Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
Há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
(Últimos Poemas - Pablo Neruda)
Pablo Neruda, cujo nome verdadeiro é Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, nasceu em 12 de julho de 1904, na cidade do Parral, no Chile. Seu pai era um funcionário ferroviário e sua mãe, que morreu pouco tempo após o seu nascimento, foi professora. Alguns anos depois, seu pai, que tinha voltado a casar com dona Trinidad Candida Malverde, mudou-se para a cidade de Malverde.
Pablo Neruda
A infância e juventude do poeta foram passadas em Temuco, onde conheceu Gabriela Mistral, diretora da escola feminina secundária, que se tornou numa grande protetora e sua amiga. Com a idade de treze anos, começou a publicar os seus primeiros artigos para jornais e também o seu primeiro poema. Em 1920, tornou-se colaborador do jornal literário Selva Austral, sob o pseudónimo de Pablo Neruda, que adotou em memória do poeta checoslovaco, Jean Neruda.
Alguns dos poemas de Neruda, escritos naquela época, podem ser encontrados no seu primeiro livro Crepusculário (1923). No ano seguinte publicou Veinte Poemas de Amor e una Cancion Desesperada, que veio a tornar-se numa das obras mais conhecidas e traduzidas. Conjuntamente com a sua atividade literária, Neruda estudou francês e pedagogia na Universidade do Chile, em Santiago.
Neruda e sua esposa Matilde
Entre 1925 e 1937, o Governo nomeou-o para dirigir diversos consulados honorários, facto que o levou para a Birmânia, Ceilão, Java, Singapura, Buenos Aires, Barcelona e Madrid. A sua produção poética durante este período difícil, incluíu, entre outras obras, a coleção de poemas esotéricos Residencia en la tierra , que marcou o início da sua produção literária. A Guerra Civil Espanhola e o assassinato de García Lorca, que Neruda conhecia, afectaram-no fortemente e fizeram com que aderisse ao movimento republicano, primeiro em Espanha, e mais tarde em França, para onde se mudou e continuou a publicação de poemas, agora orientados para assuntos políticos e sociais.
Pablo Neruda e Salvador Allende
España en el corazón, teve um grande impacto devido ao facto deter sido imprimido no meio da frente, durante a guerra civil. Posteriormente, quando nomeado Cônsul Geral do México, reescreveu o seu Cantico General de Chile e transformou-o num poema épico sobre todo o continente sul-americano, o seu povo e a sua história. Este trabalho, intitulado Canto Geral, foi publicado no Chile e no México, e constitui a parte central da sua produção, traduzido em cerca de dez idiomas.
Regressado ao Chile, envolveu-se nos tumultos políticos internos, aderiu ao Partido Comunista do Chile e devido aos seus protestos contra a política repressiva do Presidente Vilela, viu-se obrigado a viver, escondido e no anonimato por um período de dois anos, findos os quais partiu para o estrangeiro. Depois de viver em diferentes países, em 1952 retornou a casa. A sua obra publicada nesta época, reflete toda a instabilidade, lutas e actividade política que Neruda viveu.
Casa museu de Neruda, em Isla Negra, perto da qual
se encontra a sua sepultura.
Entre os trabalhos que marcam os seus últimos anos podem ser citados Cien sonetos de amor(1959), que inclui poemas dedicados a sua esposa Matilde Urrutia, Memorial de Isla Negra, de carácter biográfico, em cinco volumes, Arte de pajaros, La barcarola e vários outros, por ocasião do seu 60.º aniversário.
De acordo com Isabel Allende, Pablo Neruda morreu de tristeza em setembro de 1973, ao ver dissolvido o governo de Salvador Allende.
Logotipo do filme "Il Postino",
ou o "Carteiro de Pablo Neruda".
Na realidade, a sua morte foi originada por um câncro na próstata. Em vida, foi agraciado com o Prémio Lenin da Paz e em 1971 foi-lhe atribuído o Nobel da Paz.
Já em 1965 lhe havia sido autorgado o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha.
Da sua vasta obra, escolhi estes dois poemas, qual o mais belo...:
Posso escrever os versos mais tristes esta noite...
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a por vezes e ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
(Poema XX de "Vinte poemas e uma c anção desesperada")
REFLEXÂO:
"ALGUMAS PESSOAS OLHAM O MUNDO E PERGUNTAM:PORQUÊ?.
EU PENSO EM COISAS QUE NUNCA EXISTIRAM E PERGUNTO: POR QUE NÃO?
