quarta-feira, 2 de abril de 2014

Saudades de um Brasil na memória de todos.



Em nome da história e da tradição hoteleira no país, sou da opinião que se deve manter os nomes originais destes 2 ícones turísticos e brasileiros: o Copacabana Palace Hotel (da tradicional família Guinle) e o Hotel Gloria, no Flamengo.
Grupos empresariais poderosos estão querendo mudar os nomes dos dois hotéis. Muitas pessoas não concordam com isso.
Na minha infância levado pelos meus pais, passei as minhas primeiras férias no Rio de Janeiro. Uma tia minha, já falecida, que morou muitos anos no Rio, com ajuda de uma amiga, funcionária dos dois hotéis, me levou a conhece-los de perto e na recepção fiquei deslumbrado com o luxo dos 2 hotéis que hospedaram gente famosa do mundo todo, entre eles muitos presidentes, estadistas e artistas de cinema. Os bailes de carnaval nos dois hotéis eram referencias na alta sociedade do mundo todo. Jamais esqueci esse dia, mesmo porque estava caindo uma chuva fininha naquele tórrido calor carioca. Depois, já adulto muitas vezes passei em frente de ambos, na descoberta do mundo. Na minha memória de jornalista e educador, continua o encantamento.

Meu planeta quintal

Depois de algum tempo, volto a postar no blog um pequeno pedaço da natureza.
























Meu quintal, minha fonte de inspiração.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

AVENTURAS DE BATE VOLTA,UM CÃO FILÓSOFO


Naquela manhã, meio chuvosa,ao acordar, num canto da praia de São Francisco, em São Sebastião, Bate Volta se deparou com a costumeira vasilha de comida que o Frei Lázaro tinha lhe deixado, bem perto de sua boca. “Ah, como é bondoso esse frei, nunca deixa os cães que batem à sua porta, ficar com fome!”Pela portinhola que dá acesso ao convento, viu que os freis já estavam rezando, compenetrados.Eles rezam por um mundo melhor, pensou, pois estava meio chateado com a vida canina, pois na tarde anterior teve que apartar uma briga feia do casal Rambo e Rumba, sem raça definida como ele, amarelo, por ciúmes de uma outra cadela que apareceu, ninguém sabe de onde, toda lampeira, no cais das balsas de Ilhabela. “Eu não devia ter me metido em briga de casal. Agora eles não vão mais falar comigo por uns tempos, mas deixa prá lá”.



Estava com a barriga roncando de fome pois quase raspou a comida na pequena tijela. Bebeu um pouco de água, esticou o corpo como alongamento para se animar e livrar a mente das trevas da noite, pois tinha tido um sonho estranho durante a madrugada, como se alguém o tivesse chutado violentamente, mas não se lembrava muito da cena. E assim saiu para o dia meio cinzento e ficar indo e vindo nas balsas entre São Sebastião e Ilhabela. Início de inverno, junho de 1959, mas não estava muito frio ainda.”Vamos ver o que vai acontecer na minha vida hoje?”pensou, latindo meio alto para que todos os outros cachorros de rua percebessem ali a sua presença, demarcando território.

Ao chegar ao cais percebeu que um velho cargueiro panamenho tinha ancorado de madrugada, com a proa voltada para norte, descarregando carne dos frigoríficos do Rio Grande. O cheiro da carne aguçou o seu faro e, num descuido do marinheiro, penetrou no navio por uma escada baixa.Tinha a intenção de sair logo sem ser notado,assim que abocanhasse algum osso ou pedaço de carne. Mas não percebeu que já estava desatracando e deixando o canal para seguir viagem. Só escutou alguns apitos do vapor. No convés da proa só viu ao longe a cidade e a Serra do Mar, meio encoberta por nuvens brancas. “E agora meu Deus, vão me jogar do mar, que é que eu faço!” Pensou nos amigos, mas agora já era tarde, o melhor que tinha que fazer era se esconder em algum lugar do porão, para evitar o pior, pois, de repente, tinha virado um cão clandestino. Só deu tempo de ver uma revoada de albatrozes e quero – queros grasnando furiosamente, como se tivessem dando gargalhadas de sua imprudência.



Depois de percorrer longos corredores, só ouvindo o roncar das máquinas, escolheu um cantinho quentinho atrás de uma das caldeiras. Adormeceu rápido como se quisesse esquecer a besteira que fizera ao entrar escondido no navio. Só depois de quase um mês é que o marinheiro Deusdará, um pernambucano calejado em viagens marítimas percebeu a presença de Bate Volta, meio arredio, assustado com medo de ser jogado no mar. Começou a fazer mesuras, latindo baixo e se rastejando, demonstrando humildade até se aproximar das pernas do marinheiro, que, ao contrário do que pensava, começou a alisar seu pelo, carinhosamente. “Vem cá meu bichinho, vem aplacar também a minha solidão no mar!”. E assim o cão percebeu que tinha conquistado um amigo e esse não lhe faria mal nenhum. “Você está um pouco magro, vem cá, vou lhe dar comida!”. Até então o cachorro só tinha comido, às escondidas, sobras da cozinha do navio e bebido água de chuva empoçada no convés. Rapidamente voltava a se esconder.Agora estava seguro e virou uma espécie de mascote podendo ir e vir a hora que quisesse pelo longo convés e outras partes do navio. Só evitava as bocas das fornalhas ardendo em fortes labaredas, em roncos assustadores. “Parece o inferno!”, pensava Bate Volta, saindo de fininho com o rabo entre as pernas.



