quinta-feira, 19 de maio de 2011

O Tapete Persa

Nos fundos de uma pequena loja de armarinhos localizada na principal praça da minha cidade havia um grande tapete persa, relíquia trazida do Líbano pelo dono e guardado com muito carinho numa parede branca. Eu tinha pouca noção de sua importância pois, com apenas 13 anos, o que eu sabia de tudo. Nada! Começava ainda aprender sobre o mundo, seu tamanho e as maravilhas e os mistérios que ele guardava. E também suas misérias. Não me falha a memória, depois de tanto tempo, mostrava um harém, odaliscas lânguidas, um sultão fumando narquile e admirando a dança do ventre de uma delas, com um véu sobre o rosto. Ao lado dos almofadões de seda, uma lamparina acesa brilhava. Na paisagem externa da tenda havia ainda um majestoso cavalo árabe branco montado por um príncipe trajando um rico manto cravejado de pérolas, diamantes, esmeraldas, rubis e muitas outras pedras preciosas.
Na faina diária de limpar a loja, tirar o pó e recolocar no seu devido lugar rolos e mais rolos de tecidos caros, pouco tempo tinha para apreciar aquilo, que hoje sei, é uma preciosidade. Era um tapete persa da mais alta qualidade e tradição. Começava ali, quase sem noção, o meu aprendizado das artes e da própria vida. Não foram poucas as vezes que eu surpreendia o “seu” Madhyd chorando, emocionado, diante daquele enorme tapete, balbuciando palavras em árabe, mas para mim totalmente incompreensíveis. Imaginava que ele deveria estar sentindo uma devastadora saudade de sua terra distante, o Oriente Médio, de onde veio para o Brasil, bem jovenzinho ainda. Foi ele e sua família quem me deu o meu primeiro emprego.
Uma de suas filhas, Samira, viajava com frequência para a França e de lá para Beirute, conhecida, na época, como “a Paris do Oriente Médio”. Falava francês e nos encantava com suas aulas naquele grande colégio, na rua Barão. Para nós alunos da noite, ginasianos, ainda imberbes, era um raro privilégio. Eu me sentia cosmopolita já vivendo em qualquer lugar do mundo. Sonho e mais sonho. Com muito orgulho eu dizia para meus colegas que trabalhava na loja do pai dela.
Mostrava para eles, boquiabertos e com os olhos arregalados, folhetos turísticos da Air France mostrando os roteiros que a nossa professora seguia do Brasil a Paris e de lá para Beirute. Eu sempre encontrava vários destes folhetos jogados num canto qualquer da loja. Eu os lia com sede de saber e de aventura. De São Paulo ( Congonhas), num Superconstelation, o vôo ia até o Galeão, no Rio ( hoje Aeroporto Internacional Tom Jobim). A última parada era em Recife, para depois cruzar o Oceano Atlântico (Ilhas Canárias), depois Lisboa, em Portugal e, finalmente Paris. Tudo muito chic. Mas era diferente da rapidez de hoje, nos aviões a jato. A viagem era muito demorada. Uma aventura grandiosa, eu imaginava!
Lá pelos meus 17 anos, ainda no ginásio, eu e meus colegas ficamos sabendo que iríamos ter aulas de francês com uma nova professora. De São José dos Campos. Tinha se formado recentemente na Sorbonne, em Paris e que tinha, em seus 30 anos, grande bagagem cultural. Conhecera praticamente todos os grandes museus da Europa e, moderníssima para a época, trajava–se perfeitamente, como a musa do Existencialismo, Juliette Grecco, fã de carteirinha, portanto, dos filósofos e escritores franceses Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir.