Como Tércio e Murilo não poderiam lembrar de Dona Rosalphina logo após a genial interpretação da atriz Marília Pera, no papel de uma professora muito louca, na peça “Apareceu a Margarida”, de Roberto Athaíde, naquela memorável noite,meados de 1980, no Teatro Ipanema, lotado. Os dois irmãos gêmeos, com 22 anos, naquela época, estavam de férias no Rio e foram assistir a peça com mais alguns amigos do interior de SP.Todos riram muito. Com eles estava dona Eunice que era a diretora de Cultura da administração municipal do pai deles, então prefeito da cidade. Com a missão de “corromper”, um pouco os dois. No bom e no mal sentido é claro.
O Rio, para todos os jovens intelectuais é sempre uma caixinha de surpresas até hoje inesgotável. O grupo de amigos vasculhando a cidade, tiveram tempo ainda de assistir outra peça de enorme sucesso na época – “Gaiola das Loucas”, no Teatro Rival,em pleno reduto boêmio, na Cinelândia, com o impagável Jorge Dória, no hilariante papel de uma bicha louca, Canarinho e outros atores. Tedo e Piti, como eram chamados na intimidade, tomaram não só banhos de mar, mas também, um banho de cultura. E de “otras cositas mas”. Hoje são pessoas sensíveis, finamente educados e profissionais em SP, maduros, realizados, amantes da arte e do que a vida tem de melhor.
Ah! Dona Rosalphina, no auge de seus 47 anos era a professora de Matemática deles. Conhecia a matéria de trás prá frente, catedrática mesmo, dessas profissionais que quase não existe mais. E ainda falava fluentemente inglês, francês e espanhol.
Quando esbravejava com a classe, uma 8ª. Série infernal, misturava ,de propósito, os idiomas e sacudia suas milhares de pulseiras, fazendo a alegria da meninada. VOCÊS SÃO UNS ESTAFERMOS! dizia, no mínimo. Que quer dizer isso, professora? Ensinava com dedicação e amor. Solteirona, só se lembrava de um namorado italiano. O resto foi resto, dizia para os curiosos. HOJE ESTOU AZEDA,NÃO BRINQUEM COMIGO,HEIN! A classe mista, as meninas tremiam nas canelas e não ousavam enfrentá-la, mas os meninos, na fase de adolescentes, a adoravam. Não só pelo saber, mas pelas sacanagens e trocadilhos que dizia para animar as aulas. Misturava gíria com os conceitos matemáticos. Subia pelas paredes para explicar muito bem alguma coisa da matéria. Desse jeito, matemática era fácil de aprender.E divertido. Rosalphina dominava, com sua extravagante pedagogia.
Tércio e Murilo, é claro, jamais se esqueceriam também dos atributos físicos da professora. Era bonita e também ficou conhecida pelos seus enormes peitos. O decote ficava no limite, até onde a decência permitia para não chamar a atenção e os colegas não botarem reparo. É claro que alguns falavam da ousadia, que nem podia ser tanto assim. Mas quando ela avançava classe a dentro ,através das carteiras, exibindo aquela fartura empinada, fazia a delícia na curiosidade dos meninos. E quando se voltava rapidamente para o quadro negro, explicando as funções, as equações, as raízes cúbicas e quadradas parecia que ia jogar, voluptosamente, aquelas melancias na cabeça dos alunos. Alguns até brincavam”ÊPA,SAI DEBAIXO,LÁ VEM A MONTANHA RUSSA!” mas ela só ria meio disfarçada da pretensa ingênuidade da sacanagem deles. Não precisava dizer que ela tinha preferência pelos meninos, sabe-se lá qual a razão, mas ficava mais a vontade entre eles. Talvez por nunca ter se casado e nem tido filhos.
Quando estava meio enlouquecida da vida, Rosalphina ainda colocava na testa, duas vírgulas,com os cabelos, que parecia um chamariz . Era um realce feminino para alguém que tinha plena noção de que a idade, inexoravelmente, estava chegando. Mas ela parecia não ter medo de nada. Entendia da vida quase tudo. Por isso era discreta em suas opiniões. Defendia é claro, com lucidez, seus pontos de vista, sobre educação, família, sociedade. Enfim. Não era nem um pouco hipócrita. Muito menos CATÓLICA, apostólica, romana.