Ganhou a amizade da marujada e quando o barco cruzou a Linha do Equador, como é de costume no mar, Bate Volta foi até homenageado, ganhando várias carícias na cabeça e farta comida, principalmente muito peixe frito ou cozido de Tanisho,o cozinheiro chefe, chinês de Hong Kong, há muitos anos no mar, assim como os comandantes, verdadeiros lobos dos Sete Mares. “Foi Netuno que mandou você para nos alegrar, Bate Volta”, disse, afirmando perante todos que ali estava um cão muito especial, amigo, companheiro fiel. Um dos marinheiros, depois de um certo tempo, descobriu seu nome. “É o cachorro do cais de São Sebastião, só pode ser ele! Muitas vezes eu vi ele por ali. Todos gostavam dele, até as meninas do Cabaré da Zilda, em Ilhabela, que tinham por ele verdadeira afeição. Latia, avançava e mordia a perna de algum marinheiro que, bêbado,quisesse bater numa delas”.



E assim Bate Volta deu a volta ao mundo. Em Cuba assistiu o desfile da Revolução feita pelos comunistas Fidel Castro e Che Quevara. Não entendia nada daquela movimentação toda, mas percebeu a alegria dos marinheiros embriagados da liberdade que proporcionava aquela mistura de Rum de Havana com Coca Cola americana, limão e gelo. Ficou um pouco bêbado também quando um marinheiro colocou um pouco numa tigela, para ver se ele gostava. Descuidou a pon to de cair no mar. “Cachorro ao mar, cachorro ao mar!”,gritou Zé Carioca, pulando na água e resgatando Bate Volta. Deitados no cais, secando ao sol, parecia que homem e cão riam à toa, etílicos que estavam, uma farra sem outras conseqüências, enquanto num bar do cais rolava um rififi daqueles, envolvendo mulheres da vida e militantes pró e contra a ditadura socialista que estava começando naquela ilha do Caribe. “Bate Volta, deu um longo suspiro depois de muito tempo. “Como estarão Rambo e Rumba?” Bateu a Saudade.



Em Nova Iorque, numa folga do navio, percorreu o Harlem e ouviu muita música Negra. Foi parar em Times Square. Pela enorme alegria e dança coletiva das pessoas que se abraçavam e se beijavam, Bate Volta, pensou “Só pode ser final de ano. “Happy New Year”, diziam as pessoas, ao som de Jazz. Passeou pela 7ª.Avenida e percorreu a Broadway, admirando enormes letreiros daqueles musicais famosos como “Hawai”, com a estrela Mary Martin e “West Side Story”, com Rita Moreno. Assistiu a um Tributo a Josephine Backer, a dançarina, cantora e atriz norte americana, a “Venus Negra”, que abalou a França nos anos 20 e 30. Sempre em companhia dos marinheiros, voltou para o navio. Ainda deu a volta e chegou a São Francisco, no Oceano Pacífico, passando por baixo da ponte Golden Gate. “Grande, muito grande”.No cais onde o vapor ficou atracado por alguns dias, ficou amigo de Elvis Presley e Natalie Wood, estrelas de Hollywod, num set de filmagem de “Férias do Amor”. Todos queriam ficar com aquele cão amarelo sem eira nem beira.



Não deu tempo. O navio já estava apitando para voltar para o “Brazil”. O coração de Bate Volta se acelerou e ele quase teve um treco quando, percebeu que era isso mesmo pela voz do seu amigo Deusdará – “Oh Yes, Oh Yes my friend Bate Volta!, estamos voltando para o Brasil”. Bate volta ficou tão alegre, mas tão alegre que acabou mixando no convés, correndo, prá lá e prá cá, lambendo a mão do marinheiro que também ria de satisfação, pois já estava longe da família no Rio de Janeiro, há meses.



O navio parou antes em Recife e Salvador,onde Bate Volta passou, com Tanisho,o cozinheiro de bordo, em frente ao Teatro Castro Alves, onde um teatro de revista homenageava Carmem Miranda. “Estou perto, estou chegando...”, latia o cão tão animado que uma baiana, vendendo acarajé e vatapá na porta do teatro, comentou – “Nossa, será que este cão está fazendo propaganda da peça, pois parece estar rodopiando e cantando ‘Tico-Tico no Fubá’” na calçada.



Uma semana depois,com sua carga de sonho e fantasia,o navio adentrou o canal de Ilhabela e ancorou no porto de São Sebastião. Com o coração na boca, latindo, latindo, de pé no convés, não podendo mais agüentar, Bate Volta voltava prá casa. Viu no cais, como num filme musical, Rambo e Rumba e a cachorrada toda de Ilhabela e São Sebastião dançando e latindo animadamente, esperando por ele. Muitas pessoas, homens, mulheres,os franciscanos e, naturalmente, muitas crianças, gritavam “Viva Bate Volta, Viva, vem prá rua, vem,vem prá rua!”. Como num passe de mágica, todos tinham sido convocados para assistir a chegada de Bate Volta. Estranha rede social esta feita com muito amor, ternura e sensibilidade, numa época em que a Internet ainda estava engatinhando. Faro, puro faro, sentidos que extrapolam qualquer noção de conhecimento, sem sombra de dúvida.



E naquela barbearia, próximo do centro histórico de São Sebastião, assim continua escrita esta mensagem única –



“Desta vida, deste mundo,nada se leva. Só se deixa. Então deixe o seu melhor sorriso, seu maior abraço, sua MELHOR HISTÓRIA, toda COMPREENSÃO e do AMOR a MAIOR PORÇÃO”.