Ah! Praquê! Logo depois de suas primeiras aulas, já éramos todos, perdidamente existencialistas, com náuseas do mundo, de braços dados também com Jack Keruak, geração beatnik, tudo junto e misturado, apaixonados por Caetano e Gal e etc, que no Brasil formavam a galera do Tropicalismo. Não perdíamos uma apresentação dos Festivais de MPB, na TV Record, no aparelho preto e branco ainda, mais próximo do Colégio onde, com permissão da dona da casa, mãe de uma das alunas, vivíamos eternamente apaixonados, com profundas olheiras existencialistas, de tanto contestar o mundo, mesmo que de certa forma, ingenuamente, querendo mudar o velho pelo novo, introduzindo novos valores e comportamentos. Agíamos todos como se tivéssemos descoberto o segredo entre a vida e a morte, embora precocemente!
Helena Kalil se misturava com a gente e costumava voltar tarde prá casa, nas noites de sexta–feira, após suas duas últimas aulas. Com ela queríamos falar francês o mais rápido possível para poder viajar e conhecer o mundo e fazer novas amizades. Quem podia já estudava na Aliança Francesa em SJC. Eram aulas de profundo conhecimento que se juntavam às da professora Heloísa Helena, de Filosofia, que nos deixava profundamente perturbados. Eu me sentia voando num tapete persa maravilhoso. Querendo aprofundar os conhecimentos que recebia. Éramos todos apaixonados por elas. Ao final do curso clássico (Área de Humanas), hoje Ensino Médio, um grupo de alunos já estava se aventurando em viver e trabalhar em São Paulo, que, já em meados dos anos 60, nos atraía, como um forte imã. São Paulo era a metrópole! Do trabalho e da cultura. Pólo vital para nossos sonhos. De onde vinha toda nossa força e coragem.
Recentemente vi, na casa de um casal amigo um destes tapetes persas, de suntuosa beleza. Curioso, me aproximei mais. Percebi o quanto de provocativo existia nele. Como num daqueles contos das mil e uma noites.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

LONDRES EM FESTA

Sexta Histórica

O conto de Fadas Real...









29 de Abril 2011,o casamento do século.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

REFLEXÃO

Luto pelas nossas crianças inocentes, agora "Eternos Anjos", arrancadas de forma cruel do lugar onde elas deveriam estar protegidas, e assim tornarem o futuro digno da nação... A escola.








REFLEXÃO

NÃO DEIXE QUE A ROTINA ARRASE SUA VIDA! EXECUTE SUA TAREFA SEMPRE COM AMOR RENOVADO, PORQUE ISTO TRARÁ ALEGRIA A VOCÊ MESMO. A ROTINA CANSA E CORRÓI A ALMA, DESALENTA E DESTRÓI O ENTUSIASMO. RENOVE A CADA MANHÃ SEU ARMAZENAMENTO DE ALEGRIA DE VIVER. AJUDE A TODOS E CUMPRA ALEGREMENTE SUA TAREFA,PARA RECEBER DE VOLTA O BENEFÍCIO DA FELICIDADE DE SEU TRABALHO.


CORDÉIS ENCANTADOS



A Rede Globo de TV estréia, nesta segunda- feira, a sua nova novela das 6 – Cordel Encantado – que já deve ser do conhecimento de todos devido a força da divulgação massiva. Super produção, como é de se esperar, com um elenco estelar. A propósito, tenho guardado, como uma verdadeira relíquia, 10 exemplares da Literatura de Cordel, que comprei, em 1981,na minha primeira viagem a Pernambuco, minha terra. Visitei Caruaru e em sua tradicional feira, comprei os cordéis que estavam pendurados numa das bancas. Como se sabe vende-se de tudo nessas feiras nordestinas. Caruaru também tem o Museu José Conde, autor de vários romances regionais, entre eles, um que me encantou bastante, na minha juventude. “Terra de Caruaru”. Os cordéis que tenho tem os seguintes títulos - Nordeste, Cordel, Repente e Canção, que depois virou filme da cineasta Tânia Quaresma, - A Filha que Matou a Mãe para fugir com um Maloqueiro – ( cuja renda era revertida para a Casa da Criança de Olinda), - A Mulher que matou o Marido de “Xifre” – Os Milagres da Virgem da Conceição – A Moça que “pisou” Santo Antônio no Pilão Pra casar com o boiadeiro – Dona Maria Fulô - Os Últimos Dias de Getúlio Vargas – História da Criminosa Luíza Que Matou Uma criança em Lagoa de Remígio - Tudo na Terra Tem Fim e O Caminho Para o Mobral. A cultura popular se renovando na tela da Globo trará uma oportunidade para que todos entrem em contato com a nossa literatura regional e despertem o gosto em todas as pessoas, principalmente os jovens, para que conheçam o que o Brasil tem de mais rico : o seu folclore. Afinal, como não valorizar algo que é bastante conhecido no exterior e além dos nossos autores populares relembrar aqueles que tornaram possível o conhecimento maior de nossa literatura: Jorge Amado, José Lins do Rêgo, Graciliano Ramos, Rachel de Queiróz, João Guimarães Rosa, Dias Gomes, Ariano Suassuna, João Cabral de Mello Neto e muitos outros. Com certeza ninguém ficará indiferente à novela Cordel Encantado por sua grande contribuição à cultura regionalista brasileira. Vejamos, na seqüência, o material que a Rede Globo preparou para divulgar a novela. Vamos nos encantar um pouco mais e esquecer a rotina nos próximos meses.