Tanto assim que quando viu a pequena Beatriz, entrar em prantos na escola e se esconder embaixo da bancada do laboratório, foi logo abrindo caminho no alvoroço, acolhendo a menina,com carinho, numa sala contígua, até acalmá-la e obter dela, envergonhada, uma confissão : queria usar calcinha, mas o pai, viúvo e ignorantão, obrigava as filhas a só usarem cuecas, como os filhos, por questão de economia até. O homem tinha 8 filhos, tudo escadinha e a menina, começando a ficar mocinha, não podia se submeter a autoridade paterna nesta questão. “Tenho vergonha do que minhas amigas vão dizer”, balbuciou. “Pode ficar calma, já vou resolver isso”. Rosalphina liderou uma campanha em surdina e logo Beatriz tinha um monte de calcinhas para usar
MAS É HOJE QUE EU PEGO ESTE CABRA DE JEITO OU NÃO ME CHAMO ROSALPHINA! Foi até a casa do pai de menina e disse poucas e boas para aquele ignorante nordestino que já tinha se esquecido de que meninos e meninas passam pela fase da puberdade. E que existe uma diferença fundamental entre usar cuecas e calcinhas. O pai ouviu tudo calado, de cabeça baixa. AÍ DELE SE RETRUCAR!, pensou a professora. Uma lição para o resto da vida. Assim era Rosalphina. Tinha uma filosofia de vida. Sabia da importância de ensinar e de amar as pessoas. A professora foi até aplaudida pela sua coragem e iniciativa.
GENTE, JÁ PENSOU SE ELE TIVESSE UMA PEIXEIRA NA CINTURA, EU ESTARIA MORTA, COM CERTEZA!
Só uma vez, durante um churrasco de final de ano letivo, Rosalphina ( e a bem da verdade, também algumas outras professoras que viviam reprimidas sexualmente), bebeu um pouco mais e teve um pilequinho. Antes de ser levada para casa, ria, ria, mas que ria e gritava – ESTA FESTA PARECE ROMA ANTIGA! ME DEIXEM FICAR MAIS UM POUCO! POR FAVOR!
Deitada na cama, meio adormecida, no quarto em penumbra, agora, com certeza, via no passado,a figura daquele jovem italiano irriquieto, (que uma vez pôs fogo em sua alma), a invadir e aquecer seu coração e mente de mulher apaixonada,vagando numa agradável bruma etílica.POR ONDE ANDARÁ AQUELE NAPOLITANO SEDUTOR?
REFLEXÃO
O HOMEM É O QUE PENSA. SE VOCÊ INSISTIR EM PENSAR NO MAL, NA DOR,NA DOENÇA,VOCÊ OS ATRAIRÁ PARA SI.PENSE NA SAÚDE,NA ALEGRIA,NA PROSPERIDADE E SUA VIDA TOMARÁ NOVO RUMO. AFIRME SEMPRE QUE É FELIZ,QUE AS DORES PASSAM,QUE A SAÚDE SE CONSOLIDA CADA VEZ MAIS E A FELICIDADE BATERÁ À SUA PORTA. SEJA OTIMISTA E PERMANEÇA O MAIS POSSÍVEL LIGADO AO PAI CELESTIAL.
REFELEXÕES: DEFICIENTE É AQUELE QUE NÃO CONSEGUE MODIFICAR SUA VIDA; MUDO É AQUELE QUE NÃO CONSEGUE FALAR O QUE SENTE E SE ESCONDE POR TRÁS DA MÁSCARA DA HIPOCRISIA;PARALÍTICO É QUEM NÃO CONSEGUE ANDAR NA DIREÇÃO DAQUELES QUE PRECISAM DE SUA AJUDA;DIABÉTICO É QUEM NÃO CONSEGUE SER DOCE. MÁRIO QUINTANA
Olha mamãe, que bonito! Maria Consuelo desde pequena assim exclamava chamando a atenção de todos. Com o rostinho quase colado na janela do ônibus que a levava para um passeio em São Francisco Xavier, bucólico e encantador distrito de São José dos Campos, perseguia com os olhos o riacho cheio de pequenas cascatas que descia do alto da serra. Que bonito! Aí todo mundo queria ver a paisagem de ambos os lados, saindo da indiferença costumeira. Alguns usavam câmeras digitais ou celulares registrando detalhes dos lagos, pesqueiros, ribeirões correndo entre as pedras cobertas de musgos; das matas, dos campos e dos vários sítios e chácaras com suas flores, plantas e pequenos animais pastando, cavalos, bois e vacas. E o ônibus seguia sua viagem encantada, com todos se confraternizando alegremente. Tudo por causa de Maria Consuelo e sua mania (mania?) de ver tudo bonito. A menina, já com 11 anos, ficava embevecida e calada só olhando, com profundidade a beleza da pródiga natureza. Era assim, por onde passava exclamava que bonito, chamando a atenção das pessoas, pegando – as desprevenidas em seu cotidiano anestesiado pela pressa, não vendo e não sentindo nada. Continuava exclamando baixinho, com medo de que pudesse perder aqueles momentos mágicos de rara beleza e encantamento diante dos mais variados cenários. Tanto na roça, como nas praças das cidades por onde passava e nas praias do Litoral Norte Maria Consuelo adorava ver todos os detalhes que acabavam fixos em sua retina. Era uma menina calma, mas não diferente das outras, nos conhecidos interesses da infância e da adolescência. Tinha este predicado: não deixar de perceber a beleza de tudo. Por exemplo, quando viu o mar pela primeira vez, as ondas quebrando na praia, a areia, o sol e seu calor, desde o amanhecer até o poente, o azul do céu, a lua e as estrelas aos poucos pontilhando cada vez mais intensamente no infinito. Tinha um caderno onde começou a registrar tudo o que via, como um pequeno diário das belezas que via. E vivia um eterno idílio com a natureza. A dor das perdas, na maioria das vezes, passava bem longe dela. Sabia que os entes queridos assim como os animais de estimação algum dia tinham que partir. Foi educada para refletir sempre que nada era para sempre, entretanto. E se conformava. Ela tinha perfeita noção do que os homens em sua ânsia de lucros estavam fazendo com a natureza. Aí é que não se conformava mesmo, ficando agitada e falando pelos cotovelos, quase esbravejando, cheia de incontida raiva quando via na TV notícias mostrando os correntões que os fazendeiros estavam usando para acabar com trechos da Amazônia. Ficava horas na Internet vendo a região do Jalapão,em Tocantins e suas paisagens quase intocáveis.