Alguns anos depois, no final de sua vida, que chega para todos nós, seres viventes, Bate Volta partiu, chorado por muita gente. Ele que era amado, adorado, estimado por muita gente nesta terra, foi enterrado nas areias cálidas da Praia Deserta, com honras de herói dos Sete Mares. Na última hora, alguém,discretamente colocou em sua cabecinha amarela, como derradeira homenagem, um boné de Marinheiro. Vai com Deus, “Véio”. Conosco ficará apenas, como inesquecível lembrança, seu pequenino, mas grande coração.



quinta-feira, 11 de abril de 2013

UM CACHORRO CHAMADO BATE VOLTA



A mão forte do atracador portuário me ajudou a subir na balsa, porque o mar, naquela tarde nublada de verão, com forte ventania, prometendo chuva, estava mais agitado do que o normal. Muitos turistas e moradores vindos de Ilhabela ocuparam os acentos disponíveis nas laterais, enquanto bicicletas, motos, carros, bugs e pick ups, entravam e se posicionavam no centro para descerem rapidamente no cais de São Sebastião. Percebi o cuidado profissional que ele tinha com as pessoas, principalmente crianças e idosos, alertando sobre o mau tempo e o balanço das ondas.
Foi aí que pude ver um cachorro, o mesmo da ida para Ilhabela. Percebendo minha curiosidade o atracador disse “Ah! Esse aí é o Bate Volta, vai e vem com as balsas o dia todo e já estamos acostumados” Com um olhar distante parecia admirar, como os turistas, o mar, os luxuosos iates e lanchas, os grandes petroleiros ancorados e a maior e mais bela ilha do Atlântico Sul se distanciando aos poucos.
Bate Volta, nome original para um cachorro comum, de um amarelo desbotado, acostumado a receber afagos de todos e   abanar o rabo com satisfação. Não estava sujo com os cachorros de rua, abandonados. Engolia rapidamente pedaços de pão e biscoitos jogados pelas pessoas. Acho que assim ficava se alimentando o dia todo. Navegante solitário,poderia ter sido um pirata do Caribe ou bucaneiro dos Sete Mares em vidas passadas?! E Agora estava ali, já há alguns anos, cumprindo parte de seu destino nesta vida.
Solidária, um pouco temerosa com a travessia, uma jovem professora sentou-se ao meu lado e acariciou o cão que se acomodou aos nossos pés. “Tenho em casa, praia do Engenho D’Água, dois cães de raça Labrador e dois Vira Latas que convivem numa boa. Eu e meu Mario Cláudio nos acostumamos a criar cachorros e agora a nossa vida é assim. Levamos eles uma vez por semana a brincar na praia e se divertem nadando. È uma alegria vê-los assim. As pessoas não deviam maltratar e nem abandonar seus animais, pois  eles têm enorme admiração pelos seus donos e sofrem com isso, se pudessem sentir seu coraçãozinho.”
Com Bate Volta, que vai ficar sempre na minha memória, também deve ser assim. Ficou amigo dos atracadores do DERSA e dos turistas e moradores das duas cidades. Nunca vai estar só, creio, pois é um cão de bom coração e de bem com a vida.O refúgio de Bate Volta, conforme explicou o atracador é no Condominio dos Franciscanos, na Praia Deserta.
Ele sabe se defender e deve ter espalhado muitos filhotes por aí. Desejo que tenham sido acolhidos por pessoas de boa  índole, como a jovem professora e seu marido que escolheram Ilhabela como refúgio. Bate Volta decidiu ficar perambulando nas balsas. Um cão filósofo, diferente, como mostram alguns filmes que deixam as pessoas comovidas, até as lágrimas, saindo dos cinemas.
Tenho uma amiga, Cecília, que cria 16 cachorros e cachorras num amplo quintal. Uma outra, que mora sozinha, não se importa de ter que limpar todo dia coco e xixi de seus 4 cães. Quando ela chega em casa, depois do trabalho, é sempre uma festa. A casa parece estar sempre iluminada, bem guardada e em paz.
 
  

Fiquei olhando a outra balsa se distanciar levando Bate Volta em sua viagem cotidiana.  No seu vai e vem o dia todo. Algumas vezes fica nadando com os meninos pobres que se jogam das pedras na água, como único divertimento. Fiquei pensando também que as pessoas deveriam ser como aquele atracador que, com sua força, agilidade e habilidade, desembarca os passageiros deixando-os seguir seus caminhos sãos e salvos. As estradas desta vida, muitas vezes, têm trechos ingratos.
Se pudesse entender, o que Bate Volta teria a dizer ao ver a enorme faixa de protesto “Porto Não”, colocado por ambientalistas contrários à ampliação do porto de São Sebastião, num paredão da ilha, para que todos possam ver.
E o que ele estaria sentindo, esta semana, com o devastador estrago causado nas praias do Litoral Norte por um vazamento de óleo motivado pelo defeito na válvula de um navio atracado no porto de São Sebastião?Vários cães, seus amigos, que moram em baixo do cais ficaram todos sujos de óleo, coitados, um horror, pois entraram na água desprevenidos.
O óleo prejudicou também o ganha pão dos pobres pescadores que vão quase ao alto mar para trazer os melhores peixes à nossa mesa.  Há mais de dez anos não acontecia um desastre ecológico desse porte.
Com certeza Bate Volta regressou cabisbaixo ao seu refúgio na portaria do Condomínio dos Franciscanos, onde depois de uma tigela de sopa quentinha, dada pelo Frei Lázaro, dorme, mas vigia o sono dos religiosos ali instalados. Com todo o seu afeto de cão. Um cão chamado Bate Volta. Uma gratificante lição de ternura. Uma a mais, dando força à nossa jornada neste mundo.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A OUTRA FLEUR DO CARIBE