ANIVERSÁRIO E CRESCIMENTO
A nossa cidade comemora mais um aniversário (359 anos) com muitas atrações culturais para todos os gostos. E a cidade cresce e se desenvolve em todos os sentidos. Aumenta, por isso mesmo, a responsabilidade de todos, sejam jovens ou adultos. Com otimismo vamos participar desse momento único fazendo crescer também em nossos corações e mentes, a nosso sentido de civilidade e cidadania.Vamos declarar abertamente o nosso amor a Jacareí.Lembrando que Jacareí vai sediar, de 13 a 16 de abril, as fases semifinal e final do 10º Concurso Brasileiro de Canto Maria Callas, que começa dia 9 no Theatro São Pedro, na capital paulista. O evento é uma realização da Fundação Cultural de Jacarehy José Maria de Abreu e da Cia Ópera São Paulo, e faz parte das comemorações do aniversário de 359 anos da cidade. O concurso Maria Callas reúne 60 cantores do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. Mais que um concurso para revelar novos talentos, é uma oportunidade para o público apreciar um show de música erudita, pois todos os candidatos passaram por um rigoroso processo seletivo, que inclui a eliminatória no Theatro São Pedro, comenta a presidente da Fundação Cultural, Sonia Ferraz. Segundo ela, promover um concurso de ópera é contemplar a proposta de valorizar a diversidade cultural. A música erudita sempre tem espaço na nossa agenda, a exemplo de outros gêneros musicais como o rock e o sertanejo, e demais manifestações artísticas como teatro, dança e artes plásticas, completa a presidente. Durante o concurso, cada candidato tem que apresentar seis árias. Serão aceitas ópera, opereta e zarzuela, desde que, conforme o regulamento, sejam cantadas na língua original. Se o candidato escolher Rusalka, de Dvorac, terá de cantá-la em theco. Caso a escolha seja A Noite do Castelo, deverá cantá-la em português, idioma em que foi composta por Carlos Gomes, explica o diretor artístico da Cia Ópera, Paulo Esper.

Maria Callas - Filha de imigrantes gregos, a soprano americana Maria Callas (1923-1977) é considerada pela crítica uma das maiores cantoras de ópera de todos os tempos. Sua carreira ganhou impulso a partir de 1947 ao interpretar Gioconda e a protagonista da ópera Norma (Bellini), em Florença. A partir de 1950, conquista fama internacional como soprano, mas o temperamento considerada intensamente geniosa -- também lhe rende destaques nos jornais, principalmente pelas declarações sobre sua rival, a cantora Renata Tebaldi, e com os administradores dos principais teatros onde atuou. Entretanto, é no final dessa mesma década que sua voz apresenta declínio. Em 1949 casou-se com Giovanni Battista Menegghini, união que duraria dez anos. Após a separação viveu uma forte paixão ao lado do milionário grego Aristoteles Onassis, relacionamento que rendeu notícias sensacionalistas na mídia. Maria Callas faleceu em Paris, vítima de um infarto, aos 53 anos. Seu legado inclui diversas composições, entre elas algumas óperas integrais, das quais várias foram gravadas ao vivo. O júri - Para compor o júri do concurso Maria Callas foram convidados os italianos Giuseppe Sabbatini (tenor), Wally Santarcangello (diretora artística do concurso Ottavio Ziino de Roma e da Associação II Viaggio della Música), Sérgio Segalini (crítico), Vicenzo De Vivo (consultor artístico da Fundação Pergolesi de Jesi, Itália), o francês Richard Martet, redator-chefe da revista Opera Magazine de Paris, e o empresário inglês Robert Gilder.

ANDERSON,UM ENTRE MUITOS PARDAIS...
Tenho um jovem amigo chamado Anderson, que ajuda, com suas idéias e fotos a editar este Blog. Sabe, apesar da pouca idade, muita coisa sobre cinema. Fico só vendo, assistindo de camarote, o seu crescimento. É um caso raro de grande amor pela arte da fotografia e pelas artes em geral. Tem sede de saber. É um daqueles jovens, entusiasmando pela arte e cultura. Vibra vendo fotos antigas de Jacareí e já conhece muita coisa do passado da cidade. É um jovem de valor.

Outro dia, vendo uma foto antiga da praça do Rosário e do seu antigo cinema, reparou, com grande curiosidade o letreiro do filme em cartaz, num dia qualquer dos anos 40. “Nossa, o filme é ‘A Viúva Alegre’, musical com Fred Astaire e Ginger Roger. Deve ter feito muita gente sonhar naquela noite”. Como Anderson, existem muito outros jovens que costumam, não por acaso, se reúnir, de noite, perto da Sala Mário Lago, no Pátio dos Trilhos.