Que lugar bonito! Em seu quarto, quando ia deitar ficava com os olhos bem abertos no teto que aos poucos ia se transformando num filme onde apareciam os duendes das florestas e outros seres sobrenaturais, mantendo com eles um silencioso e prazeiroso diálogo. Muitas vezes a mãe, com aquela eterna doçura e preocupação, ao abrir, um pouquinho a porta do quarto, via que a filha estava sorrindo, mas no mais profundo dos sonos...e dos sonhos. Seus outros irmãos Pedro, Ana e Catarina, eram seus cúmplices em busca da beleza. Uma professora a incentivou a pintar também suas impressões ecológicas e dar ainda mais asas a sua imaginação. Foi assim que Maria Consuelo começou fazer desenhos e a pintar. “Tudo o que você ver e sentir pelos caminhos que passar faça anotações,fotografe, escreva histórias e desenhe, não deixe mesmo nada passar despercebido. O mundo tem realmente paisagens maravilhosas, embora possa haver também coisas feias e degradadas. Temos que aprender e tentar deixar tudo mais bonito”, dizia Adalgisa, a sua professora, acrescentando cada vez mais conhecimento e sentimento na cabeça da aluna. Escombros, quinquilharias e sucatas também a atraíam, depois de um certo tempo, lá pelos seus 17 anos,pois procurava ver uma nova utilidade para aquilo que já tinha tido sua época e seu valor ornamental. Beleza na decadência. Começava aí também sua fase de decoradora. “Olha como ficou bonito!”, dizia referindo – se a um vaso, uma cadeira, uma porta ou janela, coisas, enfim que ela garimpava em ferro velhos e demolições e transformava com seu talento.Começou a ganhar dinheiro com isso, como consequência... Aos 19 anos, criou coragem e começou a fazer montanhismo, arborismo e a praticar outros esportes radicais como saltar de asa delta com sua turma lá em São Bento do Sapucaí. Além das trilhas que fazia todo final de semana costumava nadar em rios e lagos e tomar banho na primeira cachoeira que encontrasse pelo caminho. O prazer era enorme, comentava. Em sonhos se via numa Asa Delta cruzando as serras da Mantiqueira, o Vale do Paraíba, a Serra do Mar e descer em alguma praia do Litoral Norte, como a praia da Fazendinha, em Ubatuba, uma de suas preferidas. Maria Consuelo tinha, contudo, seus momentos de pânico. Recolhia-se a um canto qualquer da casa, de preferência lá no fundo do quintal, com medo de que as pessoas não pudessem entender seus sentimentos. Momentos que só ela, apenas ela, queria desfrutar, sem compartilhar com ninguém, não por egocentrismo ou egoísmo, mas por puro medo de que pudessem roubar aquela vastidão de reflexões e imaginação que, várias vezes terminava num turbilhão mental, em lágrimas, furtivas ou em silêncios mais abissais ainda. “Que faço da minha vida!”, resmungava, limpando os olhos. Ela chamava esses momentos, de “conversa no fundo do poço”. Mas estava tudo ali tão perto, com claridade meridiana, inclusive o grande amor que seus familiares sentiam por ela, principalmente a avó romena que praticamente entendia tudo daquela neta adorada. Aos 21 anos a anciã, que conciliava em si desmedido afeto e sabedoria, proporcionou a ela sua primeira viagem à Europa, com tanto que ela participasse ativamente de uma grande passeata do Greenpeace, ONG ecológica mundial, em uma de suas passagens pelo Brasil, na ECO 92, no Rio. Missão que Maria Consuelo tirou de letra. É claro que ela foi muito mais longe. Começou a participar do grupo SOS Mata Atlântica, tornando-se uma das líderes. Uma vez até tentou impedir a ação dos barcos baleeiros no Oceano Pacífico, com o Greenpeace e a conscientizar a preservação ambiental em várias cidades e penetrar nas selvas, em sua fauna e flora em busca daquela beleza que ela procurava manter desde a infância. Consuelo, agora ao lado do apaixonado Victor, seu companheiro na ONG, se emocionava com tudo o que via, fosse um bichinho, uma borboleta; uma cachoeira, um riacho, ou um rio largo, descendo para o mar ou o encontro de suas águas em vários deltas que conheceu mundo afora. Às vezes, sentada junto de uma árvore, olhando o pôr do sol, adormecia de puro cansaço das jornadas. Cansada mas compensada, do fundo de seu coração, por tudo que o Deus Natureza tinha lhe proporcionado. Estava do outro lado do mundo, participando de um protesto contra as usinas nucleares de Fukushima, abaladas por um terremoto e um tsunami, no Japão quando recebeu um telefonema do Brasil. Sua avó tinha falecido. Aí não teve jeito mesmo. A dor penetrou no âmago de sua alma. E chorou amargamente nos braços de Victor. De pura saudade da avó.