Base Aérea de Natal – Rio Grande do Norte – 7 de setembro de 1943



“O que esta carioca metida à besta está fazendo aqui se nem mulher de oficial ela é!” Anabela realmente não tinha sido mulher de oficial da Aeronáutica, mas fazia jus ao nome. Era linda de doer. O que causava muita inveja e ciúme nas imponentes mulheres bem ou mal casadas com militares das mais altas patentes, em cima do palanque com seus vestidos brancos ou coloridos, luvas e orquídeas no decote. Tudo bem tropical.

Era viúva de um reles, mas esforçado 1º.sargento, mulato sarará atlético e de grandes olhos verde – mar, que tinha, infelizmente, morrido numa epidemia de tifo em Recife ao beber, desprevenido, água contaminada de uma cacimba, ao lado de uma pista de pouso do recém inaugurado Aeroporto de Guararapes.

O fato é que Ana ficou viúva aos 26 anos e com um único filho de cinco anos para criar. E lá estava ela, elegantérrima, ao lado do palanque oficial jogando os cabelos louros ao vento, com óculos escuros Ray- Ban, por causa do sol, nesta terra de Deus e o Diabo, rodeada de militares, que, querendo chamar sua atenção, agradavam e pegavam o garoto no colo, com sua roupa de marinheiro.

Ela sabia, entretanto, da infidelidade do falecido. Por ser também belo, musculoso e atencioso com as mulheres, vivia de namoricos com várias mulheres de oficiais, traçando mesmo algumas delas, na ausência dos maridos, em missões aéreas na costa do Atlântico Sul, com a Marinha de Guerra, perseguindo submarinos (alemães?) que bombardeavam navios brasileiros até o Rio de Janeiro.

Ana gozava de grande popularidade entre os soldados e os oficiais, não só por ser viúva jovem e bonita, mas porque era sagaz, moderna, inteligente e estava sempre de bom humor, apesar da “guerra particular que enfrentava com algumas cunhadas que viviam aporrinhando sua cabeça, jogando na cara dela “esta branca que roubou e matou nosso irmão, um dia ela me paga”, frisava Bil, uma solteirona horrorosa, mal humorada e mal amada.

“Vamos lá rapaziada, estamos em guerra, mas não podemos desanimar”, era o seu bordão. Chegava e iluminava a base aérea com seu enorme sorriso, de alvíssimos dentes. “Ana está por aí!”, corria a notícia. Já dirigia carro numa época em que isto ainda era incomum entre as mulheres. Rivalizava com alguns soldados na direção dos jipes, subindo e descendo as dunas de Ponta Negra.

E não recusava, boa de copo que era (sem perder a noção, sabendo distinguir muito bem o que era um ameno bate papo, uma cantada ou um assédio mais ousado e apaixonado), uma latinha de cerveja americana Buddweiser bem gelada, (é... já tinha naquela época!), um Caju Amigo (Suco de Caju, Vodka, açúcar e gelo à vontade) ou uma Cuba Libre ( Gim, Coca Cola, limão e gelo picado), que naquele calor dos Trópicos, era um drinque (drink) hiper, super, mega, plus, delicioso e refrescante, animando a folga dos militares, no bar da Base, onde, nas folgas, discutiam de tudo: mulheres, filmes de Hollywood,música nova a política de Getúlio Vargas ou a beleza das praias, entre elas a de Cabo Branco, em João Pessoa, na Paraíba.

Ou então dançavam, meio desengonçados, qualquer ritmo quente: samba, salsa, frevo, rumba suingue, merenque, bolero, tango, qualquer um deles sem pecado abaixo do Equador.Estavam livres, por algumas horas.

Livre, liberada, era como Ana se sentia. Mas dizia que não estava mais afim de homem nenhum. Por isso dirigir e voar eram um de seus prazeres prediletos. E, é claro, cuidar e muito bem do filhinho. Ninguém podia comentar nada. Mantinha a posição de “senhora”. Consciente dos preconceitos e do machismo exacerbado, nunca, pelo que se saiba, tinha traído o falecido.Ele,contudo, porém, todavia...

Só Noronha, um jovem cunhado, era caído de amores pela cunhada. Só caído, nada mais, apesar de sua ousadia de adolescente nordestino. Diziam que ele vivia se satisfazendo com as cabras pois era priápico e as mulheres só não conseguiam satisfazer seu apetite sexual. “Você é muito guloso, sai prá lá, seu cabra da peste!”, brincava Ana, já familiarizada com o linguajar local, desfazendo, com todo respeito, qualquer arremedo de assédio sexual.



Os que estavam a fim de um porre mesmo bebiam logo Gin pura ou com Água Tônica ou Guaraná Jesus com doses de Steinhager ou ainda, de preferência, água de coco, que nunca faltava, com doses de uísque, um luxo a mais, mesmo em época de guerra ou por isso mesmo, porque militar quando bebe parte logo prá besteira, isto é antológico, porque a faina diária e a obediência cega aos comandantes chega a levar muitos ao estresse e a deprê. Prá aliviar só mesmo enchendo a cara. A ressaca?! Sal de Frutas ou chá de Boldo ou também uma injeção de Glucoenergan, que ainda não era proibido. E pronto.