E comungam das mesmas idéias, gostos e sonhos. Eles não usam black tie, mas discutem, polêmicos e alegres,aspectos da política e da cultura atuais,, querendo criar, renovar,amar... Reparem melhor neles quando passarem por lá. Parecem aqueles grupos de pardais barulhentos pousados nos fios, em busca de abrigo e solidariedade. Estão todos querendo uma oportunidade na vida...na cidade que faz mais um aniversário e cresce e se desenvolve.




QUANTAS SAUDADES...
A tecnologia avança rapidamente em todos os campos do conhecimento nos dias de hoje. No da comunicação é visível toda uma grande transformação. Internet é tudo! Conceitos caem por terra. Novos hábitos e costumes deixam poucos rastros para se rever valores que nos eram caros em um passado até recente, levando-se em conta que 30 anos é pouco no calendário dos anos vividos. Nada, contudo, é imutável, seguindo a roda das mudanças. Mas é bom lembrar coisas gratas e ainda inesquecíveis em nossa memória. O liquidificador como novidade em nossas casas. A curiosidade fez com que, num descuido, uma criança, como eu, destampasse o copo e o suco se espalhasse pela cozinha toda, num girar desprevenido do botão. O fogão a gás em substituição ao de querosene, que tinha um cheiro horrível. A TV em preto e branco na época dos “televizinhos”. A gente voltava bocejando prá casa, taaaarrrdddeeee da noite, pois só uma tia, melhor de vida, tinha o aparelho. Todos queriam assistir o Show do Roquete Pinto, na TV Record para ver o radialista esportivo Darcy Reis receber o prêmio. Ou a Orlandina Ferraz, pianista de talento se apresentar na TV Cultura.

Os desfiles das escolas de samba e blocos ainda na praça Conde Frontin, descendo pela rua Barão. O som dos carnavais no Trianon Clube e no Elvira, que enchiam e movimentavam a praça com suas alegres marchinhas. A curiosidade pelos temas das decorações carnavalescas feitas pelo Agabo.O cheiro dos lança perfumes no ar. O sabor da pizza napolitana do Brito, num sábado à noite ou o chope divino no Chado, depois Chabadô e no Gordo. O “Cinemão” de arte, às sextas feiras. As lanchonetes jovens Beco e Bekão onde se amanhecia jogando conversa fora. As primeiras vídeo locadoras.Ah! quantos filmes inesquecíveis que agora podiam ser vistos em casa, sentados em confortáveis poltronas. Os desfiles cívicos de Sete de Setembro que movimentavam praticamente toda a cidade, em seu centro. Os primeiros “Fuscas”, o Bebum, o boliche do sr. Caio Santos, “point” da juventude, na rua do Correio, Os Festivais de música (Fempo, Jaime Nair, Zé Ricardo e seu Som Pop), as primeiras Fapijas organizadas pelo Sindicato Rural. Novidades, modernidades, pionerismo, uma cidade, o seu SOM e FÚRIA no seu cotidiano. Saudades, quantas saudades...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Frases: Jessé Souza



A solidão que afaga minha Alma, reflete o que sinto!


Reflexão
Procure descobrir o seu caminho na Vida.
Ninguém é responsável pelo nosso destino, a não ser nós mesmos.
Nós é que temos que descobrir a Estrada, e segui-la com nossos próprios pés.
Desperte para Vida, para a verdadeira vida.
E, se deseja a felicidade, lembre-se:você é o único responsavél pelo seu destino.
Supere as dificuldades, vença os obstáculos e contrua sua vida.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O DRAMA DO PROFESSOR “CLARO QUE...” (Baseado em fatos reais)

O professor Rodolfo chegou por aqui em l961. Assumiu as aulas de História no único grande colégio estadual do município pois era efetivo na matéria. Queria reiniciar vida nova e esquecer dramas vividos no passado. Na faixa dos 30 anos logo conquistou a simpatia dos novos colegas e alunos que passaram a admirar seu talento revelado na forma descontraída de dar aulas. Já no primeiro dia letivo conquistou a admiração das classes, principalmente das normalistas e nos cursos clássico e científico. Todos ficaram conhecendo a sua cultura e educação no trato com as pessoas na cidade.
Pelo seu hábito de frisar os assuntos com a expressão “...claro que...” acentuando determinadas alternativas em suas explicações, denotando profundo conhecimento histórico, arrancava gargalhadas nas classes, acentuando as manias de muitos personagens históricos que eram desconhecidos dos alunos. Demolia, muitas vezes, verdades consagradas na história. Quem era na verdade Cleópatra, Napoleão, D. Pedro I, a rainha Vitória, etc. fosse quem fosse? Recheava suas aulas com fatos hilários, tornando atraentes os conteúdos previstos no programa. Não havia quem não elogiasse suas aulas inesquecíveis. “Lá vem o professor ‘Claro Que!’ ”, diziam. E os alunos o recebiam com muitos aplausos.