CORTA! - TRINTA ANOS SEM MAZZAROPPI – Algumas recordações Título Original: A Carrocinha Ano/País/Gênero/Duração: 1955 / Brasil / Comédia / 100min Direção: Agostinho Martins Pereira Produção: Jaime Prades Roteiro: Walter George Durst, Agostinho Martins Pereira, Galileu Garcia, Jacques Deheinzelin Fotografia: Jacques Deheinzelin Música: Giovanni Zalunardo
Elenco
Amácio Mazzaropi Jacinto Doris Monteiro Ermelinda Modesto de Souza Juca Miranda Adoniran Barbosa Salvador Gilberto Chagas Alinor João Silva Lisboa Aidar Mar Clotilde Paulo Saffioti Teotônio Kleber Macedo Adalgiza Nicolau Sala padre Simão Salles de Alencar Abel Fragoso José Nuzzo Tatu Luiza de Oliveira Dona Hortênsia Reinaldo Martini Paulo Diná Machado tia Josefa José Gomes tio José
Era em Santa Branca. No ano de 1955 em que Amácio Mazzaroppi filmava “A Carrocinha”, um de seus grandes sucessos. Ainda em preto e branco. O elenco ficou hospedado em Jacareí, no Hotel Máximo, mas uma parte ficou na casa da minha tia Eneida e da Pacheco que tinham aposentos amplos e confortáveis, para não atrasar muito as filmagens que se deram praticamente na pequena praça da cidade e em ruas próximas. O filme conta a singela história de um menino cujo cão de estimação escapa da sua casa e fica perambulando pelas ruas até ser recolhido pelos homens de preto da aterrorizante carrocinha da Prefeitura. Cenas dolorosas e revoltantes se passam no enredo. Com muito custo o menino e seus amiguinhos conseguem libertar o pequeno cão e os outros que também tinham sido presos,o próprio condutor da carrocinha acaba se apaixonando por uma caipirinha que adorava cachorros. No final há uma revolta dos moradores que destroem e incendeiam o veículo. Final feliz com todos entoando:"Cai Sereno Cai" uma das preferidas canções de Mazzaroppi. O meu tio Laércio era vereador na época e trabalhava na Fábrica de Fogos Caramuru. Numa das cenas aparecia conduzindo uma charrete. Nunca pretendeu ser ator mas acabou fazendo também uma ponta num outro filme – “Cara de Fogo”, com Alberto Ruschel, com cenas filmadas numa chácara. Veja um trecho do Filme:
O filme “O Cangaceiro”, com este ator e mais a famosa atriz Vanja Orico, que acabou morando muitos anos na Europa, também teve sua famosa abertura feita no alto do banhado, em São José dos Campos, bem atrás onde hoje se situa a J&J, com a trilha inesquecível da música “Mulher Rendeira”. O filme acabou sendo premiado no Festival de Cannes, na França,no ano de 1954, se não me engano. Outro filme brasileiro premiado lá foi “ O Pagador de Promessas”, da obra de Dias Gomes, em 1961. São referências cinematográficas quando os filmes eram feitos com muita dificuldade. De forma quase artesanal. Mas os resultados eram surpreendentes. Voltemos a Mazzaroppi. Imaginem vocês o enorme privilégio que era para os moradores da pequena e adorável cidade participar das filmagens. Imaginem a alegria das crianças ver todos os dias o Mazzaroppi dirigindo e atuando. E elas mesmo participando das cenas externas do filme. Maior felicidade não poderia haver. Está tudo registrado no Museu deste famoso artista, lá em Taubaté. Além da Cia. Cinematográfica Vera Cruz havia a PAM – Produções Amacio Mazzaroppi, criada por ele, com muita coragem e pouco dinheiro. E é claro, muito amor. Além do elenco, a cantora e atriz Dóris Monteiro encantava a todos. Ela participava do filme e, durante um jantar em homenagem aos moradores e aos artistas, cantou várias músicas de sucesso de seu repertório. Estava no auge