A fama de Ana, chegou mesmo até Getúlio Vargas e o presidente americano Roosevelt, naquele 7 de Setembro, durante sua visita a Natal. Quando a comitiva passou de jipe,

Ana, brincando, apontou o veículo – “Olá seu Gegê já andei muito neste jipe.” O presidente brasileiro sorriu, segurando o tradicional charuto. Ao acenar para ela, Roosevelt, mulherengo que era, perguntou, em inglês, quem era aquela pequena.Um oficial cochichou ao ouvido de Getúlio – “É Ana, uma viúva de militar, uma espécie de mascote ou ícone de boa sorte da Base de Natal.”



Depois do cerimonial, no final daquela bela tarde de verão quentíssimo, lá estavam todos no bar da base. E Getúlio, como todo bom gaúcho, num certo momento, quase saiu no tapa com Roosevelt, os dois disputando estar ao lado de Ana. Eflúvios etílicos, digamos assim, sem maiores conseqüências. Coisas de homem querendo encantar as mulheres.

Ficou na história local, a enorme bebedeira e farra que atravessou a madrugada e só terminou no dia seguinte, quando o sol brindou a todos com uma inesquecível aurora meridiana, repleta de cores. Difícil pensar, naquele setembro de 1943, que o mundo estava em guerra. Pelo menos naquela linda parte do Brasil.



A vida de Ana muda agora completamente. Em janeiro de 1944, vindo da casa da famosa modista Odete conhecida na baixa e na alta sociedade local, onde fora apanhar um vestido novo, estava passeando entre as pontes de Recife, tomando um sorvete de cajá, distraída, bateu de frente com um jovem. Depois das desculpas, rapidamente aceitas, vieram as apresentações. Ana, Brennand, Brennand,Ana.



E rolou um papo. Ficou sabendo que o jovem era artista plástico e herdeiro de uma das mais tradicionais famílias do Recife Velho. Puro encantamento, lá ia o jovem, todos os dias e noites atrás de Ana em Olinda, onde ainda vivia na casa de parentes de seu marido Engataram um namoro. E muitos almoços e jantares no Restaurante Buraco de Otilia, um dos melhores do Nordeste.

O casal mudou-se para a Europa, onde viveram felizes durante três anos. O filho de Ana foi levado de volta ao Rio, passando a morar com seus avós maternos, com todo carinho e conforto. A guerra recém terminada deixou cicatrizes espalhadas por várias cidades. Mas Paris sobreviveu a esta catástrofe mundial. E não perdeu seu encanto.

O que perdeu o encanto foi o encontro do casal. Brenno, depois de algumas exposições de suas esculturas, voltou para Recife, um pouco desiludido com sua vida e arte. Na Cidade Eterna – Roma _ Ana ficou morando, já como famosa modelo da Maison Dior, na França. Uma bela modelo latina, admirada por todos na alta costura. Em 1952, ao desfilar no Copacabana Palace, teve oportunidade de rever o filho, agora com 12 anos.

E já vinha acompanhada pelo Conde Klaus,da Baviera, bilionário no ramo de Cristais. Viveram muitos anos, felizes, os três, numa mansão - recanto paradisíaco da natureza, na Mata Atlântica- entre Ubatuba e Paraty, comprado do falecido estilista Clodvis Calado, cuja irmã Dalas, também modelo conhecida nos anos 70/80, mora no Japão até hoje. Ana dedicou- se a órfãos de militares pobres e deficientes acolhendo sua mães, a quem ela chamava carinhosamente de “minhas comadres.” Vó Ana, como ficou conhecida,por sua gentileza e extrema bondade, morreu, sempre estimada por todos,há quinze anos.

E morreu pobre. Ela e Klaus doaram tudo, em vida, para diversas entidades filantrópicas. Costumava dizer a todos e as famílias de caiçaras que conhecera em Trindade : “Me basta apenas este paraíso, aqui estou sempre PERTO DO MAR, PERTO DE DEUS.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Tuc.tuc.tuc...



Meus dias não são mais os mesmos. Agora me faz companhia o barulho grave e ao mesmo tempo saboroso das mangas amarelas e róseas se esparramando no chão de meu quintal. Tuc. Tuc.Tuc. Tuc. Não há barulho mais gostoso de se ouvir e, após a inevitável queda, saboreá-las em suculentos nacos. O doce sabor das mangas aguça o paladar de qualquer mortal. País rico que permite tão gostoso sabor tropical. Imaginar que povos que vivem no gelo, por exemplo, não sentem esse prazer. As mangueiras não estão presente apenas no meu quintal, mas nas ruas, terrenos baldios, estradas e praças. Somos abençoados por tamanha graça da Natureza. E ainda tem o cantarolar dos pássaros que também desfrutam comigo desse som. Tuc.Tuc.Tuc.Tuc.Tuc.Tuc.Tuc. O nosso ramerrão pode ser quebrado com uma simples obsersação de uma manga caindo no chão. Nada mais poético. Acredito! Tuc.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

DEPOIS DAS CHAMAS

Como tudo na vida tem seu lado bom esse é um momento de limpeza,de recomeço.Perdi muita coisa,mas quem precisa de roupas de grife, de bolsas Chanel? É hora de dar valor ao que realmente vale”.