Como era casado e tinha um casal de filhos pequenos, veio na frente, morou alguns dias numa pensão e depois trouxe a família que tinha ficado em São José, do Rio Preto, sua terra natal. Alugou uma pequena casa e foi se estabelecendo aos poucos, fazendo novas amizades e,comprando,habitualmente, nos fins de semana, exemplar do jornal O Estado de São Paulo, que lia na varanda da casa ouvindo MPB e música clássica. Muitas vezes varava as madrugadas corrigindo provas e trabalhos de pesquisa ouvindo sempre o disco: “Pérolas no Veludo”, para acalmar o espírito. Era rigoroso e exigente na cobrança das provas, redações e pesquisas. É claro que isso revertia apenas para benefício dos próprios alunos.
Alguns professores sabiam do drama vivido pelo professor Rodolfo. Afinal, o acidente foi noticiado nos jornais, revistas, rádios e TVs do país. A comoção tomou conta de todos, na época, 1959. Não era segredo, portanto. Só não se falava muito no assunto. Mas, algumas vezes, todos podiam vê-lo, muito cabisbaixo, triste mesmo, num canto da sala dos professores, no recreio dos alunos, na biblioteca,nos corredores, remoendo lembranças que ele carregou para sempre em sua mente e em seu grande coração.
Voltando de uma excursão a Santos e a São Paulo, onde os alunos ficaram hospedados num fim de semana prolongado, conhecendo a Via Anchieta, o porto, as praias,o Museu do Ipiranga,o Instituto Butantã, o Ibirapuera, o centro financeiro da capital e outros locais, por uma falha técnica um dos dois ônibus onde viajavam 40 alunos bateu na cabeceira da ponte e mergulhou nas águas do Rio Preto, quase chegando na cidade, naquele entardecer de abril. Todos estavam alegres e com muitas novidades para contar. Momento inesquecível na vida daquelas crianças e adolescentes interioranos.

O professor Rodolfo e outros colegas estavam no primeiro ônibus. Pararam logo após ao perceberem o grave acidente. Todos saíram desesperados e gritando. Entretanto nada puderam fazer. Todos morreram afogados nas águas do rio Preto. Naquela época equipes de socorro e resgate eram praticamente inexistentes. Tudo foi feito com muita dificuldade. A cidade cobriu – se de luto e parou para assistir ao enterro coletivo daqueles alunos. Pais e mães ficaram inconsoláveis. Uma tragédia que abalou a todos. Os professores se revezavam para consolar as famílias enlutadas. O professor Rodolfo foi incansável na solidariedade a todos. Não sabia de onde tirar tanta força, chorando copiosamente, junto com os outros. Na quadra do clube estavam, inertes, em seus caixões, colhidos pelos braços implacáveis e inesperados da morte, os seus muito queridos 40 alunos. Só o tempo, correndo célere, pode aos poucos, fazer tudo voltar ao cotidiano normal. Porém, esquecer a tragédia, nunca. Devastou a todos pela sua enorme e implacável fatalidade.
Depois de uma semana, numa segunda – feira, de manhã, as aulas deveriam voltar ao seu ritmo habitual. Às sete horas, tocou-se a sineta e os alunos foram entrando, silenciosamente, pelos corredores da escola de dois andares. Tomando acento nas carteiras de suas classes. Entretanto, o professor Rodolfo, sem ter notado, dirigiu-se justamente à classe do 1º. Científico.
A Classe estava praticamente vazia. E em cada carteira, os alunos restantes, tinham colocado uma rosa vermelha em homenagem aos colegas que morreram. Foi grande o desespero do professor Rodolfo, chorando inconsolável, abraçado pelos colegas e alguns alunos, as cadernetas espalhadas, perdido,no meio da classe,sem chão, sem ar,sem nada, com o coração apertado de tanta tristeza, na primeira grande dor de sua vida. Anos mais tarde, refletiria, que tinha morrido também um pouco dele com aqueles alunos. Uma perda que ficou inesquecível em sua memória, mesmo que tocando a vida pra frente, prá frente. Sempre.

quarta-feira, 23 de março de 2011

COMEÇA O OUTONO – VAMOS VIVER COM SAÚDE E PAZ, SEMPRE AGRADECENDO A DEUS TODAS AS BENÇÃOS RECEBIDAS.