de sua brilhante carreira de cantora. Dizem que foi uma noite inesquecível! O filme foi exibido em Jacareí, no Cine Rio Branco lotado, com a presença de Mazzaroppi. Uma cena hilária ficou registrada na história das filmagens. Os meus primos, o saudoso Fernando e a Regina, calçando tamancos, crianças naqueles bons tempos, não entendiam nada de locações e gravações técnicas. Em pleno sol do meio dia, num forte calor de verão, lá vieram os dois chamarem os artistas para almoçarem. O elenco estava quase no final de uma cena. Alto e sonoro gritaram “Paiê, a mãe tá chamando todo mundo pra ‘armoçar’”. Mazzaroppi tinha uma notória paciência, além do humor característico. CORTA! Gritou. E todos caíram na gargalhada. Fernando e Regina voltaram correndo prá casa, vermelhos que nem dois pimentões! Época de ouro de uma cidade, como relataram alguns moradores bem antigos. Que no ano seguinte , num enorme piquenique coletivo, despediram-se de muitas fazendas, chácaras e sítios; lugares de uma beleza e paz infinitas, que ficaram inundados com a construção de uma grande barragem. Uma festa com missa solene, banda de música,lencinhos abanando, foguetório e muitas lágrimas nos olhos. Era em Santa Branca. Famosa pelo seu clima ameno e pelos peixes pescados no rio Paraíba, de cima da Ponte Metálica construída no começo do século passado pelo engenheiro e escritor Euclides da Cunha, de “Os Sertões”.
REFLEXÕES: NÃO TENHAMOS PRESSA, MAS NÃO PERCAMOS TEMPO. José Saramago, 1922-2010.
Indispensável mesmo é o Fondue, nas opções doces e salgadas, na versão romântica pode ser com morangos e chocolates... ou o tradicional com os queijos: Gruyère e Emmental.
Assistir um bom filme, enrolado sobre o Edredon e comendo pipocas... uma dica: "NOSSO AMOR DE ONTEM."
Um belo passeio em Campos do Jordão
Degustar um bom Vinho
Canja de Galinha
Estudos científicos comprovam os benefícios da canja de galinha. Essa deliciosa receita também é fácil de fazer.
Ingredientes:
- 500g de coxas de frango sem pele
- 1 litro e 750 ml de água filtrada (7 xícaras)
- 1 folha de louro
- 8 dentes de alho
- 2 colheres (chá) de sal grosso
- salsa e cebolinha desidratada
- ½ xícara (chá) de arroz
- 3 cenouras
Preparo:
Numa panela grande, colocar o frango, á agua, o louro, os dentes de alho cortados ao meio e 1 colher de sal. Ligue o fogo e deixe cozinhando por cerca de 15 minutos. Conforme a água ferve, uma espuma se formará na superfície. Retire a espuma com uma colher grande.
Quando o frango estiver quase completamente cozido, adicione o arroz escolhido e lavado, as ervas desidratadas e o restante do sal. Cozinhe até que o arroz esteja quase cozido (cerca de 10 minutos).
Acrescente as cenouras cortadas em rodelas finas e o restante do sal (1 colher de chá). Quando a carne do frango começar a soltar do osso, desosse as coxas e devolva a carne para a panela. Quando a cenoura estiver cozida, desligue o fogo.
Sirva quente, regado com um fio de azeite extra-virgem e acompanhado de torradas.
Rendimento: 4 porções
Dicas:
- Descasque as cenouras com um descascador de legumes bem afiado. Corte em fatias com um fatiador manual ou use a lâmina de fatiar do processador de alimentos.
Neste final de semana 10, 11 e 12 de Junho acontece em Jacareí-SP, o 8º encontro de Espiritismo. Dia 10 na sexta-feira na Câmara Municipal apartir das 19:30hs. E no sábado e domingo apartir das 09:00hs no Pátio dos Trilhos e na Sala Mario Lago. o evento comemora o 150 anos de "O livro dos Médiuns", de Allan Kardec.
