolvendo membros da Resistência francesa, que ajudavam na fuga e desconfiados colaboracionistas do regime de Hitler.


No alto da grande lareira, só acessa no inverno e mesmo assim nos dias mais frios, no enorme salão agora vazio, coberto de pó e teias de aranha, ficavam os retratos da sua juventude atestando sua grande beleza nórdica e fina educação em Colégio na Suíça. No Brasil, em Manaus, conheceu, namorou e se casou com Abel, um engenheiro civil de Rondônia, que tinha trabalhado, com americanos, na Fordlândia.

A cidadela, que explorava a borracha, já estava entrando em decadência, mas ainda rendia lucros para a família de Henry Ford, idealizador do empreendimento em plena Amazônia, no começo do século XX, quando Manaus passou a ser conhecida como “A Paris dos Trópicos”. A ferrovia Madeira – Mamoré, também já se despedia de sua época de glórias e boa parte dela ficou abandonada.

Durante as madrugadas que anunciava tempestade, a ventania também parecia sussurrar o nome de Heléne pelas laterais do imponente prédio que levou vários anos a ser construído, pelo casal, com muito empenho, dedicação e amor na pequena vila de São Bento do Sapucaí, entre l949 e 1952. O casarão tinha privilegiada vista para a Pedra do Baú, em Campos do Jordão. Pelos arredores da cidade o casal fazia longas caminhadas, sob o sol de inverno. Prática salutar continuada, anos depois, pelos quatro filhos: Henry, Abelardo, Helena e Hebe. Anos da mais intensa felicidade. Uma família brasileira verdadeira.

Os pais de Heléne conseguiram chegar aos Estados Unidos e, depois de alguns anos, ao Brasil, vivendo no casarão por vários anos e, mais tarde, no Sul, em Joinville. Não tiveram, porém, a mesma sorte, seus avós, vítimas do Nazismo, nos campos de concentração. O mesmo acontecendo com vários parentes dela que moravam na Iugoslávia.
O casarão, tão mal compreendido pelos moradores, “praquê essa imponência toda!”, diziam os invejosos, tinha histórias e mistérios. Mesmo se dedicando à filantropia, na pequena cidade, ajudando asilos e albergues. Heléne começou a se sentir muito só, surpreendida que foi, pela traição do marido que a trocou, assim sem mais nem menos, por uma ambiciosa jovem atriz carioca das chanchadas da Cinedistri, vinte anos mais nova que ela, numa de suas viagens ao Rio, a negócios. A partir de tristes acontecimentos, como este, o casarão começou a definhar, morrendo aos poucos...

Algumas pessoas que a conheceram atestam sua lealdade e ética, pois as ruas de dois grandes bairros da cidade receberam, por sugestão dela, junto à Câmara de Vereadores, nomes de países europeus e de estados brasileiros e norte americanos. Era a forma que Heléne encontrou para homenagear suas origens européias, a América e o Brasil que a acolhera e a seus pais.

Nunca de conformou com a traição do ex- marido que, anos mais tarde morreria de câncer da próstata. Sua solidão ficou mais agravada ainda com a morte de sua filha Hebe, num grave acidente de carro em São Paulo. Uma de suas netas ficou paraplégica.

Só e desamparada, com a idade já meio avançada, Heléne, balbuciando palavras em português, holandês e francês e incapaz de entender a origem daquela inveja de pessoas que ela realmente estimava ou simplesmente gostava por uma questão de civilidade, fechou para sempre aquele casarão, guardando a sete chaves, a sua memória e começou a vagar pelas ruas da cidade. “Lá vai a louca do casarão!”, comentavam, sem piedade, as pessoas.

Uma madrugada, portas e janelas do casarão abandonado, misteriosamente se abriram, com uma estranha ventania que assustou os moradores das ruas próximas. “Credo!” diziam os supersticiosos, mais alarmados, no escuro de suas casas, olhando pelas frestas.

Todas as luzes estavam acesas e, no salão principal, parecia estar acontecendo um grande baile, com uma valsa sobrenatural, jamais ouvida pelas pessoas. Muita alegria circulava no interior do prédio. Vozes e tilintar de taças. E, no alto, o que parecia ser uma grande pista de patinação no gelo, onde uma fantástica Heléne exibia airosamente todo seu talento de dançarina.

No dia seguinte e por semanas a fio foi grande o comentário no bairro. “O que teria acontecido naquela estranha noite, no velho casarão abandonado?!...”

Heléne nunca mais foi vista...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

" APELIDOS '.


No romance “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de Jorge Amado,(e depois filme de Bruno Barreto), numa cena hilária de seresta onde Vadinho e um grupo de músicos tocam e cantam “Noite alta céu risonho, aqui tudo é quase um sonho...”, para pedir perdão a Dona Flor, aparece o personagem Cazuza Funil e um dos palavrões mais sonoros já ouvidos na tela grande, num filme genuinamente brasileiro

– “Meu nome é Epaminondas Cardoso de Moraes, Cazuza Funil é PQP!”

O personagem porreta, no livro de JA, tinha este apelido por viver bêbado pelas ruas de Salvador. A história se passa no ano de 1943, após a morte de Vadinho ( José Wilker), que era casado com Flor ( Sonia Braga).

Existem vários apelidos por aí que deveriam ser relembrados, por suas histórias. Exemplos: Margô Bola de Cristal,(vidente) Generosa ou Jeanne Rose, (porque não gostava de ser chamada de generosa e virar motivo de risadas entre os rapazes ),Bedé Garcia,Bacurau, Zé Cupido, Zé Calipiá,Zé da Véia, Seu Princípio, Professor Claro Que,Maria Pelé,Baiano,Zé Porva e Zé Porvinha (trabalhavam numa fábrica de fogos e numa explosão, o mais velho perdeu a mão), Mineiro,Dito Cipó, Dito Leiteiro, Zé Bebeu, (Era Zebedeu, mas como exagerava na caninha e ficava falando abobrinhas ficou conhecido assim), Zé do ET(Jura que viu e conversou com um deles, em Varginha).

E também apelidos como: João Três x oito (apelido gay),Bil, Zap, Maria Pé de Ferro, Geraldo Bandecu, Moacir Quiquifoá, Fernandona, Jair Bomba, Zé Cadela, Marilda Black Is Beautifull,( se amarra em negão) Paulo da Lambreta, Joana das Cocadas,Tica, Dita Saravá, Berruga,Deixa que eu chuto (manco),Macuco, Gaguinho,Zé Buscapé,Maria Batalhão,Maria Pelé, Rosa Boca Doce,Lola,Sorriso Vazio (banguela),Pau de Virar Tripa ( magrelo), Doca, etc.

MEU QUINTAL;MEU MUNDO


Todos deveriam ler e meditar sobre o pequeno livro MEU QUINTAL, (textos e desenhos) de Edna Cassal, Cissa Regina e Luciane Recieri, resultado de um projeto poético e exposição educacional que focaliza o Viveiro Municipal de Jacareí.

Ganhei um exemplar autografado. Estou sempre lendo e admirando o colorido, “com um olhar atento ao verde que ainda temos”, como alertam as autoras. Sintam – “Entre bambu que entrelaça e me abraça, florefesta não me sinto tão só, viver e sentir feito árvores, virar a vida do fundo do chão...” E por aí vai...

UMA VERDADE QUE DEVE SER GRITADA AOS QUATRO VENTOS: “Todos nós podemos através da arte modificar atitudes e transformar nossos caminhos, idéias e vivências”

Parabéns, meninas!