NINGUÉM NASCE FEITO. É EXPERIMENTANDO-NOS NO MUNDO QUE NÓS NOS FAZEMOS – Paulo Freire
FELIZ DE QUEM ENTENDE QUE É PRECISO MUDAR MUITO PARA SER SEMPRE O MESMO – Mário Quintana


NÃO FIQUE REMOENDO AS COISAS DO PASSADO.

FICAR PRESO AO PASSADO NÃO DÁ FUTURO

NÃO SE DEIXE PRENDER POR MÁGOAS E RESSENTIMENTOS

NÃO SE ATORMENTE COM O QUE PASSOU, MESMO QUE RECONHEÇA SEU ERRO

LEVANTE – SE E SIGA EM FRENTE O MAIS RAPIDAMENTE QUE PUDER


FAÇA AS PAZES COM SEUS ADVERSÁRIOS,ENVIE PENSAMENTOS DE SIMPATIA E AMOR.



E TODAS AS MÁGOAS E RESSENTIMENTOS SE AFASTARÃO DE VOCÊ PASSANDO A VIVER FELIZ, RISONHO E SAUDÁVEL

segunda-feira, 14 de março de 2011

Parabéns Pacheco, pelos seus 100 anos de Vida!

DANILO E GISELE CONVIDAM PARA O SEU ENLACE MATRIMONIAL

O único trunfo que Verônica tinha, a sua derradeira carta no jogo sujo da vida, era aquele filho lindo de morrer. Sensível, inteligente e simpático, Danilo era, entretanto, fruto de um amor proibido em sua juventude. Cobiçado pelas jovens solteiras da cidade, levava uma vida discreta, quase terminando o curso de Medicina, bancado a muito custo por sua mãe. Verônica tinha feito todos os sacrifícios para criar o filho sozinha, tendo apenas a ajuda de algumas amigas, já que os parentes queriam vê-la sempre à distância. Recebiam Danilo em suas casas, por alguma consideração. Cresceu sem saber quem era o pai. Mas nunca perguntou nada. Mágoas passavam longe dele. E assim foi crescendo.
Verônica foi expulsa de casa pelo pai quando soube do “mal passo” da filha. Não teve outro jeito. Na zona de meretrício do Buiê-ê, também conhecida como “Buraco da Onça”, numa cidadezinha do Sul de Minas, Verônica teve e criou o filho até quando pode. A parteira já tinha achado lindo demais aquele bebê. As meninas do bordel então, noooosssaaa! Queriam ficar com ele no colo o tempo todo, como se o filho de Verônica fosse delas. Depois, um grupo de freiras caridosas cuidou da educação do menino, guardando o segredo para todo o sempre, sem que ele fosse deixado na roda dos enjeitados. Para sobreviver a mãe ficou bastante conhecida como intérprete de músicas românticas que falavam da solidão do amor não retribuído. Era a favorita do cabaré onde se apresentava e tirava o seu ganha pão. Até que um rico empresário, apaixonado pelos seus cabelos ruivos e olhar castanho profundo e misterioso decidiu montar uma casa só para ela. Viveu, por vários anos em Santos. A casa era um palacete que o empresário recebeu como parte da herança de sua família. Pode, desta forma, viver discretamente e tirar o filho do Colégio de freiras para morar com ela colocando uma enorme pedra sobre o seu passado.
Danilo já tinha uns 12 anos. Algum tempo depois, com o falecimento do rico empresário, que sempre preferiu ficar incógnito, Verônica foi surpreendida com uma pequena fortuna deixada num banco . Nada mais foi questionado.