REFLEXÃO: "A maioria das pessoas imagina que o importante no diálogo é a palavra.Engano, e repito: o importante é a pausa. É ma pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão. Nelson Rodrigues
COMENTÁRIO: Notável a edição Nº143 da revista de bordo:"Na Poltrona", do grupo Itapemirim, que dá várias dicas de viagens do sertão ao litoral do Brasil, principalmente para quem pretende viajar nas próximas férias de Julho, vale a pena vocês conferirem, Acessível no guichês da Companhia nas Rodoviárias. (exemplares distribuidos gratuitamente)
Na Folha de São Paulo no último domimgo 15 de maio de 2011, na coluna Tendências e Debates: MAIS TEMPO PARA AS FLORESTAS- de Marina Silva- ex-ministra do Meio Ambiente.
Também na Folha, no dia 1º de Maio,domingo, Gilberto Dimenstein, em: Um Bairro Redesenha o Futuro, comenta sobre um programa inedito de Gestão Educacional no Harlen, um bairro populoso de New York, que esta tranformando a vida dos jovens e dos antigos moradores.
E na Folha de São Paulo no último domimgo 15 de maio de 2011, Gilberto Dimenstein, em:Laboratório de Felicidade, comenta que os cientistas de comportamento social estão dando caráter cientifico a práticas como o meditação para que as pessoas sejam mais felizes.
Eu descobri recentemente em passeios ao distrito joseense de São Francisco Xavier que a felicidade pode estar bem próximo de nós. A paisagem é majestosa em todo o itinerário. Voltei, nas duas vezes, com o coração renovado e as emoções em ordem,pois a localidade é muito bonita e acolhedora. Programações culturais da Fundação Cultural Cassiano Ricardo completam o passeio. Ribeirões, cachoeiras , cascatas e vales dão uma varredura em nossas amarguras cotidianas.É um lugar sagrado e com uma natureza pródiga, no que a Serra da Mantiqueira tem de mais belo e profundo. De São "Xico", pode se ir até Monte Verde, outro lugar maravilhoso. São Francisco Xavier é reduto de calmaria na serra... Chega o inverno e encontrar um lugar tranquilo para curtir o frio se tornou uma tarefa complicada, já que muitas cidades serranas estão cada vez mais badaladas. Para os que preferem o silêncio à agitação, o distrito de São Francisco Xavier, em São José dos Campos (SP), é uma opção. Ele tem clima de povoado pacato do interior e natureza exuberante, já que 90% do território se encontra em área de preservação ambiental. Localizado a 157 quilômetros de São Paulo, "São Xico", como moradores apelidaram o vilarejo, conta ainda com muitas cachoeiras e rios. Entre elas está a de Pedro David (15 metros de altura), que tem acesso público e é apropriada para banhos por ter uma piscina natural. Já a do Roncador é a mais alta da região, com 45 metros. Além disso, os rios próximos da serra do Selado são propícios para a prática da canoagem. Caminhadas, cavalgadas e montanhismo também têm espaço na vila. A variedade de montanhas e picos, como o Selado (2.082 metros de altitude) e da Pedra Redonda (1.925 metros), é um prato cheio para quem adora fazer trilhas e fãs de turismo ecológico. Em dias mais claros, é possível também avistar cidades próximas, como Monte Verde e Joanópolis. Para quem não se contenta em ficar em terra firme, a cidade também tem uma rampa de voo livre para saltar de asa delta. Apesar de o turismo ser uma atividade relativamente nova em São Francisco Xavier, a infra-estrutura para o setor tem um bom grau de desenvolvimento, com pousadas para diversos bolsos. Além disso, a praça Cônego Antônio Manzi, principal da cidade, reúne restaurantes, lanchonetes e cafés.