Sabine Boghici – atriz -Rio – Após incêndio em sua cobertura em Copacabana, onde, felizmente sobreviveram seus cães e gatos de estimação. Folha de SP -domingo – 29 de agosto 2012. Bela e sensata reflexão.

Da vida só levamos aquilo que damos, alguém disse isso

UMA VOZ AO VENTO

No Quiosque do Marquinhos, no fim do mundo de uma praia em Porto Novo, na Enseada de Caraguá, num domingo qualquer do verão passado
Andréa Mara, crooner, canta num improvisado palco repertório que vai de Simone, Alcione a Paula Fernandes, Marisa Monte, Maria Rita, etc. se desdobrando para comprar o leite da filhinha de colo que está nos braços de um caiçara pescador, maduro e ciumento, atento à aproximação de rapazes.Como ela chegou ali?
Agora canta, alegra o pessoal com seu talento e com olhar profundo vê o mar e sua linha no horizonte. E sonha, com certeza, sonha! Conseguirá um lugar ao sol? Terá futuro? Cantará, um dia em algum clube noturno da capital? Será descoberta por algum caçador de talentos musicais? Subirá ao palco de algum programa de calouros na TV. Tipo The Voice Brazil? E assim, aos poucos, subirá os degraus da FAMA tendo uma vida melhor?
ELA MERECE! ELA MERECE! Por enquanto é apenas Andréa Mara, uma crooner vinda do sul de Minas, a surpreender os turistas, com sua voz melodiosa, ora brejeira, ora incisiva, como a brisa marinha.


NO SERTÃO DOS CUNHA – NA ROÇA- OU IRLANDA BRASILEIRA



No coração do Sul de Minas, uma espécie de Grande Sertão – Veredas, várias histórias se cruzam: Dona Maria José se despede do marido morto que será enterrado num pequeno cemitério ao lado da capela – “Vai meu veio, vai, que logo eu vou também, meu amor” E as lágrimas correm pela face sulcada de rugas ancestrais.E ela desce, solitária, pela longa estrada da vida, que vai dar junto ao fogão de lenha que ela não abandona nunca,mesmo com apenas algumas brasas dormidas, durante a madrugada. Olhando dia e noite, noite e dia, tudo o que acontece além da janela da cozinha. Lembra agora como conheceu seu marido, Lázaro, num passeio a Poços de Calda, tendo apenas 16 anos. Quanta saudade, meu Deus!, recorda ela, limpando os olhos. Casou-se e ali morou para sempre.Trabalho árduo na roça, nunca lhe cansou. Mas agora!


Na última casinha da estrada, Dona Ana não se conforma com a morte prematura do filho Luciano, bom jogador de futebol na várzea. A doença apareceu no sangramento repentino das gengivas e assim continuou por dias. Na Santa Casa de São Lourenço, o duro diagnóstico: câncer. Agricultor, como seu pai Sebastião, o filho mexia com adubos altamente cancerígenos, sem nenhuma proteção, nas lavouras de repolho, couve flor, batata ou cebola, conforme a época.



Moída pela dor da separação, a mãe nunca mais terá o sorriso largo e alegre do filho. Olha inúmeras vezes, seu retratinho na parede da casa onde tudo é simples, pequeno, amoroso. E chora, não aceita, dias e dias assim. Luciano pelos campos, como alma penada. “Deixa seu filho seguir seu caminho, dona Ana”, aconselha o padre nas missas dominicais. “Nada, Nonada”. Até que um dia, de tanta missa, novena, água benta e preces dos moradores e dos rapazes, colegas de futebol, lá se foi Luciano numa tarde de céu azul, no poente, sobre as montanhas azuis mineiras, como um anjo viril e suave ao mesmo tempo.



Só ficaram boas memórias, esta outra forma de vida, naquela pequena casinha de Dona “doce” Donana, vivendo das lembranças do filho. “Estou em paz, mas aceitar, acho que nunca...”,comenta sempre no beiral da janela da cozinha, de onde enxerga o “campinho” de futebol. “Donana, num fala assim que Deus castiga,mulher”, diziam as comadres. Na casa das “russas”, assim chamada por que as moças são todas loiras e casadoiras (e arredias também),cópias fiéis de seus antepassados ucranianos, fechadas em sua inescalável timidez,Rosália também chora.Luciano era seu primeiro e também caladão namorado de adolescência.

Numa casinha, quase no alto da serra, perto de uma cachoeira pequena, também chora Tonho que, homossexual, o único na vila, tinha um caso muito secreto com Luciano. Mas todos sabiam que, nas noites de sábado, na ausência de mulheres e diversão, na roça, ele promovia “saraus”, com a rapaziada até altas madrugadas, vestida de Messalina ou Vanderléa, dos tempos da Jovem Guarda. Dizem que até lobisomens apareciam por lá para tomar “uns drinques”, com a única bicha do mato, na região entre Maria da Fé e Dom Bosco.”O Tonho é gente boa”, comentava a rapaziada

Sabedora de tudo o que acontecia, Josefa, do alto dos seus 80 anos, pitava seu eterno cachimbo, com enorme prazer, sentada num banquinho da, varanda de sua casa, como uma Mãe de Santo sabedora de tudo nesta e na outra vida. “Qualquer hora a cobra vai fumar!” Eita fuzuê, Tonho não tem eito!”

Para comemorar as safras produzidas e vendidas nos entrepostos do Vale do Paraíba, os roceiros se encharcavam de cachaça nos botecos do caminho, onde, costumeiramente apareciam algumas prostitutas da Zona do Buieê, de Paraisópolis, trazidas por Sueli, a “fia do Zé do Hoter”, prá “carmá o desejo sexuar dos home”. Era uma combinação entre eles, que já durava anos e anos, naquelas paragens.