Quase terminando o curso de Medicina Danilo foi fazer residência na Santa Casa de Misericórdia da cidade de Cunha onde sua mãe tinha nascido, no Vale do Paraíba. Foi aí que começou o Deus nos acuda! Danilo, do alto de seus 27 anos passou a ser quase venerado como um Deus pelas mulheres casadoiras da cidade. Todo dia era uma verdadeira romaria de jovens solteiras na Santa Casa só para vê-lo. Algumas mantinham a calma, a discrição, outras não. As mais nervosas acabavam dizendo nas consultas, descaradamente, “ sabe doutor, o senhor é tão lindo, que já me esqueci o que tinha!” Danilo acabava rindo, mas tratava todas com muito carinho.
Ficou famoso na cidade pela gentileza com que tratava as pessoas. Vivia agora, com a mãe, num pequeno, mas confortável sobrado. Contava para sua mãe todas as proezas de suas pacientes ou nem tanto. Todas carentes de amor. Mas a mãe, sorrindo e tomando um bom vinho do Porto, argumentava se já não estava na hora de casar. Aí ele pegava a mãe no colo e carinhosamente dizia “Dona Verônica tá na hora de dormir, vai”, desconversando.
Já andavam dizendo na cidade que Danilo era um anjo viril caído do céu por acaso. Um milagre! diziam algumas beatas. As moças suspiravam quando ele entrava na Padaria Paris, no centro de Cunha onde todos se reuniam numa espécie de “Happy Hour”. Tomava um cafezinho com os amigos e comprava pães. A “turca” Zobaida, dona de um armarinho na rua do Mercado, comentava, “vai ser lindo assim lá em casa!”, devorando um enorme Beirute. A espanhola Sarita ao vê –lo viajava de volta para Sevilha, tocando castanholas e dançando flamengo. “Muy Guapo”. Já a meio caipira, mas louca de esperta, Sibil (Sibir para os íntimos), rezava “Mas que pedaço de mal caminho , crendos padres!” As adolescentes então! Sonhavam, com Clark Gable, como a Judy Garland. Danilo sorria, sempre.
Se destacava dos outros jovens pela sua vasta cultura. Antes dos 20 anos, sonhando em ser escritor já tinha lido um pouco de tudo. De Machado de Assis a Thomas Mann. Gostava dos filósofos gregos. Meditava em seu quarto, em cuja sacada lateral podia ver a Rua do Mercado e, nas noites quentes, ficava ouvindo a soprano lírico Alva cantando acompanhada ao piano por seu sobrinho, o tenor Fabiano. E sonhava mais ainda. Nessas horas mortas a rua do Mercado virava, em sua imaginação, em ruas de Nova Iorque, Paris, Roma, Londres, na Ópera de Paris, no La Scala , de Milão, onde fosse neste mundão de Deus. Lima Barreto, Aluísio Azevedo, Fernando Sabino, Cecília Meirelles, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa,Raquel de Queiróz, João Cabral de Melo Neto entre os brasileiros e Fernando Pessoa, Eça de Queirós,Sartre,Borges, entre antigos e recentes, Danilo se mantinha em dia, atualizado com todos. Adorava Filmes, os bons filmes. Música, era eclético. Chico Buarque, Cartola, Noel Rosa, pops, como os Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, o bolero de Ravel e por aí a fora.

Uma vez, provando o seu grande caráter e compaixão pelo próximo, defendeu abertamente, um colega gay na Faculdade que estava sendo humilhado pelos outros. “Nada a ver, meus amigos, cada um é o que é, não vou deixar de ser colega dele só, por isso!” E abraçou Dedé, também conhecido por “Oscar Wilde”, nas rodas universitárias, por sua preferência pelo escritor inglês na época da rainha Vitória. Em Cunha, pegava sua valise de médico jovem e, de jipe ia atender a população rural sem recursos.Voltava cansado, mas realizado e, não fora poucas as vezes, que caía em prantos nos braços da mãe. “É muita pobreza, mãe, parece que Deus esqueceu dessa gente, nunca vou me conformar!”
Discreto como era, ninguém poderia imaginar que Danilo já tinha feito a sua escolha, aquela que iria conviver para sempre ao seu lado, como dona de seu coração. Era Gisele, de São José dos Campos, formada em clínica geral, como ele. Quando a trouxe para Cunha, as moças quase entraram em pânico. “Vai se casar!”, Ai, eu me mato, ai, entro prum convento! Casamento marcado na Igreja do Carmo, que ficou lotada, muitas mulheres chorando. As que se achavam preteridas fizeram o maior escândalo na porta igreja.


Passaram mal. Se escabelaram, mas não teve jeito. Quase foi preciso chamar uma ambulância, pois fingimento não era!


Por precaução e para ter total certeza do passo que ia dar, Gisele recorreu, meses antes do casamento,à vidente Jupira Bola de Cristal, famosa na rua Salvador Preto, num bairro de Jacareí e bem relacionada na sociedade local e na região, pelos seus acertos em vários casos pessoais envolvendo dinheiro, traição, amor e paixão. A vidente viu tudo dentro da bola de cristal e dentro de uma bacia com água numa dessas noites em que as estrelas parecem estar bem próximas da Terra e refletidas na bacia de Jupira. Lá estava o rosto de Danilo cercado de estrelas de todas as possíveis galáxias do universo. É ele mesmo, minha filha, pode ir em frente e seja feliz, muito feliz, imensamente feliz.
E a felicidade era geral mesmo durante a cerimônia religiosa do casamento de Danilo e Gisele, como no final feliz daqueles filmes antigos de Frank Capra, considerado o mais otimista dos diretores de cinema de uma Hollywood que não existe mais, Filmes como “ A Felicidade Não se Compra” ou no “Os Melhores Anos de Nossas Vidas”, de um diretor iniciante Billy Wilder.