"PERTENÇO A UMA GERAÇÃO QUE VIU EXPLODIR A POTENCIALIDADE DA COMUNICAÇÃO HUMANA NO PÓS GUERRA -1945 - POR ISSO,CADA VEZ QUE ABRO O COMPUTADOR,TENHO A IMPRESSÃO DE QUE VOU DETONAR UMA BOMBA ATÕMICA QUE PODE SER INOFENSIVA, QUE NADA OU MUITO DESTRÓI.MAS QUE ME INTRODUZ NUM MAR DESCONHECIDO E MUITAS VEZES MACABRO", Carlos Heitor Cony
Nos fundos de uma pequena loja de armarinhos localizada na principal praça da minha cidade havia um grande tapete persa, relíquia trazida do Líbano pelo dono e guardado com muito carinho numa parede branca. Eu tinha pouca noção de sua importância pois, com apenas 13 anos, o que eu sabia de tudo. Nada! Começava ainda aprender sobre o mundo, seu tamanho e as maravilhas e os mistérios que ele guardava. E também suas misérias. Não me falha a memória, depois de tanto tempo, mostrava um harém, odaliscas lânguidas, um sultão fumando narquile e admirando a dança do ventre de uma delas, com um véu sobre o rosto. Ao lado dos almofadões de seda, uma lamparina acesa brilhava. Na paisagem externa da tenda havia ainda um majestoso cavalo árabe branco montado por um príncipe trajando um rico manto cravejado de pérolas, diamantes, esmeraldas, rubis e muitas outras pedras preciosas. Na faina diária de limpar a loja, tirar o pó e recolocar no seu devido lugar rolos e mais rolos de tecidos caros, pouco tempo tinha para apreciar aquilo, que hoje sei, é uma preciosidade. Era um tapete persa da mais alta qualidade e tradição. Começava ali, quase sem noção, o meu aprendizado das artes e da própria vida. Não foram poucas as vezes que eu surpreendia o “seu” Madhyd chorando, emocionado, diante daquele enorme tapete, balbuciando palavras em árabe, mas para mim totalmente incompreensíveis. Imaginava que ele deveria estar sentindo uma devastadora saudade de sua terra distante, o Oriente Médio, de onde veio para o Brasil, bem jovenzinho ainda. Foi ele e sua família quem me deu o meu primeiro emprego. Uma de suas filhas, Samira, viajava com frequência para a França e de lá para Beirute, conhecida, na época, como “a Paris do Oriente Médio”. Falava francês e nos encantava com suas aulas naquele grande colégio, na rua Barão. Para nós alunos da noite, ginasianos, ainda imberbes, era um raro privilégio. Eu me sentia cosmopolita já vivendo em qualquer lugar do mundo. Sonho e mais sonho. Com muito orgulho eu dizia para meus colegas que trabalhava na loja do pai dela. Mostrava para eles, boquiabertos e com os olhos arregalados, folhetos turísticos da Air France mostrando os roteiros que a nossa professora seguia do Brasil a Paris e de lá para Beirute. Eu sempre encontrava vários destes folhetos jogados num canto qualquer da loja. Eu os lia com sede de saber e de aventura. De São Paulo ( Congonhas), num Superconstelation, o vôo ia até o Galeão, no Rio ( hoje Aeroporto Internacional Tom Jobim). A última parada era em Recife, para depois cruzar o Oceano Atlântico (Ilhas Canárias), depois Lisboa, em Portugal e, finalmente Paris. Tudo muito chic. Mas era diferente da rapidez de hoje, nos aviões a jato. A viagem era muito demorada. Uma aventura grandiosa, eu imaginava! Lá pelos meus 17 anos, ainda no ginásio, eu e meus colegas ficamos sabendo que iríamos ter aulas de francês com uma nova professora. De São José dos Campos. Tinha se formado recentemente na Sorbonne, em Paris e que tinha, em seus 30 anos, grande bagagem cultural. Conhecera praticamente todos os grandes museus da Europa e, moderníssima para a época, trajava–se perfeitamente, como a musa do Existencialismo, Juliette Grecco, fã de carteirinha, portanto, dos filósofos e escritores franceses Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir.
Ah! Praquê! Logo depois de suas primeiras aulas, já éramos todos, perdidamente existencialistas, com náuseas do mundo, de braços dados também com Jack Keruak, geração beatnik, tudo junto e misturado, apaixonados por Caetano e Gal e etc, que no Brasil formavam a galera do Tropicalismo. Não perdíamos uma apresentação dos Festivais de MPB, na TV Record, no aparelho preto e branco ainda, mais próximo do Colégio onde, com permissão da dona da casa, mãe de uma das alunas, vivíamos eternamente apaixonados, com profundas olheiras existencialistas, de tanto contestar o mundo, mesmo que de certa forma, ingenuamente, querendo mudar o velho pelo novo, introduzindo novos valores e comportamentos. Agíamos todos como se tivéssemos descoberto o segredo entre a vida e a morte, embora precocemente! Helena Kalil se misturava com a gente e costumava voltar tarde prá casa, nas noites de sexta–feira, após suas duas últimas aulas. Com ela queríamos falar francês o mais rápido possível para poder viajar e conhecer o mundo e fazer novas amizades. Quem podia já estudava na Aliança Francesa em SJC. Eram aulas de profundo conhecimento que se juntavam às da professora Heloísa Helena, de Filosofia, que nos deixava profundamente perturbados. Eu me sentia voando num tapete persa maravilhoso. Querendo aprofundar os conhecimentos que recebia. Éramos todos apaixonados por elas. Ao final do curso clássico (Área de Humanas), hoje Ensino Médio, um grupo de alunos já estava se aventurando em viver e trabalhar em São Paulo, que, já em meados dos anos 60, nos atraía, como um forte imã. São Paulo era a metrópole! Do trabalho e da cultura. Pólo vital para nossos sonhos. De onde vinha toda nossa força e coragem. Recentemente vi, na casa de um casal amigo um destes tapetes persas, de suntuosa beleza. Curioso, me aproximei mais. Percebi o quanto de provocativo existia nele. Como num daqueles contos das mil e uma noites.