E o Jaca, típico roceiro, homem bom, calmo, 37 anos, nascido e criado por aquelas bandas não se conformava com os mexericos da Rosa, sua mulher e mãe de seus três filhos. Era só ele botar o pé em casa, um antigo casarão do tempo dos escravos, lá vinha a mulher encher sua cabeça com fofocas. Ele já tinha se desentendido com várias mulheres e seus maridos por causa deste terrível costume de inventar moda das casadas, das solteiras e dos solteiros, tratava mal as crianças por qualquer coisinha.

Um verdadeiro inferno na cabeça daquele homem que, de sol a sol, vivia só para suas vacas, tratando-as e ordenando-as com carinho para que elas produzissem o melhor, leite da região e queijos mineiros dos mais apurados. Vivia lamentando com os amigos como a mulher tinha mudado depois do casamento. Tava que não agüentava mais e já tinha até feito romaria a cavalo rumo à Aparecida e rezado muito, pedindo que a santa de sua devoção desde pequeno fizesse algum milagre. “Nada, nonada”

Pensava que a mulher talvez tivesse ficado louca aos poucos, pois falava mal de todos e de tudo, um verdadeiro inferno em vida. Até na cama, de noite ela acordava para falar mal das vizinhas e incitando o marido a tirar satisfação e vingar de coisas banais. Rosa já estava ficando isolada pois todos a evitavam por causa deste costume. As mulheres queriam matá-la de tanto mexerico que fazia. Inventou que dona Vera, a professorinha da pequena escola do Sertão dos Cunha, um anjo de candura, era mulher da vida em Caxambu.

Foi a gota d’água, um bafafá danado. E foi assim até que um dia, de manhã bem cedo, quase clareando e o sino da capela batendo prá missa de domingo que o corpo dela apareceu balançando no galho de uma figueira bem no alto do morro. Tinha se enforcado ou alguém praticou o crime. Um alívio transpareceu na vida de todos os moradores que achavam que um dia isso ia acontecer. As dúvidas recaíam sobre o marido, mas o fato é que o tempo passou e as coisas foram voltando á normalidade, caindo, no esquecimento. A mexiriqueira foi enterrada por ali mesmo, perto de uma grande pedra.

Passaram a dizer que a figueira tinha ficado mal assombrada. E Jaca só muito depois voltou a se ligar a uma mulata que acabou criando seus filhos diretinho como é de costume na roça, neste Sul de Minas que as pessoas falam que não é apenas uma região, mas uma espécie de instituição, por causa da profunda religiosidade e conservadorismo das famílias. Todos católicos, apostólicas romanos, se bem que uma espécie de invasão pentecostal já começava a mexer com a cabeça daquela gente.

Os filhos dos fazendeiros, mais letrados, estudavam em Itajubá e falavam que o Sertão dos Cunha ou o Sul ,de Minas de modo geral era uma espécie de “Irlanda brasileira”, por causa dos costumes rígidos e das superstições, principalmente histórias de pretos velhos,corpos secos, fantasmas de sinhás e sinhasínhas perversas, de fazendeiros cruéis e sobre lobisomens, entre outros casos.

O corte de uma antiga e robusta jabuticabeira, no sítio do “seu” João foi uma imprudência comentada durante anos. Por que ele tinha feito isso, se a árvore produzia muitos frutos todos os anos, não estava incomodando ninguém. Um crime contra a natureza, que todos lamentavam. Foi no ano que choveu tanto que o lugar chegou a ficar isolado do resto do mundo.

E o córrego das Freiras transbordava inundando tudo. Os trovões e relâmpagos ribombavam assustadoramente, clareando as madrugadas, assustando todos com medo de que o mundo estivesse acabando ou algum castigo do céu estava sendo mandado para que os homens parassem também com aquela bebedeira toda nos botecos ao longo da estrada.

Lá do alto das montanhas, todos podiam ter um ampla visão do Sertão dos Cunha. Paisagem inigualável. Um estranho conjunto de pedras enormes servia de pouso de discos voadores e aparições extraterrestres, afirmavam os moradores. Muitos clarões estranhos foram vistos, de madrugada. Mas era o local preferido para se fazer piqueniques, embora as pedras tivessem realmente um aspecto sombrio, principalmente ao cair da tarde.

Talvez saída de algum filme de Mazzaropi, o Sertão dos Cunhas também tinha uma personagem hilária na figura de uma mulher que, fugia aos padrões das outras, geralmente sérias, não gostando muito de brincadeiras. Era dona Leonor, viúva de um rico fazendeiro. “Estão vendo, ele vivia dizendo que eu estava com o pé na cova. Mas quem foi primeiro foi ele!, comentava com as amigas.

Adorava visitar a filha em São José dos Campos, onde era freguesa habitual do restaurante Resgate Caipira, em Monteiro Lobato. E vivia dizendo que “o sul de Minas começa em São Francisco Xavier,” onde ainda hoje mora Constância, uma de suas melhores amigas. “O lugar é uma gracinha”, dizia.

Literalmente vivia “torrando” o dinheiro do falecido nos shoppings. Sempre muito bem vestida, até numa certa extravagância, de jóias, pulseiras, colares e outros penduricalhos ressonantes. “Mão aberta”, presenteava os filhos, as filhas, os netos e as amigas, só para ter o prazer de vê-los contentes. Quando voltava prá roça era uma festa aguardada com muita ansiedade, todos querendo saber dos passeios que ela fazia e dos presentes que trazia.

Inesquecível era ainda dona Benedita, cujos filhos fizeram fortuna no Vale do Paraíba, com um rede de Supermercados, a partir de Taubaté. Tinha quatro filhos, duas mulheres e dois homens. Um deles, o primogênito, era Edmundo. O mais arteiro. E todos os dias às seis horas da tarde, na hora da Ave Maria, ela gritava do portão, com toda a potência de seu fôlego, – Muuunnndddiiinnnhhhooo! Vem prá dentro, oooooo, minino danado”. Era um chamado tão forte,tão severo, tão amor de mãe temerosa, com hora marcada, que as pessoas de longe ouviam – “Estão escutando, são seis horas, é hora de se recolher!”

Raimundo amava desesperadamente Florisa, Namoro e noivado se arrastando anos e anos, por indecisão sabe-se lá de quê, por parte da bem amada, que vivia brigando com o noivo. Talvez medo de sair da casa dos pais. A situação foi rolando, rolando. O tratorista só faltava se matar de paixão e tesão pela moça. Afinal, o que Florisa queria? Destratava o rapaz a ponto das amigas comentarem “Olha, partidão como este você não encontra todo dia, vamos decida –se! Ele te ama muito.”

Até que um dia,Raimundo, zangadíssimo, foi até a casa dos pais de Florisa e, comentam até hoje, trouxe ela pelos cabelos, arrastando estrada abaixo, até a casinha azul,como o manto de Nossa Senhora, muito bem arrumadinha, com um coraçãozinho desenho na porta com seus nomes – Raimundo e Florisa. A noiva supreendida, rendeu - se finalmente, se entregando de corpo e alma àquele amante latino, para a felicidade de todos que queriam vê-los junto finalmente.

A cena foi uma delícia para Margarida e Filomena, solteironas esperançosas e conhecidas casamenteiras. “Até pareceu Mauren O’Hara sendo arrastada e amada pelo impetuoso e talentoso ator John Wayne, naquele filme antigo “Depois do Vendaval”, com ação passada num distante vilarejo da Irlanda natal do diretor John Ford” , comentavam sempre,nas festas religiosas, nas quermesses, apesar do desconhecimento das pessoas sobre cinema. “Quem? Onde?”

Uma noite de lua cheia, daquelas lindonas de clarear tudo, a rapaziada se juntou num descampado prá prosear, tocando violão e cantando modinhas sertanejas. E beber cerveja, ora se não! Era uma turma mesmo, de uns vinte. Até mesmo quem tinha moto vinha de São Lourenço. Aconteceu o seguinte: de tanta felicidade, tanta beleza, tanta doçura no coração, que todos, ao som de um violão, cantaram e riram, mas riram prá valer, assim do nada, de, tudo, de qualquer coisa, riram de se acabar. E a lua cheia parecia também rir lá de cima.

Até que o domingo foi aparecendo no horizonte, colorindo tudo de tons róseos, como a promessa de um grande amor. Mas daí já a rapaziada toda dormia o sono dos justos na relva meio que molhada de orvalho da madrugada. Alguns com a braguilha da calça rancheira semi aberta. Ora se não!











SERÁ MESMO QUE O MUNDO VAI ACABAR NO DIA 21 DE DEZEMBRO DE 2012, SEXTA-FEIRA, ÁS 12 HORAS?



Um gigantesco Tsunami à vista? Um enorme meteoro, num profundo impacto? Um mega terremoto? Uma grande explosão vulcânica,abalo,impacto? Choque!Morte em massa da população mundial? Nada disso está assustando ninguém.O tema está numa comédia da TVem forma de mini-série onde os protagonistas, convencidos do FIM DO MUNDO, procuram levar o melhor da vida, como se o SINAL DOS TEMPOS fosse acontecer agora, de forma definitiva.

Por outro lado, em documentários na TV várias pessoas, assustadas com o que possa acontecer, estão se prevenindo, de forma cautelosa, acumulando gêneros alimentícios e abrindo abrigos em cavernas em altas montanhas. Revendo acontecimentos históricos trágicos tivemos “fins de um mundo” nos tempos bíblicos do Dilúvio, em Pompéia, o grande terremoto de Lisboa, de São Francisco; no Japão e o Tsunami, mais recente, na Indonésia, entre outros.

Será mesmo que a Terra está saturada de tudo, com mais de 7 bilhões de habitantes e enorme caos causado pela violência urbana?Muitos filmes de catástrofes e invasões de ETs já foram produzidos e continuam sendo exibidos, atraindo grandes multidões aos cinemas. O que Hollywood tem mais a dizer, depois de Independe Day, O Dia Depois de Amanhã e o grande clássico renovado – Guerra dos Mundos?!
Resta a nós, míseros mortais, aguardarmos. Estas e outras profecias Armagedonicas. Com bom humor, a expectativa não há de se cumprir, com certeza. Deveras, o que precisamos fazer é melhorar este planeta para que ele sobreviva e seus habitantes vivam melhor, sem desigualdades, fraternalmente. Justamente neste século XXI onde ressaltamos o grande avanço das tecnologias em todos os setores. Tenhamos mais amor ao próximo Sejamos otimistas. Nada de ruim irá acontecer nos próximo dias e

Assim teremos mais um NATAL pleno de Luz Divina e grande cordialidade.