E dentro da igreja, discretamente saboreando seu grande triunfo,depois de tantas injustiças e sacrifícios, lá estava, prá lá de chic, Verônica, a mãe do mais belo,másculo, bom e gentil noivo que já apareceu por aqui. E uma súbita, doce e escancarada alegria invadiu o seu coração de mãe.


E pensou, limpando as lágrimas de emoção nos olhos, “meu filho querido, você é o grande amor da minha vida”.
Danilo e Gisele moram há dez anos no bairro de Williansburg,atualmente o mais badalado reduto boêmio de músicos, intelectuais e artistas de cinema e TV de várias nacionalidades, em Nova Iorque, onde abriram uma bem sucedida clínica médica para atender brasileiros,latinos e estrangeiros de várias partes do mundo, tentando um lugar ao sol na “Big Apple”. De vez em quando a “vó” Verônica viaja prá lá para ver o casal de netos, Adriano e Mariana. Danilo e Gisele até querem voltar para o Brasil, mas está cada vez mais difícil pois trabalham muito, cada vez mais. Todos formam, enfim, uma família feliz.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Memórias de Carnaval



Sugiro este site para esse tema, as melhores marchinhas de Carnaval dos anos 50 em diante:

http://www.anosdourados.net.br/carnaval50midi/carnaval50.htm



CARNAVAL 2011, SAMBA ENREDO DAS ESCOLAS DO RIO DE JANEIRO:
Grupos Especiais

Unidos da Tijuca - "Esta Noite Levarei Sua Alma"
Acadêmicos do Grande Rio - "Y-Jurerê Mirim - A Encantadora Ilha das Bruxas (Um Conto de Cascaes)"
Beija-Flor de Nilópolis - "A Simplicidade de um Rei"
Unidos de Vila Isabel - "Mitos e Histórias Entrelaçadas Pelos Fios de Cabelo"
Acadêmicos do Salgueiro - "Salgueiro Apresenta: o Rio no Cinema"
Estação Primeira de Mangueira - "O Filho Fiel, Sempre Mangueira"
Mocidade Independente de Padre Miguel - "Parábola dos Divinos Semeadores"
Imperatriz Leopoldinense - "A Imperatriz Adverte: Sambar Faz Bem à Saúde"
Portela - "Rio, Azul da Cor do Mar"
Unidos do Porto da Pedra - "O Sonho Sempre Vem pra Quem Sonhar..."
União da Ilha do Governador - "O Mistério da Vida"
São Clemente - "O Seu, o Meu, o Nosso Rio, Abençoado por Deus e Bonito por Natureza"

SAMBA ENREDO DAS ESCOLAS DE SÃO PAULO:
Grupos Especiais

Unidos do Peruche - “Abram-se as cortinas! O espetáculo vai começar. 100 anos do Theatro Municipal de São Paulo a Peruche vai apresentar. Bravo, bravíssimo!”
UNIDOS DE VILA MARIA - "Teatro Amazonas – Manaus em Cena”
MANCHA VERDE - “Uma idéia de gênio”.

GAVIÕES DA FIEL “Do mar das pérolas e das areias do deserto à cidade do futuro – Dubai, o sonho do Rei Maktoum”.
ROSAS DE OURO Abre-te Sésamo, a Senha da Sorte”
IMPÉRIO DA CASA VERDE “Samba, Sabor, Cerveja. Admirada há Milênios, a Mais Nova Sensação Nacional”
X-9 PAULISTANA Nas asas de um sonho de uma criança, Renato Aragão, o embaixador da esperança”.
VAI VAI- "A Música Venceu”
PÉROLA NEGRA -“Abraão, o Patriarca da Fé
NENÊ DE VILA MATILDE- Salis Sapientiae – uma história do mundo”.
TOM MAIOR- “Salve Salve São Bernardo, Pedaço do meu Brasil -- Terra Mãe dos Paulistas”
MOCIDADE ALEGRE -"Carrossel das Ilusões”.
ÁGUIA DE OURO -“Com todo gás a Águia de Ouro é fogo”.
ACADÊMICOS DO TUCURUVI-"Oxente, o que seria da gente sem essa gente. São Paulo, capital do meu nordeste!”.




E NÃO SE ESQUEÇAM: